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Aluna de 18 anos do Maranhão abre mão de uma aprovação em Relações Internacionais para perseguir o sonho de Medicina, passa a estudar até dez horas por dia e transforma a rotina pesada no 1º lugar da USP pelo Enem-USP
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/08/2026 às 22:36
Atualizado em 06/08/2026 às 22:37
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Ana Theresa Carvalhal foi aprovada em Relações Internacionais ainda no segundo ano do ensino médio, redefiniu seus planos, estudou até dez horas por dia e conquistou o primeiro lugar em Medicina na USP pelo Enem-USP.
Ana Theresa Fonseca Carvalhal encerrou o ensino médio em uma escola pública de São Luís com uma conquista que parecia distante até para ela. Aos 18 anos, a estudante maranhense foi convocada em primeiro lugar para Medicina na Universidade de São Paulo pelo processo seletivo Enem-USP de 2025.
A aprovação foi resultado de uma mudança de direção iniciada ainda durante a educação básica. Depois de conseguir uma vaga precoce em Relações Internacionais, Ana retomou o sonho de infância de ser médica e passou a cumprir uma rotina que reunia escola, cursinho, simulados e até dez horas diárias de preparação.
Ana Theresa conquistou o primeiro lugar em Medicina na USP
A lista da primeira chamada do Enem-USP 2025 apresenta Ana Theresa Fonseca Carvalhal como a primeira convocada para Medicina na Faculdade de Odontologia de Bauru. O documento oficial foi processado pela Fuvest em 16 de janeiro de 2025.
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A estudante concorreu pela modalidade destinada a candidatos que cursaram o ensino médio em escolas públicas. Segundo as reportagens publicadas na época, ela terminou em primeiro lugar nessa categoria para o curso escolhido no campus de Bauru.
Ana havia obtido média simples de 796,46 pontos nas cinco provas do Enem de 2024. A pontuação foi utilizada pela Fuvest no processo seletivo que abriu uma das portas de entrada para os cursos de graduação da Universidade de São Paulo.
Aprovação em Relações Internacionais veio no segundo ano
Antes de direcionar os estudos para Medicina, Ana Theresa havia conquistado uma aprovação em Relações Internacionais na Universidade Estadual do Maranhão. O resultado ocorreu quando ela ainda cursava o segundo ano do ensino médio.
Como ainda não havia concluído a educação básica, a estudante precisaria recorrer à Justiça para tentar assumir a vaga naquele momento. Ao conversar com a mãe sobre seus planos, decidiu não seguir esse caminho e passou a avaliar qual profissão realmente desejava exercer.
Ana contou que sonhava em ser médica desde a infância, mas começou a considerar Relações Internacionais após participar de simulações da Organização das Nações Unidas. Com o tempo, concluiu que gostava dos debates, porém não pretendia transformar aquela atividade em sua carreira.
Sonho de cursar Medicina mudou o planejamento da estudante
Depois de redefinir o objetivo, Ana precisou adaptar sua preparação ao nível de exigência dos vestibulares de Medicina. Ela já apresentava bom desempenho escolar, mas percebeu que as provas de ingresso cobravam uma estratégia diferente daquela utilizada nas avaliações regulares.
O planejamento passou a incluir revisão sistemática dos conteúdos, resolução de questões de edições anteriores e participação em simulados. A estudante também procurava identificar os assuntos nos quais apresentava maior dificuldade para levá-los aos professores.
A meta inicialmente mantida durante aquele ano era ingressar em Medicina na Universidade Federal do Maranhão. A USP não era considerada uma possibilidade concreta, e Ana afirmou que se inscreveu no Enem-USP sem imaginar que terminaria convocada.
Rotina de estudos começava às quatro horas da manhã
Nos meses finais da preparação, Ana acordava por volta das quatro horas e estudava até aproximadamente 11h. Depois do almoço, seguia para a escola, onde permanecia durante a tarde e aproveitava as aulas para apresentar dúvidas aos professores.
Ao sair da escola, por volta das 19h, ela seguia diretamente para um cursinho pré-vestibular noturno. As aulas terminavam perto das 21h40, e a estudante retornava para casa, jantava e se preparava para reiniciar a rotina na manhã seguinte.
A carga de preparação variava entre oito e dez horas diárias, além do período escolar e do cursinho. Nos fins de semana, parte do tempo era destinada à resolução de simulados, revisões e correção dos erros encontrados nas provas.
Cansaço e ansiedade marcaram o último ano escolar
A própria estudante descreveu o último ano como um período muito pesado. Em entrevista publicada após a aprovação, afirmou que dormia em média cinco horas por noite durante os meses mais intensos da preparação.
