A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7/7), a sexta fase da Operação Unha e Carne para aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio de Janeiro para ocultar recursos de origem ilícita.
Ao todo, os policiais cumprem 19 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital fluminense, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A Justiça também autorizou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.
Segundo a Polícia Federal, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
As investigações indicam que a estrutura criminosa utilizava empresas do setor de combustíveis como plataforma para lavagem de dinheiro e contava, ainda, com a participação de agentes públicos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros delitos que venham a ser identificados durante o avanço das investigações.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro.
Relembre as fases anteriores
A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 para investigar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho (CV).
Com o avanço das apurações, a Polícia Federal ampliou o foco da investigação e passou a apurar uma rede de proteção ao crime organizado, que incluiria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.
Na semana passada, durante a 5ª fase da operação, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada “Máfia do Cigarro”.
Na mesma etapa, a Justiça também decretou a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, e do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava preso. As investigações dessa fase apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
As etapas anteriores também tiveram como alvos o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por suposto vazamento de informações sigilosas, além do deputado estadual Thiago Rangel, preso sob suspeita de participação em fraudes envolvendo contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.

