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Aos 16 anos, estudante brasileira conquista vaga entre cerca de 5 mil jovens de 23 países e deixa a sala de aula para cruzar o Oceano Ártico a bordo de um gigantesco quebra-gelo nuclear em uma expedição científica rumo ao Polo Norte
Escrito por Ana Alice
Publicado em 11/08/2026 às 17:42
Atualizado em 11/08/2026 às 17:52
Ciência e Tecnologia
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Aos 16 anos, Júlia Passarini saiu das olimpíadas de matemática para uma expedição científica internacional que reúne jovens de 23 países a bordo de um quebra-gelo nuclear rumo ao Polo Norte.
Aos 16 anos, Júlia Passarini deixou temporariamente a rotina escolar no Brasil para embarcar em uma viagem que poucos estudantes terão oportunidade de fazer: atravessar o Oceano Ártico a bordo de um quebra-gelo de propulsão nuclear com destino ao Polo Norte.
A brasileira está entre os participantes da sétima edição do Quebra-Gelo do Conhecimento, iniciativa científica e educacional promovida com apoio da estatal russa Rosatom.
A expedição partiu de Murmansk, no norte da Rússia, em 4 de agosto de 2026.
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O roteiro prevê a passagem pelo Polo Norte geográfico e pela Terra de Francisco José antes do retorno à cidade russa.
A viagem deve durar aproximadamente dez dias.
Para chegar ao navio, Júlia precisou atravessar uma seleção internacional que recebeu cerca de 5 mil inscrições de estudantes de 23 países.
Em junho, a Rosatom informou que dez finalistas de cada país avançaram à etapa criativa antes da definição dos representantes que embarcariam.
“Vou me lembrar deste dia para sempre. Neste momento, são muitas emoções: alegria, ansiedade, entusiasmo e uma enorme vontade de partir logo nessa viagem”, afirmou Júlia antes do embarque, em depoimento divulgado pela Rosatom América Latina.
Expedição ao Polo Norte terá dez dias no Oceano Ártico
O navio escolhido para a missão é o 50 Let Pobedy, ou “50 Anos da Vitória”, integrante da frota de quebra-gelos nucleares operada pela Atomflot, subsidiária da Rosatom.
Em vez de depender apenas de motores convencionais para atravessar regiões cobertas por gelo, o navio utiliza propulsão nuclear, tecnologia empregada pela Rússia em sua frota especializada para operações no Ártico.
A própria Rosatom informa que a Rússia permanece como o único país do mundo com uma frota de quebra-gelos movidos a energia nuclear.
Para Júlia e os demais participantes, contudo, o navio funciona também como uma espécie de sala de aula em movimento.
Durante a expedição, os estudantes participam de palestras, atividades práticas, encontros com especialistas e experiências voltadas às ciências naturais e às tecnologias nucleares.
Também podem conhecer de perto o funcionamento do quebra-gelo e observar como uma embarcação desse porte consegue operar em uma região onde grandes extensões do oceano permanecem cobertas por gelo durante parte do ano.
Seleção internacional reuniu jovens de 23 países
A edição de 2026 ampliou o alcance internacional do programa.
A Rosatom informou que aproximadamente 5 mil estudantes de 23 países participaram da seleção aberta para a expedição.
Os candidatos tinham entre 14 e 16 anos.
Na composição final da viagem, há estudantes da Rússia e de outros 22 países, incluindo a representante brasileira.
O Ministério dos Transportes da Rússia confirmou que a sétima expedição reuniu alunos de diferentes regiões russas e jovens estrangeiros selecionados em competições e programas educacionais.
O processo não se limitou a uma inscrição seguida de sorteio.
Os candidatos passaram por etapas relacionadas a conhecimentos científicos, tecnologia e temas gerais, participaram de atividades educativas e, na fase decisiva, precisaram apresentar um trabalho criativo.
No caso da seleção internacional, o desafio final envolvia mostrar como as tecnologias nucleares estão mudando o mundo atualmente.
Júlia Passarini apresentou projeto sobre tecnologia nuclear
Foi nessa etapa que Júlia conquistou a vaga destinada ao Brasil.
Seu projeto tratou de diferentes usos da tecnologia nuclear e procurou mostrar que sua aplicação não se restringe à geração de eletricidade.
A estudante abordou áreas como medicina, pesquisa científica, indústria e preservação ambiental, temas que ela passou a conhecer melhor durante o próprio processo seletivo.
Antes da viagem, Júlia contou que o contato com o assunto havia ampliado sua percepção sobre o setor.