Além do cansaço, Ana enfrentava ansiedade e dúvidas sobre o resultado de todo aquele esforço. Em alguns momentos, questionava se a rotina extensa realmente seria suficiente para conquistar uma vaga em um curso com elevada concorrência.
O apoio recebido da família, dos amigos, dos professores e da equipe do cursinho ajudou a estudante a atravessar essa etapa. Após a divulgação do resultado, ela definiu a aprovação como o encerramento de um ano difícil, mas recompensado pela vaga conquistada.
Enem-USP utilizou as notas do exame de 2024
O Enem-USP 2025 foi organizado pela Fuvest para preencher 1.500 vagas regulares nos cursos de graduação da universidade. Diferentemente do vestibular tradicional da instituição, essa modalidade utilizou exclusivamente os resultados obtidos pelos candidatos no Enem de 2024.
A classificação considerou a ordem decrescente da pontuação, os pesos definidos para cada curso e a modalidade de concorrência escolhida pelo candidato. Os nomes foram convocados até o preenchimento do número de vagas estabelecido para cada curso e categoria.
Na primeira chamada, Ana apareceu à frente dos demais convocados para Medicina na unidade de Bauru. A lista oficial reuniu oito nomes para o curso naquele processamento, colocando a estudante maranhense na primeira posição apresentada pela Fuvest.
Escola pública acompanhou a trajetória desde 2018
Ana Theresa estudava desde 2018 no Colégio Militar 2 de Julho, instituição pertencente à rede pública estadual do Maranhão e coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar. Ela cursou os anos finais da educação básica na Unidade I, localizada em São Luís.
A estudante atribuiu parte do resultado ao acompanhamento recebido na escola. Segundo Ana, os professores permaneciam disponíveis para esclarecer dúvidas, enquanto a estrutura e o ambiente escolar favoreciam a preparação para as provas.
Amigos, integrantes da equipe pedagógica e profissionais ligados ao colégio também acompanharam o processo. A instituição divulgou a conquista como um resultado da combinação entre o desempenho individual da aluna e o apoio oferecido durante sua formação.
Família ajudou Ana a concentrar esforços no vestibular
Durante a etapa mais intensa, a família assumiu parte das responsabilidades cotidianas para que Ana pudesse concentrar seu tempo nos estudos. A estudante afirmou que recebeu ajuda prática e emocional para enfrentar a pressão criada pela rotina e pela proximidade das provas.
Uma das inspirações para escolher Medicina veio de Juliana Cavalcante, prima de Ana e formada no curso pela Universidade Federal do Maranhão. A jovem acompanhou a trajetória da familiar e passou a enxergar a profissão como uma forma de transformar a realidade das pessoas.
Ana também declarou que desejava ajudar a mãe, que estava desempregada quando a aprovação foi divulgada. A futura médica relacionou a escolha profissional à possibilidade de atender pacientes, apoiar a família e provocar mudanças concretas por meio do trabalho.
Aprovação exigiu mudança de São Luís para Bauru
A vaga conquistada pertence ao curso de Medicina oferecido em período integral no campus da USP em Bauru, no interior de São Paulo. A lista da Fuvest identifica a graduação como vinculada à Faculdade de Odontologia de Bauru.
Para iniciar a graduação, Ana precisaria deixar São Luís, afastar-se da família e aprender a administrar sozinha uma nova rotina. Ela relatou nervosismo diante da mudança, especialmente por ter acabado de concluir o ensino médio.
Ao mesmo tempo, a estudante considerava a experiência uma oportunidade de crescimento acadêmico e pessoal. Naquele momento, ainda não havia escolhido uma especialidade médica, mas afirmava que pretendia trabalhar com excelência e produzir impacto positivo na vida dos pacientes.
Primeiro lugar encerrou uma mudança iniciada anos antes
A trajetória até a USP não seguiu um planejamento definido desde o começo do ensino médio. Ana passou por uma aprovação antecipada em Relações Internacionais, reconsiderou a carreira e reorganizou completamente os estudos para disputar uma vaga em Medicina.
O resultado também superou as expectativas da própria candidata. Ela havia se inscrito no Enem-USP sem considerar a universidade uma opção provável e recebeu a notícia de que seu nome aparecia na primeira posição do curso escolhido.
Aos 18 anos, a aluna da rede pública concluiu o ensino médio com uma vaga em uma universidade localizada a milhares de quilômetros de sua cidade. A aprovação transformou um ano de aulas, cursinho, simulados e longas jornadas de preparação no início de sua formação médica.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

