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Antigos mineiros que antes operavam máquinas para retirar carvão voltaram às áreas de extração, mas agora para recuperar 3.700 hectares, fechar 58 acessos e ajudar no plantio de 1,4 milhão de mudas
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 03/08/2026 às 18:06
Meio Ambiente
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O plano espanhol de recuperação ambiental destinou quase 200 milhões de euros às antigas minas de carvão, priorizou antigos mineiros nas obras e prevê recuperar rios, retirar resíduos, fechar acessos perigosos e devolver vegetação aos terrenos degradados, criando condições para atividades rurais, turísticas e florestais nas regiões que perderam a extração de carvão.
Antigos mineiros que antes operavam máquinas para retirar carvão voltaram às áreas de extração com outra missão. Agora, eles participam da recuperação dos terrenos, da remoção de resíduos, do fechamento de acessos de minas e do plantio de vegetação em antigas regiões carboníferas da Espanha.
As informações foram divulgadas pelo Ministry for Ecological Transition and Demographic Challenge, ministério responsável pela política ambiental espanhola. Em maio de 2023, sete grandes obras estavam em andamento, enquanto os principais números ambientais representavam metas previstas pelo plano.
O Plano de Restauração Ambiental, lançado em 2022, recebeu quase 200 milhões de euros para recuperar mais de 3.700 hectares. Desse valor, 150 milhões de euros vieram do Plano de Recuperação espanhol.
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Minas fechadas em 2018 deixaram terrenos degradados e acessos que ainda precisavam ser protegidos
Parte das obras concentrou esforços em minas fechadas em 2018. Algumas pertenciam a empresas falidas que não haviam cumprido a obrigação de recuperar os terrenos depois do encerramento da extração de carvão.
Sem uma intervenção pública, as comunidades locais permaneceriam cercadas por passivos ambientais, nome utilizado para identificar os danos e resíduos deixados por uma atividade econômica. O problema incluía terrenos alterados, depósitos de materiais, drenagem comprometida e entradas de minas que ainda ofereciam riscos.
As comunidades participaram da elaboração de novos usos para os espaços recuperados. A intenção era combinar reparação ambiental, geração de trabalho e novas atividades econômicas nas regiões afetadas pelo fim da mineração.
Sete grandes obras previam criar 350 empregos diretos com prioridade para antigos mineiros
O cronograma apresentado em maio de 2023 previa três anos de trabalho e a criação de 350 empregos diretos nas regiões carboníferas. A contratação dava prioridade aos antigos mineiros, permitindo que o conhecimento adquirido na extração fosse aplicado na recuperação do próprio território.
Esses trabalhadores estavam acostumados a operar máquinas pesadas, reconhecer terrenos instáveis e trabalhar perto de taludes, que são encostas formadas durante a retirada de terra. Também conheciam os riscos encontrados em galerias e outros espaços subterrâneos.
A mudança convertia parte dos empregos ligados ao carvão em trabalhos de recuperação ambiental. O conhecimento dos acessos e das condições do terreno ajudava na execução de serviços que exigiam atenção constante à segurança.
Recuperação das minas deve reduzir impactos sobre 21 quilômetros de cursos de água
Entre as metas estava a redução dos impactos da mineração sobre mais de 21 quilômetros de rios, córregos e outros cursos de água. O trabalho também previa proteger 10.000 metros quadrados dessas áreas e recuperar a capacidade de drenagem.
O Ministry for Ecological Transition and Demographic Challenge, ministério responsável pela política ambiental espanhola, detalhou a previsão de retirar 254.000 metros cúbicos de lama e materiais acumulados durante a recuperação.
As obras também deveriam proteger os aquíferos contra a entrada de contaminantes. Aquíferos são reservas de água encontradas abaixo do solo e podem ser afetadas quando a água atravessa terrenos carregados de resíduos.
Fechamento de 58 acessos deve ampliar a segurança para moradores e animais
A quantidade de resíduos acumulados mostra o tamanho da recuperação necessária. O plano estimava administrar 930 toneladas de pneus, 355 metros cúbicos de materiais potencialmente perigosos e 6.600 metros cúbicos de resíduos não perigosos.
Outra frente previa tratar e limpar 182 hectares de florestas para aumentar a proteção contra incêndios. O cronograma também incluía o fechamento de 58 acessos de minas, reduzindo o risco de entrada de moradores e animais em áreas perigosas.
Esses números eram metas das obras que estavam em andamento em maio de 2023. Eles não representavam todos os serviços como concluídos, pois a recuperação exigia intervenções em diferentes regiões e terrenos.
Plantio de 1,4 milhão de mudas deve devolver vegetação às antigas áreas de carvão
O plano previa plantar 1,4 milhão de mudas e formar pastagens em 780 hectares. Outros 5 milhões de metros quadrados receberiam hidrossemeadura, técnica que espalha sementes e água sobre o solo para favorecer o nascimento da vegetação.
Mais de 500 hectares de novas pastagens poderiam atender atividades de pecuária extensiva e sustentável. Parte das áreas florestais também seria preparada para trabalhos ligados ao manejo responsável da vegetação.
Agricultura, criação de animais, apicultura, turismo rural e atividades florestais estavam entre os novos usos considerados. A recuperação também previa criar e manter mais de 49 quilômetros de caminhos para veículos, melhorando o acesso aos terrenos.
Na região de El Bierzo, na província de León, a antiga mina Gran Corta de Fabero passava pela recuperação de 700 hectares. O projeto incluía vegetação nativa, pastagens, trilhas, áreas de lazer e um espaço ligado ao estudo dos fósseis encontrados durante as escavações.
O plano espanhol mostra que o fechamento de uma mina não termina quando a retirada do carvão é interrompida. O terreno, a água, a vegetação e os acessos subterrâneos ainda precisam de reparos para que a área possa ser utilizada com segurança.
Em maio de 2023, as grandes obras continuavam em execução. O investimento de quase 200 milhões de euros unia recuperação ambiental e geração de empregos, enquanto antigos mineiros utilizavam sua experiência para reparar os danos deixados pela própria mineração.
Quem trabalhou na mineração deve receber prioridade para recuperar os danos deixados por essa atividade e ajudar a construir novos caminhos econômicos para essas regiões? Comente e compartilhe.
Fonte
Transicion Justa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

