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Doméstica e mãe solo de 3 filhos passa 5 anos enchendo 16 mil garrafas de areia e troca barraco de zinco por casa própria em formato de observatório em Matagalpa, na Nicarágua
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 25/08/2026 às 22:00
Atualizado em 25/08/2026 às 22:03
Construção
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Ana del Carmen Herrera, mãe solo de três filhos e ex-empregada doméstica, participou da construção de uma casa em Matagalpa usando 16 mil garrafas plásticas preenchidas com areia. O projeto começou em 2014, levou anos para ser concluído e resultou numa residência cilíndrica, com cúpula de zinco e quatro cômodos.
Ana del Carmen Herrera, de 38 anos, conseguiu ter pela primeira vez uma casa para viver com os três filhos em Matagalpa, na Nicarágua, depois de participar diretamente da construção de uma residência feita com areia, cimento e 16 mil garrafas plásticas usadas como tijolos. A estrutura cilíndrica, coberta por uma cúpula de zinco liso, lembra à distância um observatório astronômico ou uma pequena mesquita.
Segundo reportagem publicada pelo jornal nicaraguense La Prensa em 28 de janeiro de 2018, o projeto começou em 2014 e nasceu de uma iniciativa de Juan Carlos Rizo, que disse ter sonhado que deveria construir uma casa de garrafas para uma mãe e seus três filhos. Ana, então empregada doméstica, participou intensamente da execução e afirmou ter passado dois anos enchendo garrafas.
Ana vivia com os três filhos em um pequeno quarto de plástico
Antes da construção, Ana morava em uma propriedade que pertencia à família de seu ex-companheiro.
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No local, fizeram para ela um pequeno quarto de plástico, onde a mãe e os três filhos dormiam juntos em uma cama pequena. Durante o inverno, a água entrava no espaço e molhava a família.
“Eu pedia ao Senhor para que o Governo me desse minha casa, meu terreno, porque onde eu vivia me mandavam embora. E eu dizia: algum dia vou ter minha casa”, contou Ana.
Juan Carlos Rizo disse ter sonhado com uma mãe e três filhos
Juan Carlos Rizo trabalhava como frentista em um posto de combustíveis quando teve o sonho que daria origem ao projeto.
Segundo seu relato, ele viu uma mãe, três crianças e a si próprio entregando as chaves de uma casa. Ao fundo aparecia o desenho da construção.
Rizo procurou então um amigo engenheiro para elaborar uma planta e começou a arrecadar garrafas e outros materiais, embora ainda não soubesse qual família receberia o imóvel.
Rizo conheceu a família depois de visitar o lixão da cidade
A identificação de Ana ocorreu depois que Juan Carlos foi com um amigo ao lixão de Matagalpa para observar as condições das pessoas que buscavam resíduos no local.
Rizo relatou ter visto crianças esperando caminhões de restaurantes para conseguir restos de comida. Duas filhas de Ana também iam ao lixão recolher materiais, segundo a reportagem.
Quando viu Ana chegar acompanhada dos filhos, afirmou ter reconhecido nela a mãe que havia aparecido em seu sonho.
Proposta inicial deixou Ana surpresa: “Vai ser de garrafas de plástico”
Juan Carlos procurou Ana e explicou que pretendia construir uma casa para ela e os três filhos.
Ao ouvir inicialmente que seria uma casa “de plástico”, Ana questionou a proposta porque já vivia em um espaço feito desse material.
“Para que eu quero uma casa de plástico se já tenho uma?”, perguntou.
“Vai ser de garrafas de plástico”, respondeu Rizo.
Moradores ajudaram família a conseguir terreno para construir
A proposta precisava de um espaço próprio para sair do papel.
Moradores da cidade ajudaram na mobilização para que o prefeito de Matagalpa doasse um terreno destinado à construção, o que acabou acontecendo.
Ana e Juan Carlos começaram então a trabalhar juntos no projeto.
Trabalho na casa começava depois do expediente
Naquele período, Ana trabalhava como empregada doméstica e Juan Carlos continuava empregado no posto de combustíveis.
Depois de cumprirem suas jornadas profissionais, os dois seguiam para o terreno e trabalhavam na construção.
Rizo também pedia dinheiro, latas e garrafas aos colegas de trabalho e aos taxistas que passavam pelo posto, explicando a eles o objetivo do projeto.