Ela já pretendia seguir uma trajetória ligada às ciências exatas e afirmou que a seleção aumentou seu interesse pelas possibilidades profissionais relacionadas às tecnologias nucleares.
A expedição acrescenta uma dimensão prática a esse aprendizado.
Em edições anteriores, os participantes acompanharam palestras de pesquisadores, engenheiros e divulgadores científicos, fizeram experimentos e tiveram contato direto com sistemas e equipamentos utilizados em condições polares.
Medalhas em olimpíadas de matemática marcaram trajetória de Júlia
A seleção para o Polo Norte não foi o primeiro resultado acadêmico de Júlia.
Seu nome já aparecia em competições nacionais de matemática antes da viagem ao Ártico.
Na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) de 2024, Júlia de Oliveira Bernardo Passarini conquistou medalha de ouro entre estudantes de escolas privadas participantes da competição.
No mesmo ano, obteve medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), de acordo com o resultado oficial divulgado pela organização.
Outro passo veio em 2025.
Júlia foi uma das quatro estudantes escolhidas para representar o Brasil na quinta edição da Olimpíada Pan-Americana de Matemática para Meninas, realizada em Fortaleza.
O resultado oficial registra medalha de prata para as quatro integrantes brasileiras, incluindo Júlia.
Essas competições ajudam a explicar por que a viagem ao Ártico não surgiu isoladamente em sua trajetória.
Antes de entrar no quebra-gelo, a adolescente já acumulava experiências em provas que exigem raciocínio matemático e resolução de problemas.
De olimpíadas de matemática para um quebra-gelo nuclear
Há uma diferença considerável, porém, entre resolver uma questão em uma competição e acompanhar ciência dentro de um navio que avança sobre o gelo marinho.
É justamente esse contraste que transforma a viagem em uma experiência incomum.
A bordo, Júlia terá contato com estudantes que passaram por seleções semelhantes em diferentes países e com especialistas convidados para atividades científicas e educacionais.
A programação apresentada pela Rosatom inclui conteúdos sobre energia, engenharia, logística, medicina, ecologia, materiais e pesquisas realizadas no Ártico.
Ao mesmo tempo, os participantes acompanham a própria operação da embarcação.
O 50 Anos da Vitória já foi utilizado em edições anteriores do Quebra-Gelo do Conhecimento e faz parte da estrutura da Atomflot para navegação em águas árticas.
O percurso de 2026 segue de Murmansk ao Polo Norte, passa pela Terra de Francisco José e retorna à cidade de partida.
Brasil participa da expedição pelo segundo ano consecutivo
Júlia não é a primeira estudante brasileira a embarcar no projeto.
Em 2025, Octávio Gomes Falcão Leal, então com 16 anos e morador do Rio de Janeiro, tornou-se o primeiro representante brasileiro selecionado para a expedição da Rosatom ao Polo Norte.
Naquele ano, a viagem reuniu dezenas de estudantes de diferentes países a bordo do mesmo quebra-gelo.
Depois de participar da expedição, Octávio compartilhou a experiência com colegas, e o interesse pelo tema também esteve relacionado a uma visita educacional às usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2.
Com Júlia na edição de 2026, o Brasil passa a ter representantes no programa pelo segundo ano seguido.
O projeto, por sua vez, chegou à sétima temporada.
Ao longo das seis primeiras edições, mais de 400 estudantes participaram das expedições árticas organizadas com apoio da Rosatom.
Polo Norte também se transforma em laboratório científico
A viagem não é organizada como uma excursão turística convencional.
Nas edições anteriores, o ambiente ártico foi utilizado para atividades científicas que dificilmente poderiam ser reproduzidas em uma escola.
Em 2025, por exemplo, participantes montaram modelos simplificados de veículos robóticos e acompanharam testes no Polo Norte realizados com especialistas da Rosatom e da agência espacial russa Roscosmos.
Os equipamentos simulavam plataformas que poderiam ser usadas para exploração geológica em corpos congelados do Sistema Solar.
Também houve aulas sobre tecnologia de reatores, materiais avançados e funcionamento de quebra-gelos.
Assim, o gelo, as baixas temperaturas e a localização extrema deixam de ser apenas cenário e passam a integrar parte da experiência educacional.
Na edição atual, a proposta segue a mesma linha de aproximar estudantes de pesquisadores, aplicações tecnológicas e situações que normalmente seriam conhecidas apenas por livros, vídeos ou laboratórios convencionais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

