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Antiga fábrica fantasma, que produzia televisores e componentes eletrônicos, está fechada há mais de uma década, mas cidade da França chama moradores para decidir o futuro do terreno
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 30/08/2026 às 18:51
Atualizado em 30/08/2026 às 19:26
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Fechado há mais de uma década, antigo complexo industrial da Thomson entra em nova fase na França, com consulta pública que permitirá aos moradores opinar sobre usos, circulação, áreas verdes e preservação da memória local
O antigo complexo industrial da Thomson, em Angers, no oeste da França, está sem atividade desde 2012 e agora será alvo de uma consulta cidadã organizada pela Angers Loire Métropole. A população poderá apresentar propostas para a reconversão da antiga fábrica antes da definição do futuro urbanístico da área.
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Antiga fábrica da Thomson permanece sem função há mais de uma década
A antiga fábrica da Thomson representa um dos vazios industriais deixados pelas mudanças ocorridas no setor de eletrônicos.
O complexo reúne galpões, pátios, torres de água e outras estruturas que permanecem sem função produtiva desde o fechamento, em 2012.
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O local fica em Angers, cidade do departamento de Maine-et-Loire, na região de Pays de la Loire. O município está localizado a cerca de 90 quilômetros a nordeste de Nantes e aproximadamente 300 quilômetros a sudoeste de Paris.
Durante o século XX, a indústria eletrônica e outras atividades de manufatura tiveram presença importante em áreas periféricas da cidade.
A Thomson integrava esse cenário como fabricante ligada ao setor de eletrônicos de consumo.
Posteriormente, a antiga companhia passou por mudanças e foi incorporada a estruturas empresariais que chegaram a utilizar nomes como Technicolor.
Paralelamente, suas plantas industriais enfrentaram um processo de redução relacionado à concorrência asiática e às mudanças tecnológicas nos aparelhos eletrônicos.
Com o encerramento das operações em Angers, o terreno passou a integrar o conjunto de antigas áreas industriais, conhecidas na França como “friches industrielles”, que permanecem esperando algum tipo de reconversão.
Essas áreas têm uma característica importante para o planejamento das cidades: embora estejam abandonadas, ocupam terrenos já urbanizados, próximos de vias, redes de infraestrutura e bairros existentes.
No caso da antiga fábrica da Thomson, mais de uma década se passou sem que o espaço recuperasse uma função permanente dentro da cidade.
Moradores poderão ajudar a decidir o futuro da antiga fábrica da Thomson
A Angers Loire Métropole prepara para o outono francês, período situado entre setembro e novembro, uma consulta pública destinada a discutir o futuro do complexo.
A proposta é ouvir os moradores antes da elaboração definitiva do projeto urbanístico para o terreno. O processo deverá incluir oficinas, reuniões públicas, plataformas digitais e outros meios para recebimento de contribuições.
Entre os temas que poderão aparecer nas discussões estão usos para o terreno, circulação, áreas verdes e formas de preservar a memória da atividade industrial que marcou o local.
A principal diferença do processo está justamente na ordem escolhida. Em vez de apresentar aos moradores um projeto totalmente definido, a administração metropolitana pretende realizar a consulta antes de fechar o destino do espaço.
O jornal Ouest-France antecipou informações sobre o calendário planejado pela Angers Loire Métropole e destacou que essa etapa de concertação deverá ocorrer antes da definição do projeto urbanístico final.
Isso significa que ainda não existe uma destinação definitiva anunciada para o complexo.
Habitação, lazer, equipamentos públicos, novas atividades econômicas e preservação de elementos relacionados à antiga fábrica aparecem entre as possibilidades mencionadas, mas nenhuma delas foi definida antecipadamente como solução final.
Também não foram informados oficialmente a metragem total do terreno, o custo de uma futura intervenção ou um projeto arquitetônico vencedor.
Reconversão busca aproveitar área que já faz parte da cidade
A transformação da antiga fábrica da Thomson está inserida em uma discussão mais ampla sobre o reaproveitamento de áreas industriais desativadas.
No caso de Angers, o terreno não está isolado do desenvolvimento urbano. Ele permanece inserido em uma região com bairros, infraestrutura e circulação cotidiana de moradores.
Por isso, a reconversão pode permitir que uma área já urbanizada ganhe novas funções, em vez de permanecer fechada e sem atividade.
A metrópole também relaciona esse tipo de reaproveitamento à intenção de reduzir a expansão urbana sobre novas áreas no Vale do Loire, região ligada ao patrimônio e ao turismo.
A lógica apresentada é utilizar novamente terrenos que já fazem parte do tecido construído da cidade.
Projetos franceses de transformação de antigas áreas industriais podem combinar diferentes funções, como moradia, espaços verdes, equipamentos e atividades econômicas. Em Angers, porém, a composição específica ainda dependerá da fase de consulta.
A participação pública também abre espaço para moradores próximos, antigos trabalhadores da Thomson e pessoas que circulam diariamente pela região apresentarem percepções sobre necessidades locais e sobre elementos históricos que consideram importantes preservar.
Consulta será o primeiro passo antes da definição das obras
A abertura da participação popular não significa que as obras começarão imediatamente.
O processo descrito para áreas desse tipo envolve diferentes etapas, que podem incluir avaliação do terreno e das construções existentes, consulta pública, planejamento urbanístico e, posteriormente, intervenções físicas.
Em Angers, a etapa atualmente anunciada é justamente a escuta dos habitantes.
Por isso, ainda não há informações confirmadas sobre valores de investimento, número de futuras moradias, quantidade de empregos que poderiam ser criados ou prazo definitivo para conclusão da transformação.
Também não existem, no material disponível, dados oficiais sobre quantos trabalhadores perderam seus empregos no encerramento da fábrica em 2012.
A ausência dessas definições faz parte do próprio formato escolhido pela Angers Loire Métropole. A administração quer reunir contribuições antes de estabelecer como o terreno será ocupado.
Mais de dez anos depois do encerramento das atividades da Thomson, a área entra, portanto, em uma nova etapa.
Os galpões e pátios que permaneceram ligados à memória industrial da cidade passam agora ao centro de uma discussão pública sobre uso do solo, mobilidade, áreas verdes, novos equipamentos e preservação de elementos históricos.
A consulta prevista para o outono francês deverá indicar quais propostas receberam maior atenção dos moradores e quais diretrizes poderão ser levadas para as etapas seguintes do planejamento.
Até lá, o antigo complexo continua sem função definida, mas passa de uma área industrial simplesmente abandonada para um espaço cujo futuro será discutido com participação direta da população.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Angers Loire Métropole e do Ouest-France, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.diariodolitor
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

