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Aos 46 anos, mulher larga bom emprego, entrega o dinheiro que restava à filha de 18 anos, fecha a conta bancária e passa a viver sem dinheiro, construindo abrigo com materiais descartados
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 07/08/2026 às 08:45
Atualizado em 07/08/2026 às 08:46
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Após abandonar o emprego em 2015, Jo Nemeth entregou o restante do dinheiro à filha, fechou a conta bancária e reorganizou a vida para reduzir consumo, usando cultivo, trocas, trabalho doméstico e materiais reciclados diariamente
Aos 46 anos, Jo Nemeth deixou um bom emprego na área de desenvolvimento comunitário, entregou o dinheiro que ainda tinha à filha de 18 anos e fechou sua conta bancária. A decisão ocorreu em 2015 e iniciou uma experiência que, quando relatada pelo The Guardian no fim de 2025, já durava cerca de uma década.
Decisão de viver sem dinheiro começou em 2015
Nemeth tinha emprego, uma companheira que amava e uma vida que considerava privilegiada, mas afirmou que estava profundamente infeliz e cada vez mais incomodada com o sistema econômico e com os impactos de seu consumo sobre outras pessoas e o planeta.
A inspiração veio inicialmente de um livro sobre pessoas que adotavam estilos de vida alternativos, presente dos pais, agricultores aposentados acostumados a uma rotina frugal.
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Pouco depois, ela encontrou o livro “O Homem Sem Dinheiro: Um Ano de Vida Sem Economias”, de Mark Boyle, que havia vivido sem dinheiro durante três anos no Reino Unido. Nemeth decidiu tentar uma experiência semelhante.
O primeiro passo foi listar aquilo de que realmente precisava. Como já possuía utensílios básicos, incluindo panelas, frigideiras e escova de dentes, percebeu que a relação era curta.
A partir daí, passou a procurar maneiras de atender essas necessidades sem dinheiro e tentando reduzir os impactos negativos associados ao consumo.
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Materiais descartados viraram pequeno abrigo
Nos primeiros anos após abandonar o emprego, Nemeth viveu na fazenda de um amigo. No local, construiu um pequeno barraco utilizando materiais de construção descartados.
Também cuidou de casas de outras pessoas e passou um período vivendo isolada em um pequeno trailer azul instalado no quintal de outro amigo.
A alimentação, inicialmente sua principal preocupação, acabou sendo uma necessidade relativamente simples de resolver. Nemeth cultivava parte do que consumia e recebia de amigos alimentos que eles não utilizariam.
Em 2018, três anos depois da mudança iniciada aos 46 anos, ela passou a morar em tempo integral na casa de Sharon Brodie.
Em 2025, rotina continuava sem conta bancária ou economias
Quando o The Guardian relatou sua história no fim de 2025, Nemeth estava com 56 anos, solteira e continuava sem casa ou propriedade em seu nome. Também não recebia auxílio social e não mantinha economias ou uma reserva financeira para emergências.
A casa onde vivia havia se transformado em uma residência multigeracional. Além de Nemeth e Brodie, estavam no imóvel o novo parceiro de Brodie, um de seus filhos, Amy, filha de Nemeth, o marido dela e os três filhos pequenos do casal.
Nemeth não pagava aluguel em dinheiro. Em troca, cozinhava, limpava, cuidava da horta e produzia itens como sabão, detergente em pó e alimentos fermentados, atividades que ajudavam a reduzir gastos da família.
Viver sem dinheiro não significou abandonar tecnologia
Nemeth continuava utilizando um celular recebido de uma amiga, embora sem plano ou chip. Ligações, mensagens e e-mails eram feitos por meio da rede Wi-Fi da casa.
Ela também utilizava o Facebook, principalmente para acessar grupos do movimento Buy Nothing e divulgar a horta comunitária de Lismore, onde trabalhava como voluntária.
Sem carro, seus deslocamentos eram feitos de bicicleta, a pé ou de carona.
Na época da reportagem, Nemeth também reformava, com materiais de construção reciclados, um pequeno espaço no quintal onde pretendia dormir.
O local teria apenas espaço para uma cama de solteiro e para ficar em pé, sem eletricidade ou água encanada.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do The Guardian, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.theguardian.c
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

