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Adeus, Nestlé: onde fica a fábrica de chocolates colossal com 250 funcionários fechada após 60 anos de produção de Papais Noéis e coelhinhos de doce
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/08/2026 às 18:23
Atualizado em 22/08/2026 às 18:56
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Mudança industrial encerra uma trajetória de décadas ligada aos chocolates sazonais e afeta uma operação conhecida por produtos tradicionais de Natal e Páscoa, enquanto trabalhadores, reorganização produtiva e o futuro de uma unidade histórica entram no centro das atenções com o encerramento anunciado.
A Nestlé encerrará em dezembro de 2026 a produção de sua fábrica de Diósgyőr, distrito de Miskolc, no nordeste da Hungria, especializada em figuras ocas de chocolate comercializadas principalmente durante as temporadas de Natal e Páscoa no mercado europeu.
Comunicada aos representantes dos trabalhadores em julho, a decisão encerra um ciclo industrial iniciado em 1962, quando a produção começou no complexo que, décadas mais tarde, passaria ao controle da multinacional suíça e ganharia projeção pela fabricação de doces sazonais.
Conhecida por produzir Papais Noéis, coelhos de Páscoa e outras figuras sazonais, a unidade distribui seus chocolates para diferentes mercados internacionais e, em 2026, emprega 220 pessoas, segundo informações divulgadas pela própria Nestlé sobre a operação húngara.
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Esse contingente representa uma redução diante dos cerca de 400 empregados registrados em 2022, período em que Diósgyőr mantinha uma escala produtiva maior, enquanto os produtos fabricados atualmente no local ainda chegam a aproximadamente 20 países atendidos pela companhia.
Fechamento da fábrica de Diósgyőr encerra ciclo iniciado em 1962
A história industrial do endereço começou antes da chegada da Nestlé, já que o complexo foi concebido inicialmente para outra finalidade e passou por adaptações antes de receber a fabricação de confeitos, que se tornaria a principal atividade desenvolvida na unidade.
Segundo a companhia, a produção começou em 1962 com figuras de chocolate, wafers e produtos de nougat; posteriormente, Diósgyőr consolidou-se como centro especializado em figuras ocas, segmento que acabaria definindo a identidade industrial da fábrica ao longo das décadas seguintes.
A relação da Nestlé com a unidade teve início em 1989 e avançou dois anos depois, quando as fábricas de Szerencs e Diósgyőr foram incorporadas à estrutura da Nestlé Hungária, ampliando a presença industrial da multinacional dentro do país.
Ao longo das décadas seguintes, a empresa modernizou a operação e concentrou em Diósgyőr a fabricação de figuras ocas anteriormente realizada também em unidades da República Tcheca e da Polônia, reforçando o papel da planta no atendimento às temporadas festivas.
Quando completou 60 anos, em 2022, a fábrica registrava aproximadamente 4 mil toneladas anuais de figuras de chocolate, das quais 88% eram destinadas a mais de 25 países, de acordo com dados divulgados pela Nestlé naquele período.
Na mesma época, cerca de 400 trabalhadores participavam da fabricação de quase 300 tipos de produtos voltados ao Natal e à Páscoa, números que ajudam a dimensionar a importância que a unidade já teve dentro da produção sazonal da companhia.
Queda na demanda pesou na decisão da Nestlé
Entre os fatores apresentados pela Nestlé para justificar o encerramento está a queda da demanda por confeitos sazonais, movimento que reduziu de forma significativa a atividade industrial de Diósgyőr nos últimos anos e enfraqueceu a utilização da estrutura disponível.
Atualmente dedicada apenas às figuras ocas de chocolate, a fábrica ficou mais exposta às oscilações de um segmento específico do mercado de doces, enquanto sua participação dentro da operação húngara da multinacional passou a representar uma parcela relativamente pequena.
Dados divulgados após o anúncio indicam que Diósgyőr responde por menos de 3% do faturamento da Nestlé Hungária e por cerca de 0,4% do volume de produção da companhia no país, embora outras unidades industriais continuem em funcionamento.
Apesar do fechamento previsto para dezembro de 2026, a Nestlé seguirá produzindo na Hungria por meio das fábricas de Szerencs, ligada a bebidas em pó, e de Bük, voltada à fabricação de alimentos destinados a animais de estimação.
Papais Noéis e coelhos de Páscoa continuarão no mercado
Papais Noéis, coelhos de Páscoa e outras figuras ocas continuarão no mercado depois do encerramento de Diósgyőr, pois a Nestlé informou que pretende manter esses produtos no portfólio e transferir sua fabricação para um produtor independente.
Esse fabricante deverá seguir os padrões de qualidade estabelecidos pelo grupo suíço, mas as informações divulgadas até agora não identificam Olomouc como destino da produção nem revelam a localização da empresa que assumirá a fabricação das figuras sazonais.
Embora a produção deixe Diósgyőr ao final de 2026, a continuidade dos chocolates ocorrerá fora da unidade húngara, enquanto a Nestlé conduz, separadamente, negociações destinadas a definir o futuro industrial do complexo localizado em Miskolc.
Futuro dos trabalhadores e da unidade de Miskolc
Paralelamente à preparação para encerrar as atividades, a companhia iniciou negociações para vender o local e permitir que outra empresa continue produzindo confeitos na estrutura, em uma tentativa de preservar oportunidades de trabalho para parte dos empregados afetados.
Descritas como avançadas, essas conversas ainda não resultaram na divulgação de um comprador, e a Nestlé também não apresentou uma definição sobre o destino definitivo da planta, embora tenha manifestado interesse em manter o maior número possível de empregos.
Depois de mais de seis décadas associada à fabricação de chocolates festivos, a unidade caminha para deixar a estrutura produtiva da Nestlé, ao mesmo tempo que a companhia mantém as figuras sazonais no portfólio por meio de fabricação externa.
Com a transferência da produção e a venda da fábrica ainda em negociação, qual será o destino dos trabalhadores e da tradição de confeitaria construída em Diósgyőr desde 1962, após décadas dedicadas à fabricação de chocolates associados ao Natal e à Páscoa?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