Cada garrafa precisava ser preenchida e compactada com areia
A preparação das garrafas exigia trabalho manual repetitivo.
Cada recipiente era preenchido até a metade com areia. Depois, um pedaço de madeira era introduzido pela abertura para compactar o conteúdo, e o restante era completado manualmente.
Ana encheu, uma por uma, a maior parte das garrafas utilizadas na própria casa. “Só pedia forças a Deus para que me permitisse encher a última garrafa”, contou.
Ana afirma que passou dois anos enchendo garrafas
O projeto começou em 2014, mas a preparação do material se prolongou.
Ana afirmou à reportagem que passou dois anos enchendo garrafas. No começo, outras pessoas colaboravam com a tarefa, mas a ajuda diminuiu progressivamente e ela acabou ficando responsável pelo trabalho.
As garrafas utilizadas tinham diferentes tamanhos, incluindo recipientes de três litros, dois litros e um litro e meio.
Areia era retirada do Rio Grande de Matagalpa
Juan Carlos também participava diretamente da obtenção dos materiais.
Mesmo depois de passar noites acordado por causa dos turnos no posto, ele seguia trabalhando na construção e buscava areia no Rio Grande de Matagalpa para preencher as garrafas.
Ana também chegava cansada do emprego doméstico, mas continuava trabalhando no imóvel.
Chefe da Coca-Cola em Matagalpa doou materiais para o projeto
A mobilização de Rizo trouxe novas contribuições para a obra.
Segundo a reportagem, o responsável pela Coca-Cola em Matagalpa colaborou com cimento, areia, portas e janelas.
Mesmo com as doações, houve períodos em que a construção precisou ser interrompida por falta de dinheiro e materiais.
Família chegou a morar em abrigo improvisado no próprio terreno
Durante a obra, Ana e os três filhos se mudaram para o terreno onde a casa estava sendo construída.
Ali, passaram a viver em uma pequena estrutura improvisada. Vizinhos colaboraram com plástico, chapas de zinco e algumas tábuas de madeira para formar o abrigo temporário.
A família permaneceu no local enquanto a construção definitiva avançava.
Casa utilizou 16 mil garrafas como tijolos
Quando a estrutura ficou pronta, haviam sido empregadas cerca de 16 mil garrafas plásticas de diferentes tamanhos.
Os recipientes, preenchidos com areia, funcionaram como elementos de construção ao lado do cimento.
O resultado foi uma residência de formato cilíndrico, com cúpula feita de zinco liso, característica que faz o imóvel lembrar um observatório quando visto de longe.
Estrutura ficou completa com quatro cômodos
A reportagem informou que a casa possuía quatro cômodos e já estava estruturalmente concluída.
Na época da publicação, porém, ainda faltavam algumas portas e janelas.
A conclusão da estrutura havia ocorrido cerca de quatro meses antes da reportagem de janeiro de 2018.
Ana ficou sem trabalho por causa de deficiência no pé esquerdo
Depois da construção, a situação financeira da família continuava difícil.
Ana já não trabalhava como empregada doméstica porque uma deficiência no pé esquerdo a impedia de continuar sendo a principal responsável pelo sustento da casa.
O pai das crianças, segundo a reportagem, ajudava apenas ocasionalmente.
Filho de 17 anos passou a buscar o alimento da família
A responsabilidade cotidiana pelo sustento passou principalmente para o filho mais velho de Ana.
Fernando José Munguía, de 17 anos, era quem precisava buscar diariamente o alimento para a família naquele momento.
Mesmo com as dificuldades econômicas e com partes da casa ainda pendentes, Ana destacou que finalmente possuía um lar para ela e os filhos.
Casa de 16 mil garrafas se tornou o primeiro lar próprio de Ana e dos filhos
A residência construída no bairro Sadrach Zeledón, em Matagalpa, marcou a primeira vez em que Ana del Carmen Herrera pôde dizer que tinha um espaço próprio para viver com os três filhos.
A estrutura de areia, cimento e 16 mil garrafas plásticas ficou completa depois de anos de trabalho, paralisações por falta de recursos, doações e participação direta de Ana e Juan Carlos Rizo.
Para você, projetos que reaproveitam milhares de garrafas e ao mesmo tempo ajudam famílias a conquistar moradia deveriam receber mais apoio de empresas e governos locais? Deixe sua opinião nos comentários.
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casa de garrafas em Matagalpa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

