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Mulher de 77 anos entra em carro após ouvir história de bilhete premiado, passa cinco horas sendo levada de banco em banco e perde R$ 13,4 mil antes da filha perceber o golpe
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 30/08/2026 às 18:42
Atualizado em 30/08/2026 às 18:43
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Idosa foi abordada em Santa Catarina, entrou no veículo dos suspeitos e teve até a própria biometria facial usada para contratar crédito durante o golpe
Uma abordagem aparentemente inocente terminou em cinco horas de pressão psicológica, visitas a diferentes bancos e um prejuízo de R$ 13.477,53 para uma mulher de 77 anos em Santa Catarina. O caso começou com uma história conhecida, a do falso bilhete premiado, mas ganhou contornos bem mais sofisticados.
Durante a ação, os suspeitos não se limitaram a convencer a vítima a sacar dinheiro. Segundo a investigação, eles teriam usado a biometria facial da própria idosa para contratar crédito e instalado um aplicativo no celular que permitia acesso remoto ao aparelho.
Tudo começou com uma mulher dizendo estar perdida
O golpe aconteceu em junho de 2026, no bairro Vila Nova, em Joinville, no Norte de Santa Catarina. De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil, uma mulher se aproximou da vítima dizendo estar perdida e, durante a conversa, apresentou a história de que possuía um bilhete de loteria supostamente premiado.
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Pouco depois, um homem bem vestido apareceu no local e se ofereceu para ajudar. Para a vítima, ele parecia ser apenas mais uma pessoa envolvida por acaso na situação. Para os investigadores, porém, sua presença fazia parte da encenação montada pelo grupo.
Com a promessa de receber parte do suposto prêmio, a mulher de 77 anos acabou entrando no carro dos suspeitos.
Cinco horas circulando entre bancos
A partir daquele momento, a situação deixou de ser apenas uma conversa na rua. A idosa passou aproximadamente cinco horas sob vigilância e forte pressão psicológica, enquanto era levada a diferentes instituições financeiras.
Nesse período, foram realizadas operações bancárias que resultaram em um prejuízo de R$ 13.477,53. Parte das movimentações envolveu saques e contratação de crédito.
Um dos detalhes que mais chamou atenção na investigação foi justamente o uso de biometria facial da vítima para liberar uma operação de crédito. Ou seja, os criminosos teriam utilizado um mecanismo criado para aumentar a segurança bancária como parte da própria fraude.
Os nomes dos bancos envolvidos e os valores individuais de cada operação não foram divulgados até o momento.
Aplicativo teria dado acesso remoto ao celular
O grupo também teria usado tecnologia para ampliar o controle sobre as contas da mulher. Segundo a Polícia Civil, um aplicativo malicioso foi instalado no celular da vítima, permitindo acesso remoto ao aparelho.
O nome do programa não foi divulgado. A investigação também não informou exatamente quais operações foram realizadas por meio desse acesso, mas o recurso teria facilitado a tentativa de movimentar ainda mais dinheiro.
E o prejuízo poderia ter sido muito maior. Além dos R$ 13,4 mil efetivamente perdidos, os suspeitos teriam tentado realizar compras e novos empréstimos que, somados, ultrapassariam R$ 50 mil.
Filha percebeu movimentações estranhas e bloqueou cartões
A sequência começou a desmoronar quando a filha da vítima percebeu movimentações financeiras fora do padrão nas contas da mãe.
Ela conseguiu bloquear os cartões e entrou em contato com a idosa. Quando os envolvidos perceberam que as contas já não poderiam continuar sendo utilizadas da mesma maneira, a ação foi interrompida.
Os suspeitos fugiram levando o dinheiro que já havia sido sacado. Até as informações divulgadas após a operação policial, não havia confirmação de que os R$ 13.477,53 haviam sido recuperados.
Polícia chegou a três irmãos
As investigações apontaram para três irmãos, dois homens e uma mulher, naturais de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que estariam vivendo em Camboriú, Santa Catarina.
Segundo a Polícia Civil, foram encontrados indícios de que o trio poderia ter envolvimento em outros golpes semelhantes praticados em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O número total de possíveis vítimas, entretanto, ainda não foi divulgado.
O avanço da apuração levou à Operação Negócio de Família, realizada em 28 de agosto de 2026 pela Delegacia de Combate a Estelionatos de Joinville.
Operação teve prisões e 11 mandados de busca
A Justiça expediu três mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão. As diligências foram realizadas em Camboriú, em Santa Catarina, e também em Passo Fundo e Erechim, no Rio Grande do Sul.
Os três irmãos foram presos preventivamente e encaminhados ao sistema penitenciário, permanecendo à disposição da Justiça.
Os nomes dos investigados não foram divulgados nas informações públicas consultadas, assim como não foi confirmado o valor total eventualmente movimentado pelo grupo em outros casos.
Golpe antigo agora usa tecnologia moderna
O chamado golpe do bilhete premiado existe há décadas e normalmente depende de uma encenação relativamente simples: alguém afirma possuir um prêmio de loteria, um segundo criminoso aparece para dar credibilidade à história e a vítima é convencida a entregar dinheiro como garantia.
O caso de Joinville mostra, porém, uma evolução do método. Além da manipulação presencial, os investigados teriam utilizado biometria facial, contratação digital de crédito e acesso remoto ao celular.
Por isso, a orientação das autoridades continua sendo desconfiar de desconhecidos que ofereçam vantagens financeiras inesperadas, especialmente quando pedem saques, transferências, empréstimos ou acesso ao celular.
No caso da mulher de 77 anos, a percepção da filha impediu que o prejuízo, já superior a R$ 13 mil, pudesse ultrapassar a barreira dos R$ 50 mil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

