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Nova Zelândia prepara megaoperação em três ilhas até 15 vezes maiores que áreas já descontaminadas para eliminar invasores e tentar devolver vida ao kākāpō e às megaflores subantárticas
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/07/2026 às 11:40
Atualizado em 29/07/2026 às 11:41
Ciência e Tecnologia
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Nova Zelândia quer eliminar mamíferos invasores de Maukahuka, Rakiura e Chatham em plano de NZ$ 202 milhões para proteger espécies nativas.
A Nova Zelândia colocou em marcha um dos maiores projetos de restauração ecológica de sua história ao tentar eliminar mamíferos invasores de Maukahuka/Auckland Island, Rakiura/Stewart Island e do arquipélago de Chatham. Segundo o Departamento de Conservação da Nova Zelândia, o pacote reúne governo, comunidades locais e organizações indígenas em uma operação desenhada para devolver essas ilhas a espécies nativas que evoluíram sem predadores mamíferos e passaram a sofrer forte pressão depois da chegada humana.
A escala do plano é incomum até para os padrões neozelandeses. O DOC informou que os três projetos somam custo estimado de NZ$ 202 milhões, já receberam NZ$ 54 milhões do governo e ainda exigem grande mobilização de financiamento. A mesma iniciativa afirma que cada uma dessas ilhas é de 4 a 15 vezes maior do que a maior ilha que o país já conseguiu limpar de pragas até hoje.
Ecossistema sem predadores virou alvo fácil após a chegada de mamíferos invasores
Durante milhões de anos, a fauna e a flora da Nova Zelândia evoluíram em isolamento, sem mamíferos terrestres predadores.
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Segundo a Island Conservation, esse processo criou um ecossistema singular e extremamente vulnerável, no qual muitas aves passaram a fazer ninhos no chão, perderam a capacidade de voar ou não desenvolveram respostas de fuga eficazes contra ameaças desse tipo.
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Com a introdução de ratos, camundongos, gatos selvagens, porcos, gambás e ouriços, esse equilíbrio foi rompido. O que antes era um refúgio natural se transformou em um ambiente hostil para espécies que só existem ali. No caso de Maukahuka/Auckland Island, o DOC afirma que a ilha abriga mais de 100 espécies encontradas em nenhum outro lugar do mundo, hoje ameaçadas por camundongos, porcos e gatos selvagens.
Maukahuka, Rakiura e Chatham concentram espécies que a Nova Zelândia tenta salvar da extinção
Cada uma das três áreas entrou no plano por razões biológicas e ecológicas muito específicas. Segundo o DOC e a Island Conservation, a visão para Maukahuka inclui o retorno das paisagens de megaervas subantárticas, enquanto Rakiura é tratada como candidata a futuro refúgio do kākāpō, um dos pássaros mais raros do planeta. Já as Ilhas Chatham aparecem como área crítica para aves marinhas, incluindo o tāiko e diferentes espécies de albatroz.
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Em Rakiura, o projeto mira a remoção de gatos selvagens, ratos, gambás e ouriços. Segundo o Predator Free Rakiura, a ilha é a terceira maior da Nova Zelândia, tem cerca de 90% de seu território em área pública de conservação e está cercada por ilhas menores já livres de pragas, onde populações de aves marinhas vêm se recuperando.
No arquipélago de Chatham, a meta inicial é avançar na remoção de gambás e gatos selvagens em partes-chave do sistema insular. Segundo o Predator Free Rakiura, o objetivo de longo prazo é retirar gambás, gatos selvagens e ratos de todo o arquipélago e permitir que o ecossistema impulsionado por aves marinhas volte a prosperar.
Liderança Māori e Moriori é tratada como parte central do projeto de restauração
A restauração dessas ilhas não foi apresentada apenas como uma ação ambiental. Segundo o DOC, Rakiura e Maukahuka ficam dentro do território tradicional de Ngāi Tahu, e o papel de kaitiaki, ou guardiões, dessas terras é tratado como elemento central do projeto. O órgão também afirma que o trabalho atual foi viabilizado pelo sucesso anterior em ilhas menores ao redor de Rakiura.
No caso de Chatham, o arranjo inclui participação do Hokotehi Moriori Trust e do Ngāti Mutunga o Wharekauri, além de entidades locais e do próprio governo. Segundo o DOC, a lista de signatários da iniciativa mostra que a restauração foi estruturada como uma parceria entre Estado, ciência, comunidades locais e lideranças indígenas.
Recuperar aves marinhas pode fortalecer até o oceano ao redor das ilhas
Os ganhos esperados não ficam restritos à terra firme. Segundo a Island Conservation, ilhas livres de espécies invasoras tendem a recuperar grandes populações de aves marinhas, e esse retorno ajuda a reativar o fluxo de nutrientes entre o oceano e o solo por meio do guano. Esse material fertiliza a terra e, levado pela chuva, também enriquece ambientes marinhos costeiros.
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A mesma fonte afirma que áreas insulares livres de invasores podem ter até 50% mais biomassa de peixes e apresentar recuperação até quatro vezes mais rápida após eventos de branqueamento de corais. Esse efeito ampliado ajuda a explicar por que o projeto foi enquadrado não apenas como defesa da biodiversidade terrestre, mas também como ação de resiliência oceânica e climática.
Operação enfrenta terreno remoto, clima severo, alto custo e presença humana em parte das ilhas
O plano está longe de ser simples. Segundo o DOC, os três projetos estão entre os mais complexos já tentados no país por causa do tamanho das ilhas, da distância do continente, do terreno difícil, do clima severo e da presença de comunidades humanas em Rakiura e nas Ilhas Chatham.
Em Maukahuka/Auckland Island, o desafio já tem recorte financeiro próprio. O DOC informou que o projeto voltado para a remoção de camundongos, porcos e gatos selvagens foi estimado em NZ$ 78 milhões. O desenho geral prevê anos de planejamento, logística pesada e coordenação entre múltiplos parceiros.
Além disso, o país ainda precisa fechar a conta para toda a ofensiva. Segundo o DOC, depois do aporte público e das doações já recebidas, ainda restava uma parcela expressiva a ser levantada para que os três projetos avancem plenamente.
Nova Zelândia tenta ampliar uma experiência que já virou referência mundial em erradicação de pragas
A ambição do plano se apoia em um histórico acumulado ao longo de décadas. Segundo o DOC, a Nova Zelândia já alcançou mais de 110 erradicações bem-sucedidas de pragas em ilhas e mantém a meta nacional Predator Free 2050, voltada à eliminação de predadores introduzidos em escala muito mais ampla.
Na página oficial do programa, o DOC afirma que o país já removeu predadores de dois terços de suas ilhas offshore e se apresenta como líder mundial nesse tipo de restauração. Esse histórico é o que sustenta a tentativa de avançar agora para territórios muito maiores, mais remotos e ecologicamente mais sensíveis.
Se o projeto funcionar como planejado, a Nova Zelândia poderá devolver às três ilhas paisagens, colônias de aves e espécies emblemáticas que hoje sobrevivem sob forte pressão.
O que está em jogo não é apenas a remoção de animais invasores, mas a tentativa de reabrir espaço para que ecossistemas inteiros voltem a funcionar como antes da ruptura causada pela introdução de mamíferos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

