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Omã ergue megausina com duas tubulações gigantes de 2 metros de diâmetro e 1,24 km no mar para puxar água salgada e produzir 300 milhões de litros de água potável por dia
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/07/2026 às 22:09
Curiosidades
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Megaestrutura submarina conecta o oceano a uma das maiores plantas de dessalinização de Omã, reunindo tubulações de grande diâmetro, torre de captação e linhas de descarga em um sistema projetado para sustentar a produção contínua de água potável em escala urbana.
Omã está construindo uma das maiores usinas de dessalinização do país, apoiada por um sistema marítimo capaz de captar água salgada por duas tubulações de 2 metros de diâmetro, cada uma com 1,24 quilômetro de extensão.
Depois de retirada do mar, a água seguirá para a planta Ghubrah III, em Mascate, onde passará por tratamento de osmose reversa antes de entrar no sistema de abastecimento com capacidade projetada de 300 milhões de litros por dia.
Concebida como uma ligação permanente entre o oceano e a unidade instalada em terra, a estrutura reúne linhas submarinas que transportarão grandes volumes até a etapa industrial responsável por remover sais e outras substâncias presentes naturalmente na água marinha.
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Segundo a Proes, empresa responsável pela engenharia básica e detalhada das obras marítimas, o conjunto de captação será formado por dois dutos de plástico reforçado com fibra de vidro, material identificado pela sigla técnica FRP.
Tubulações submarinas ligarão o oceano à Ghubrah III
Cada tubulação terá 2.000 milímetros de diâmetro e 1.246 metros de comprimento, dimensões definidas para permitir o transporte contínuo da água necessária ao funcionamento de uma planta com produção diária em ampla escala metropolitana regional.
Na extremidade do sistema ficará uma torre de captação instalada a 10,5 metros abaixo do nível médio do mar, estrutura que marcará o ponto de entrada e fará a conexão com as duas linhas direcionadas à costa.
Por alcançar 2 metros de diâmetro, cada duto assume proporções semelhantes às de grandes galerias urbanas, embora sua função seja manter o fluxo de água salgada que abastecerá permanentemente toda a unidade industrial de dessalinização.
A água captada não se tornará potável assim que chegar à usina, pois precisará atravessar etapas de preparação destinadas a remover partículas em suspensão e componentes capazes de comprometer o desempenho das membranas utilizadas no tratamento.
Osmose reversa separará a água dos sais dissolvidos
Durante a osmose reversa, bombas aplicarão pressão para fazer o líquido atravessar membranas que permitem a passagem das moléculas de água, enquanto retêm grande parte dos sais dissolvidos e de outras substâncias presentes no fluxo.
Desse processo surgirão duas correntes distintas: a água dessalinizada, encaminhada para ajuste e distribuição, e um rejeito líquido com concentração de sal superior à encontrada no volume inicialmente retirado diretamente do oceano para tratamento posterior.
Prevista para atingir 300 mil metros cúbicos por dia, a capacidade da Ghubrah III corresponde a 300 milhões de litros produzidos diariamente, considerando que cada metro cúbico equivale a mil litros de água potável tratada.
Por essa razão, a captação submarina ocupa posição central no funcionamento da planta, já que toda a cadeia industrial depende da regularidade com que a torre e os dutos conseguem entregar água bruta à unidade terrestre.
Embora o tratamento ocorra dentro da usina, o processo começa no ambiente marinho, onde estruturas submersas precisam operar de forma contínua para sustentar o volume exigido por uma instalação industrial desse porte e dessa capacidade.
Separado das linhas de entrada, o sistema de descarga devolverá ao mar o fluxo concentrado que permanece depois da retirada de parte dos sais por meio das membranas de osmose reversa usadas no processo industrial.
Linhas de descarga conduzirão o rejeito ao mar
De acordo com a Proes, essa devolução será feita por duas tubulações de 1.600 milímetros de diâmetro, cada uma com 1.493,92 metros de extensão, conectadas a um conjunto específico de difusores instalados no ambiente marinho.
Instalados a aproximadamente 7,75 metros abaixo do nível médio do mar, esses difusores distribuirão a descarga por diferentes saídas, evitando que todo o volume concentrado seja lançado em apenas um ponto do ambiente marítimo costeiro.
Captação e descarga formarão, assim, circuitos independentes, pois os dutos de entrada alimentarão a usina com água salgada, enquanto as linhas de saída conduzirão o rejeito líquido até a área planejada para dispersão no mar.
Escolhido para as tubulações, o plástico reforçado com fibra de vidro combina resistência estrutural e proteção contra processos de corrosão que costumam afetar componentes metálicos expostos continuamente à elevada salinidade da água do mar durante décadas.
Engenharia marítima exige estabilidade e vazão contínua
Além do material, a instalação exige cálculos hidráulicos e análise detalhada das condições do fundo marinho, já que o percurso das linhas, a estabilidade das peças e todas as conexões precisam funcionar de maneira integrada.
Outro desafio está na manutenção de uma vazão compatível com a capacidade industrial da Ghubrah III, cujo sistema deve receber água suficiente tanto para a parcela convertida em produto potável quanto para o volume concentrado restante.
Isso ocorre porque a osmose reversa não transforma integralmente toda a água retirada do oceano, mantendo uma parte do fluxo como rejeito carregado com os sais retidos pelas membranas durante todas as etapas do tratamento.
Localizada em Mascate, a Ghubrah III ampliará a infraestrutura de produção de água em uma região onde a dessalinização ocupa papel estratégico, aproveitando a proximidade do litoral como fonte contínua para o abastecimento urbano da capital.
Infraestrutura submersa sustentará o abastecimento de Mascate
Essa vantagem geográfica, porém, depende de obras capazes de integrar o ambiente oceânico à planta terrestre, reunindo torres submersas, bombas, dutos de grande diâmetro, estruturas de chegada e linhas submarinas destinadas à descarga do rejeito.
Por permanecerem abaixo da superfície, os componentes marítimos recebem menos atenção visual do que tanques, prédios e equipamentos instalados em terra, embora sustentem as etapas operacionais indispensáveis de entrada e devolução dos diferentes fluxos marítimos.
A dimensão do projeto aparece justamente nessa infraestrutura escondida, composta por duas linhas de captação com mais de um quilômetro, duas tubulações de descarga ainda mais longas e estruturas instaladas em profundidades cuidadosamente definidas pelo projeto.
Quando tubulações de 2 metros de diâmetro transformam o mar em fonte diária de abastecimento, até onde cidades costeiras poderão ampliar a dessalinização para enfrentar a pressão crescente sobre reservas e sistemas tradicionais de água doce?
Fonte
https://inima.com/en/proj
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

