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Uma rodovia está no caminho de 20,8 toneladas de ouro: BR-226 será deslocada no Nordeste para destravar mina de R$ 1 bilhão e ampliar reservas em 82%
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 11/08/2026 às 17:38
Atualizado em 11/08/2026 às 17:51
Mineração
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Mudança no traçado da estrada federal permitirá expandir a cava do Projeto Borborema, elevar as reservas lavráveis e manter a operação durante mais de 20 anos
Uma rodovia federal que atravessa a zona rural de Currais Novos, no interior do Rio Grande do Norte, ganhará um novo traçado para liberar uma área rica em ouro.
A mudança atingirá um trecho da BR-226 que atualmente divide o terreno do Projeto Borborema, empreendimento mineral que recebeu aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos.
Com a retirada dessa barreira, a empresa poderá abrir uma nova frente de lavra e acessar reservas estimadas em 670 mil onças troy de ouro.
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O volume corresponde a aproximadamente 20,8 toneladas do metal precioso e representa um crescimento de 82% sobre a estimativa anterior de reservas lavráveis.
Acordo permitirá deslocar trecho da BR-226
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) firmou um acordo com a Cascar Brasil Mineração Ltda. para alterar o traçado da rodovia.
A Cascar é a subsidiária brasileira da Aura Minerals responsável pelo Projeto Borborema, voltado à extração de ouro no Seridó potiguar.
Pelos termos do acordo, a companhia assumirá a elaboração dos projetos, o financiamento das obras e as despesas relacionadas às indenizações.
A empresa também ficará responsável pelos custos ambientais necessários para executar a intervenção e transferir o trecho da rodovia.
A alteração permitirá ampliar a área de extração sem transferir os custos da obra para o orçamento público.
Rodovia limitava o avanço da mina de ouro
Um relatório técnico da companhia apontou que a rodovia pavimentada representava uma das principais limitações do planejamento anterior.
A presença da BR-226 impedia o avanço da cava sobre parte do depósito mineral identificado pelos levantamentos realizados na região.
O principal depósito está localizado na Fazenda São Francisco, aproximadamente 28 quilômetros a leste da sede de Currais Novos.
A área possui cerca de 735 hectares e é dividida pela rodovia federal. A parte norte reúne 586 hectares, enquanto o setor sul possui 149 hectares.
O novo traçado permitirá integrar essas áreas ao planejamento operacional e aproveitar uma parcela maior do ouro encontrado no subsolo.
Reservas lavráveis aumentarão em 82%
Com a mudança, a estimativa de reservas lavráveis sobe para aproximadamente 670 mil onças troy, equivalentes a 20,8 toneladas de ouro.
O aumento chega a 82% na comparação com a base de reservas considerada anteriormente pela companhia.
Os números também levam o empreendimento a 1,48 milhão de onças de reservas prováveis.
Esse volume equivale a cerca de 46 toneladas de ouro contido, com teor médio de 1,13 grama do metal por tonelada de minério.
A companhia chegou às estimativas após analisar uma extensa base de exploração mineral.
Os estudos consideraram 1.370 furos de sondagem e mais de 74 mil intervalos de amostras coletadas na área do projeto.
Projeto recebeu investimento bilionário
O Projeto Borborema opera como uma mina a céu aberto e concentra investimentos próximos de R$ 1 bilhão em sua infraestrutura.
Na fase de plena capacidade, a unidade poderá produzir aproximadamente 83 mil onças de ouro por ano.
O novo plano de lavra estima uma vida útil de cerca de 20 anos e cinco meses, considerando a exploração a céu aberto.
A recuperação metalúrgica média prevista alcança 92,1%. Isso significa que, a cada 100 unidades de ouro presentes no minério, aproximadamente 92 poderão ser recuperadas.
A capacidade de aproveitamento será determinante para transformar as reservas existentes em produção comercial durante as próximas duas décadas.
Estudo considera valorização do ouro
As projeções econômicas adotam um preço médio de US$ 2.274 por onça de ouro durante os anos de operação.
O estudo também utiliza uma taxa de câmbio de referência de R$ 5,70 por dólar a partir de 2025.
Com essas premissas, a taxa interna de retorno após os impostos foi estimada em 42,8%.
O resultado indica a expectativa de rentabilidade do projeto diante dos custos de implantação, processamento e operação da mina.
Produção comercial começou em 2025
A mina iniciou sua produção comercial em 23 de setembro de 2025, depois de aproximadamente 19 meses de construção.
Durante o primeiro semestre de 2026, a unidade produziu 31.352 GEO, conforme os resultados divulgados pela companhia.
GEO é a sigla em inglês para onça equivalente de ouro. A unidade permite converter a produção de diferentes metais para um valor equivalente em ouro.
O resultado corresponde a aproximadamente 975 quilos em equivalente de ouro produzidos no período.
A ampliação possibilitada pelo deslocamento da BR-226 poderá elevar a escala da operação e prolongar o aproveitamento do depósito.
Municípios receberão participação sobre a exploração
O crescimento da produção também poderá aumentar a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
A Agência Nacional de Mineração recolhe a compensação, cuja alíquota aplicada ao ouro corresponde a 1,5%.
Do valor distribuído aos entes federativos, 60% ficam com o município produtor e 15% seguem para o estado onde ocorre a extração.
Outros 15% são destinados aos municípios afetados pela atividade mineral, mesmo quando a produção não acontece dentro de seus territórios.
Os 10% restantes ficam com a União e são repartidos entre diferentes órgãos e entidades federais.
Desde julho, a agência implementa a Plataforma de Gestão de Recursos Minerais para digitalizar o recolhimento da CFEM.
A ferramenta deve ampliar a rastreabilidade das operações ao reunir informações individualizadas sobre vendas, consumo e exportações de recursos minerais.
Com R$ 1 bilhão em investimentos, reservas ampliadas e uma operação prevista para superar duas décadas, o Projeto Borborema poderá mudar a mineração no Seridó potiguar.
Na sua opinião, o deslocamento de uma rodovia federal se justifica diante do potencial econômico e da geração de receitas proporcionados pela mina de ouro?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

