O senador e candidato ao governo do Acre Alan Rick (Republicanos) afirmou durante sabatina na noite desta terça-feira, 25, que rompeu politicamente com o ex-governador Gladson Cameli (Progressistas) após se decepcionar com os rumos da gestão.
Questionado sobre o fato de ter integrado o governo e mantido aliados em cargos de confiança antes de passar à oposição, o candidato disse que o grupo ajudou a eleger Cameli e esperava uma administração capaz de “trazer de volta a esperança” ao Acre.
“A gente, todos nós, eu, a Mara, ajudamos, né? O Roberto, a eleger o Gladson, o grupo que está conosco hoje, que é oposição a esse governo. Todos nós acreditávamos que seria um governo que traria de volta a esperança ao povo acreano, mas foi uma decepção para todos nós”, pontuou.
Alan Rick afirmou que a mudança de posição ocorreu porque, segundo ele, o grupo passou a discordar da condução do Estado. Para o candidato, que participou da construção do governo também tem o direito de reconhecer que o projeto não correspondeu às expectativas.
“E eu acho que nós temos o direito de, ao nos decepcionar com aquilo que nós ajudamos a construir, dizer: ‘Não, isso daqui não era o que nós esperávamos, não era o que a gente acreditava que seria’. E, naturalmente, a gente procura construir um novo modelo para o Acre”, ressaltou.
Na avaliação de Alan Rick, o governo de Cameli chegou a reunir diferentes grupos políticos que anteriormente estavam na oposição ao PT, mas perdeu parte desses apoiadores ao longo dos anos.
“Eu penso que todos nós que ajudamos, aliás, o governo que aí está, que é um governo de oito anos, foi abraçado por todos nós, da oposição à época ao PT. Todos nós abraçamos esse projeto, mas, ao longo do tempo, ele foi decepcionando seus integrantes”, ponderou.
O candidato citou como exemplos de insatisfação problemas nas áreas de saúde e educação. Na educação, mencionou um vídeo gravado por alunas da escola Craveiro Costa para denunciar, segundo ele, a repetição de determinados alimentos na merenda escolar.
“Repito o descaso com a saúde, com a nossa educação. Infelizmente, está aí. As meninas da escola Craveiro Costa têm que dar os parabéns para essas meninas. Elas gravaram um vídeo denunciando aquela merenda escolar, onde elas comem há meses sardinha e ovo, sendo que o Estado tem um contrato de fornecimento de carne, de alimentação mais saudável, de verduras, de frutos, e não entrega nas escolas.”
Alan Rick também relatou uma situação que teria presenciado durante uma viagem a Santa Rosa do Purus. Segundo ele, uma aeronave custeada pelo governo estadual chegou ao município transportando produtos para a merenda escolar.
“Eu estava em Santa Rosa do Purus. Fomos lá dar ordem de serviço na reforma de duas escolas, emenda minha, entregar os equipamentos para a Prefeitura realizar o trabalho de recuperação dos ramais e pavimentação urbana. E, pasmem, quando a gente chega ali na pista de pouso, chega a aeronave, paga pelo Estado, carregando produtos da merenda escolar.”
O candidato disse ter se surpreendido ao observar que parte dos alimentos transportados poderia ser produzida no próprio município.
“Aí tinha iogurte, tinha bolacha, mas sabe o que me chamou a atenção? Caixas e caixas de banana e macaxeira. Banana e macaxeira. Eu cutuquei o prefeito, disse: ‘Prefeito, Tamin, vocês produzem isso aqui em Santa Rosa?’ Banana e macaxeira. Nossa, a gente passou ali pela produção de algumas aldeias indígenas, tem lá muita macaxeira, tem banana.”
Segundo Alan Rick, o prefeito teria questionado por que o Estado não comprava esses produtos de produtores locais.
“O prefeito Constante disse: ‘Pois é, doutor, também queria saber o motivo. Poderia comprar o produto da gente, mas não compram porque tem algum interesse econômico’.”
Durante a sabatina, Alan Rick também foi questionado sobre sua trajetória política e sobre ter participado de governos ligados ao campo político do PT antes de se tornar um dos principais nomes do bolsonarismo no Acre. O candidato rejeitou a afirmação de que tenha sido filiado ao PT e corrigiu o entrevistador ao ser associado ao governo Jorge Viana. “Eu nunca fui do PT”, pontuou.
Ao ser questionado sobre sua participação em governos anteriores e sobre o apoio à então Frente Popular, Alan Rick afirmou que, em 2014, foi candidato pelo então PRB, atual Republicanos, que integrava a aliança política da época.
“Foi em 2014, nós fomos candidatos pelo PRB, que hoje é o Republicanos. À época, o partido fazia parte da Frente Popular. E eu não tenho vergonha nenhuma de dizer que, naquele momento, nós acreditávamos que aquele modelo de governo era o melhor para o Acre”, ressaltou.
Alan Rick afirmou que sua posição política mudou a partir da avaliação de que aquele modelo não teria produzido os resultados esperados para a população.
“Não tenho vergonha nenhuma disso, gente. Da mesma forma que eu não tenho como também apoiar um modelo que nós verificamos factualmente que também não redundou em melhoria para a vida do povo do Acre”, pontuou.
O candidato também afirmou que sempre defendeu pautas relacionadas à família e aos valores que considera importantes e disse ter enfrentado resistência dentro do grupo político do qual fazia parte.
“E eu sempre defendia a bandeira dos valores da vida e da família e, naquele grupo, eu sofria muitas represálias”, relembrou.
Questionado sobre a presença do pastor Agostinho em governos ligados à Frente Popular, Alan Rick afirmou que líderes religiosos podem conviver com pessoas de diferentes posições políticas.
“Mas, Luiz, eu acho que o ser humano, o senador Bittar, foi comunista. Bocalom foi secretário do Jorge Viana. E vários outros foram participantes de governos lá da Frente Popular atrás”, pontuou.
Para Alan Rick, mudanças de posicionamento político não devem ser utilizadas como instrumento para desqualificar candidatos. Ele citou outros políticos que também tiveram participação em grupos políticos diferentes ao longo da carreira.
“As pessoas têm o direito de observar aquilo ali, entender que aquilo não faz parte do que ela acredita no momento em que tomou a decisão de apoiar um projeto”, ressaltou.
Ao final, o candidato afirmou que considera o debate sobre seu passado político uma estratégia de adversários para criar uma imagem negativa de sua trajetória. “Eu acho, sinceramente, que hoje esse debate está, sinceramente, muito utilizado politicamente para tentar criar uma pecha. Se for fazer isso, vai ter que atingir a maioria dos candidatos que participaram da Frente Popular”, finalizou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

