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Sem dinheiro para comprar todos os materiais novos, casal reaproveita pedras, vigas, janelas e peças retiradas de 11 celeiros, constrói um castelo durante décadas e transforma parte da residência em pousada
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/07/2026 às 20:18
Construção, Indústria
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Construído desde 1971 no Vale do Hudson, o Wing’s Castle reúne materiais reaproveitados, torres, vitrais, piscina sob a estrutura e quartos para hóspedes em uma obra familiar que cresceu durante décadas.
Uma janela descartada, uma viga retirada de um celeiro ou uma pedra salva de uma antiga construção podia ganhar um novo lugar no Wing’s Castle. Peter e Toni Wing usaram materiais reaproveitados para construir um castelo em Millbrook, no Vale do Hudson, e adaptaram cada ambiente às peças que conseguiam encontrar.
A informação foi publicada pela Architectural Digest, revista internacional de arquitetura e design. Peter e Toni começaram a obra em 1971, quando ambos tinham 23 anos, sobre um terreno rochoso que permanecia com a família Wing desde 1888.
A residência não nasceu pronta nem seguiu uma planta fechada para todas as fases. O castelo cresceu por meio de esboços, materiais antigos e novas ideias, até receber torres, passagens, vitrais, esculturas, uma piscina sob a construção e quartos destinados aos hóspedes.
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A construção começou em 1971 com pouco dinheiro e uma ideia incomum
Peter conhecia o terreno desde a infância e escolheu o ponto onde começaria a obra. Um mês após o casamento, realizado em junho de 1971, o casal iniciou a construção da casa que Peter imaginava com a aparência de um castelo.
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Os dois tinham pouco dinheiro para comprar materiais novos em grande quantidade. A solução foi procurar pedras, madeira, tijolos, janelas e componentes que ainda pudessem ser usados, mesmo que tivessem vindo de construções com formatos e idades diferentes.
Durante os três primeiros anos, Peter e Toni viveram sob a estrutura ainda incompleta, protegidos por uma lona. Eles só passaram a morar dentro da construção quando a armação ficou firme o bastante para recebê los.
As peças de 11 celeiros decidiram como o castelo seria montado
O casal comprou e desmontou 11 celeiros para aproveitar partes que normalmente seriam descartadas. Pedras das bases, tábuas de piso, vigas e até pregos foram retirados com cuidado e levados para a construção do castelo.
Outros materiais vieram de diferentes pontos do Vale do Hudson. O projeto incorporou tijolos antigos e partes de uma velha ponte ferroviária, além de janelas, objetos e elementos decorativos encontrados ao longo dos anos.
Esse reaproveitamento mudou a forma de trabalhar. Em uma obra convencional, as peças costumam ser compradas para caber em medidas já definidas. No Wing’s Castle, muitas paredes, aberturas e passagens precisavam ser pensadas a partir do tamanho do material disponível.
Pedras, vigas e janelas exigiram adaptações em cada espaço
As pedras recuperadas entraram nas bases, paredes e arcos. A fundação, parte que recebe o peso da construção, precisava reunir peças de tamanhos diferentes sem perder a estabilidade necessária para sustentar o que seria erguido acima.
As vigas e tábuas antigas também não seguiam um único padrão. Cada peça de madeira tinha comprimento, largura e marcas próprias, o que obrigava Peter a ajustar encaixes, pisos, tetos e divisões internas durante a execução.
Com as janelas e os vitrais, a lógica era semelhante. Em vez de comprar peças iguais para repetir o mesmo formato, o casal adaptava as aberturas ao que havia encontrado. O material reaproveitado não serviu apenas como decoração, pois ajudou a decidir o desenho do castelo.
Torres, telhado artesanal e piscina sob a construção ampliaram a obra
Peter trabalhou por 23 anos na primeira grande parte do castelo, usando seus próprios esboços como orientação. O casal acreditava no início que o projeto poderia ser concluído em apenas dois anos, mas novas ideias e materiais prolongaram a construção.
A Architectural Digest, revista internacional de arquitetura e design, registrou que Peter produziu todo o telhado manualmente, incluindo telhas de cedro cortadas por ele e trabalhos feitos em cobre. O interior recebeu peças encontradas em vendas de propriedades, mercados e lojas de antiguidades da região.
Entre os espaços mais curiosos está o fosso usado como piscina. A água passa por um túnel sob o castelo, permitindo atravessar de um lado ao outro nadando. Torres, corredores, esculturas e ambientes com materiais de épocas distintas completaram a aparência incomum da residência.
O interesse dos visitantes levou a família a criar uma pousada
Nos anos 1980, pessoas que ouviam falar do castelo ou avistavam a construção da estrada começaram a parar no local. A família passou a organizar visitas, e a entrada do público ajudou a manter a continuidade do projeto.
Pouco depois de considerar a primeira parte pronta, Peter decidiu ampliar o castelo com quartos para hóspedes. A construção da segunda metade ocupou mais 22 anos e transformou parte da residência em pousada.
Receber hóspedes exigiu mais do que abrir quartos. A família precisou conciliar circulação, conservação e uso diário com ambientes feitos artesanalmente, passagens estreitas, peças antigas e componentes que não poderiam ser substituídos como itens comuns de uma construção padronizada.
A manutenção virou parte da continuidade familiar
Peter morreu em um acidente de carro em 2014. Toni continuou administrando a pousada com a ajuda do filho Charles, que cresceu acompanhando o trabalho e participando da história da construção.
Manter o Wing’s Castle exige atenção constante às pedras, madeiras, coberturas, janelas e detalhes feitos à mão. Como muitos componentes vieram de outras construções, conservar o imóvel também significa preservar a origem e as marcas de cada peça reaproveitada.
O castelo mostra como uma obra pode crescer a partir do que já existe. Materiais retirados de celeiros, antigas estruturas e demolições deixaram de ser restos sem uso e passaram a definir paredes, pisos, torres, janelas e quartos.
Ao transformar parte da residência em pousada familiar, os Wing criaram uma forma de manter o espaço ocupado e ligado ao público. O que começou como a casa de um jovem casal se tornou uma construção desenvolvida durante décadas e continuada pela própria família.
Você se hospedaria em um castelo onde cada pedra, viga e janela tem uma origem diferente? Conte nos comentários e compartilhe esta história.
Fonte
Architectural Digest
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

