Sua marca é conhecida mundialmente, mas poucos sabem seu rosto. Martin Margiela é o estilista fundador da Maison Margiela e nunca deu entrevistas face a face, assim como nunca subiu à passarela para receber os aplausos do público após um desfile. Depois de décadas no anonimato e mantendo-se longe dos holofotes, o designer belga surpreendeu ao abrir seu arquivo pessoal para um leilão inédito em Paris, que ocorrerá nesta quinta-feira (9/7) no número 71 da Rue de la Fontaine-au-Roi.
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Leilão inédito
Além dos badalados desfiles, a Semana de Alta-Costura de Paris, que se encerra nesta quinta-feira (9/7), contará com um momento inédito: o leilão de mais de 150 itens do arquivo pessoal do estilista belga Martin Margiela, como o seu primeiro portfólio criativo, datado de 1987; o famoso par de Tabis grafitados, de 1991; e até mesmo artigos da Hermès que pertenceram à sua mãe.
“O que é revelador sobre o que Martin guardou é que não eram tanto as roupas em si, mas todos os objetos que representavam suas ideias”, afirmou Alex Baddeley, especialista em moda e leiloeiro da Kerry Taylor Auctions, empresa que organiza o leilão em parceria com a Maurice Auction.
Itens curiosos
Serão mais de 200 lotes do acervo pessoal de Margiela, entre itens de vestuário, desenhos, fotografias, objetos, peças da Hermès e obras que abrangem o período de 1984 a 2008, além de peças criadas durante a pandemia. O leilão é organizado por Bob Verhelst, com direção de arte do próprio homenageado.
Além de peças históricas, o leilão também contará com itens curiosos, como o telefone que Margiela usava, uma peruca com franja removível usada em um desfile dos anos 2000, protótipos que nunca chegaram ao mercado, portfólios criativos do designer, moldes e desenhos. A estimativa é arrecadar até 412 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 2,43 milhões.
Em 1988, ninguém queria as polêmicas Tabis. A silhueta, inspirada nas botas de trabalhadores do Japão, não teve sucesso imediato, porém, quatro décadas depois, tornaram-se ícones que permitiram ao público expressar-se livremente. Agora, em 2026, um par especial vai a leilão: as Tabis da primeira exposição coletiva de Margiela, de 1991, pintadas de branco.
Outros itens que chamam a atenção são as bonecas Barbie vestidas com looks do desfile outono/inverno 1989/1990; designs de Margiela para o Canette d’Or em Antuérpia, em 1984; uma blusa de trabalho manchada de fita adesiva avaliada em 10 mil euros; e mais de sessenta peças da Hermès do guarda-roupa de sua mãe, Léa Bouchet.
“Depois de muitos anos transportando meus arquivos de um lugar para outro e emprestando algumas peças para exposições, senti que era hora de me desfazer de parte do meu acervo de moda”, declarou Martin Margiela.













