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A caçamba de 240 toneladas da maior escavadeira dragline já construída, capaz de erguer 325 toneladas de terra de uma só vez, foi retirada de uma mina de carvão em Ohio e terminou fincada num parque memorial da mineração
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 06/08/2026 às 18:57
Atualizado em 06/08/2026 às 19:02
Construção
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A máquina se chamava Big Muskie, tinha 73 metros de altura e trabalhou de 1969 a 1991 no sudeste de Ohio, nos Estados Unidos. Foi desmontada e vendida como sucata em 1999. Só a caçamba escapou, e hoje é o centro de um memorial aos mineiros da região.
Cabe um trator dentro dela. Essa é a comparação que os visitantes ouvem ao chegar diante da caçamba de 240 toneladas que restou da escavadeira dragline Big Muskie, modelo 4250-W fabricado pela Bucyrus-Erie e apontado como a maior máquina do tipo já construída, conforme registros do Departamento de Recursos Naturais de Ohio e reportagem publicada pela revista Equipment World.
A peça tem capacidade de 220 jardas cúbicas, cerca de 170 metros cúbicos, e conseguia erguer 325 toneladas de terra e rocha em uma única mordida. Hoje ela está instalada no Miner’s Memorial Park, dentro do Jesse Owens State Park, em McConnelsville, no sudeste do estado americano.
Que máquina era essa
O Big Muskie era uma escavadeira do tipo dragline caminhante, categoria de equipamento que não anda sobre esteiras nem pneus, e sim se desloca apoiando sapatas gigantescas no solo, como pés.
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O funcionamento é o que dá nome ao equipamento. A caçamba é lançada à frente e depois arrastada pelo chão por cabos, raspando camadas de solo e rocha até expor o veio de carvão que está embaixo. É a técnica conhecida como mineração a céu aberto por remoção de cobertura. O modelo 4250-W foi o único exemplar do tipo produzido pela fabricante.
O tamanho da coisa
Os números impressionam mesmo para quem já viu equipamento pesado de perto. A máquina tinha 240 pés de altura, cerca de 73 metros, o equivalente a um prédio de 22 andares, e 150 pés de largura, aproximadamente 46 metros.
O peso aparece com pequenas variações entre publicações: 27 milhões de libras, cerca de 13,5 mil toneladas, segundo a Equipment World, e 14 mil toneladas de peso operacional em outra fonte. A lança consta como 310 pés em algumas publicações e 330 pés em outra. Quando precisava mudar de posição, exigia uma via mais larga que uma rodovia de oito faixas.
Como ela chegou até a mina
Não havia transporte capaz de levar aquilo montado. O equipamento teve de ser construído no próprio local, dentro da Mina Muskingum, no leste de Ohio.
O envio das peças começou em 1967. Segundo o Departamento de Recursos Naturais de Ohio e a Equipment World, foram mais de 300 vagões ferroviários e 250 caminhões. Outra publicação registra 340 vagões e 260 caminhões. A montagem consumiu mais de dois anos e cerca de 200 mil horas de trabalho, e a máquina entrou em produção em 1969.
A rotina de quem operava
O regime de trabalho ajuda a entender a escala do empreendimento. A escavadeira funcionava 24 horas por dia, parando apenas para intervalos de 30 minutos nas refeições, para reparos e no dia de Natal.
Quatro turmas de sete pessoas cada se revezavam nos turnos. O ritmo de remoção chegava a 8 mil jardas cúbicas por hora. O carvão exposto abastecia principalmente a usina termelétrica do rio Muskingum, e a operação era conduzida pela Central Ohio Coal Company, subsidiária da American Electric Power.
Quanto ela moveu em 22 anos
Os totais acumulados variam conforme a unidade usada. A Equipment World informa 483 milhões de toneladas de terra removidas entre 1969 e 1991. Outra publicação registra mais de 608 milhões de jardas cúbicas de material movimentado.
A comparação que aparece em praticamente todas as fontes é com uma obra famosa: ao longo da vida útil, o equipamento removeu aproximadamente o dobro do volume escavado na construção original do Canal do Panamá. No mesmo período, expôs mais de 20 milhões de toneladas de carvão.
Por que ela parou
O fim não veio por desgaste mecânico. Veio por legislação e por conta. A Lei do Ar Limpo, aprovada nos Estados Unidos em 1990, estimulou o uso de carvão de baixo teor de enxofre e de gás natural.
O carvão extraído naquela região tinha alto teor de enxofre, e a demanda despencou. Some se a isso o custo de operar uma máquina daquele porte, que passou a superar o valor do carvão produzido. A escavadeira ficou parada a partir de janeiro de 1991. O tamanho, que era a vantagem competitiva, virou o problema: ela exigia superfície plana e estável para sustentar o próprio peso.
A tentativa de salvar a máquina inteira
Houve mobilização para preservar o equipamento como museu. Campanhas comunitárias defenderam a manutenção da estrutura ou a transferência dela para outro local, tratando a máquina como símbolo do patrimônio industrial da região.
O dinheiro não apareceu. Sem recursos para viabilizar a preservação, o equipamento foi desmontado em maio de 1999 e vendido como sucata. A caçamba foi o único componente principal que escapou, e mesmo assim depois de o colapso da lança inviabilizar qualquer aproveitamento adicional.
O parque que nasceu em volta da peça
A caçamba percorreu poucos quilômetros até o destino final. Sobre a data da transferência há divergência: um levantamento enciclopédico aponta 1999, enquanto o gerente do parque, Ronald Mingus, do Departamento de Recursos Naturais de Ohio, informou à emissora Spectrum News que a peça foi movida em 2001, quando o memorial foi criado.
O Miner’s Memorial Park funciona como monumento à atividade mineradora da região e reúne, além da caçamba, painéis informativos sobre mineração de superfície e recuperação de áreas degradadas, além de um muro em homenagem aos trabalhadores do setor. A área ao redor foi reflorestada e hoje contrasta com o passado industrial do terreno.
O marco que chegou em 2025
A peça ganhou reconhecimento oficial recente. Em junho de 2025, o Departamento de Recursos Naturais de Ohio instalou no parque um marco histórico dedicado à máquina.
Na cerimônia, a diretora do órgão, Mary Mertz, afirmou que o Big Muskie não era apenas uma máquina, e sim um símbolo da indústria americana, da ambição e da evolução da produção de energia. A região viveu por décadas da mineração de carvão, e muitas das cidades e minas que a sustentavam foram abandonadas, deixando para trás vestígios de uma indústria que praticamente desapareceu do mapa econômico local.
E você, já viu de perto alguma máquina gigante de mineração ou construção? Conta aqui nos comentários onde foi e qual a sensação, e diga se acha que equipamento industrial aposentado deveria virar museu ou ir mesmo para a sucata.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

