Considerado um paradoxo ambiental por ser vulnerável em seu local de origem mas um predador descontrolado em outras regiões, o pirarucu tem apenas uma espécie, segundo uma nova pesquisa feita por cientistas do Amazonas.
O estudo publicado na última sexta (3/7) na revista Neotropical Ichthyology vai de encontro a levantamentos anteriores, que diferenciaram quatro espécies além do Arapaima giga.
O autor do estudo, o pesquisador Valdenor Magalhães, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), explica que as características diferentes são uma variação natural dentro da espécie.
“Essas variações individuais que vão desde tamanho do olho, quantidade de dentes, comprimento e formato de nadadeiras, altura do corpo e até mesmo a quantidade de vértebras, não seguem um padrão que nos permita agrupar ou identificar outras espécies morfológicas”, explica, em entrevista à Agência Bori.
82 peixes foram fotografados e 70 passaram por análise genética em quatro regiões: Alto rio Solimões, rio Juruá, rio Purus, e baixo rio Amazonas. O pirarucu é o maior peixe de água doce da América do Sul e os cientistas alertam que é importante saber mais sobre a espécie para conservá-la.
“Por ser uma espécie de topo de cadeia alimentar, o pirarucu desempenha um papel ecológico fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas onde ocorre naturalmente, principalmente predando e controlando a população de outras espécies. Preservar a espécie explorando-a de modo sustentável, como ocorre no sistema de manejo é uma forma de preservar também o seu papel ecológico”, conclui Magalhães.

