MG
5 min de leitura
Aos 50 anos, homem que passou anos como andarilho chega sem casa a Belo Horizonte, usa R$ 45 dos R$ 77 que recebia do Bolsa Família para comprar uma apostila e estuda apenas 15 dias: Jusair passou no concurso público e agora trabalha no maior pronto-socorro de Minas Gerais
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 10/08/2026 às 13:25
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Jusair Santos da Silva passou 15 anos como andarilho, chegou a Belo Horizonte em situação de rua e, aos 50 anos, usou R$ 45 do Bolsa Família para comprar uma apostila, estudou 15 dias e terminou em 20º lugar em seleção para trabalhar no Hospital João XXIII.
Aos 50 anos, Jusair Santos da Silva conseguiu transformar apenas 15 dias de preparação em uma colocação que mudou sua rotina. Natural de Paracatu, em Minas Gerais, ele havia passado cerca de 15 anos como andarilho e chegou a viver nas ruas de Belo Horizonte antes de conseguir acolhimento e disputar uma vaga de auxiliar de serviços de limpeza e conservação de ambientes da Minas Gerais Administração e Serviços, a MGS.
Com pouco dinheiro disponível, Jusair gastou R$ 45 dos R$ 77 que recebia mensalmente do Bolsa Família para comprar uma apostila. Estudou em biblioteca pública, terminou o processo seletivo na 20ª colocação e conseguiu trabalho na limpeza da cozinha do Hospital João XXIII, instituição oficialmente descrita pelo Governo de Minas como o maior pronto-socorro do estado.
Jusair passou cerca de 15 anos como andarilho antes de chegar a Belo Horizonte
Jusair nasceu em Paracatu e, segundo o relato publicado pelo UOL em 2015, passou aproximadamente 15 anos vivendo como andarilho depois de se separar da esposa. Durante esse período, conseguia sustento com trabalhos que apareciam pelo caminho.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Em determinado momento dessa trajetória, chegou a Belo Horizonte e passou a viver nas ruas da capital mineira. Posteriormente, conseguiu acolhimento na República Professor Fábio Alves, administrada pela Arquidiocese de Belo Horizonte.
Foi durante essa etapa de reorganização da vida que apareceu a oportunidade de participar da seleção da MGS. A empresa fornece trabalhadores para diferentes serviços ligados ao setor público mineiro, e o cargo disputado por Jusair era de auxiliar de serviços de limpeza e conservação de ambientes.
Ensino médio havia sido concluído em 1983
Jusair não começou os estudos do zero quando decidiu disputar a vaga. Ele havia concluído o ensino médio em 1983 e também cursado três períodos de Letras, embora não tivesse terminado a graduação.
Depois desse período, ficou muitos anos afastado do ensino formal. Mesmo assim, contou que continuava lendo jornais e livros, hábito que acabou sendo importante quando precisou retomar conteúdos em pouco tempo para enfrentar a prova.
A oportunidade da MGS exigiria uma preparação muito diferente da leitura cotidiana. Jusair soube da seleção quando faltavam apenas duas semanas para o exame e decidiu utilizar praticamente todo o período disponível para estudar.
Inscrição aconteceu apenas 15 dias antes da prova
Segundo o UOL, Jusair se inscreveu 15 dias antes da realização da prova. Era esse o intervalo que teria para estudar conteúdos específicos e voltar a lidar com uma avaliação formal depois de muitos anos longe da sala de aula.
Sem casa própria ou estrutura particular de estudos, passou a utilizar uma biblioteca pública durante a preparação. Ali, concentrou as duas semanas disponíveis na leitura da apostila e na revisão dos assuntos exigidos pelo processo seletivo.
A história foi divulgada também pela Arquidiocese de Belo Horizonte, responsável pelos serviços de acolhimento ligados aos dois homens em situação de vulnerabilidade que obtiveram posições de destaque naquele processo seletivo: Jusair ficou em 20º e Marcelo da Silva Santiago alcançou o primeiro lugar.
R$ 45 de um benefício de R$ 77 foram usados para comprar a apostila
O material de preparação representou uma parcela significativa dos recursos de que Jusair dispunha. Na época, ele afirmou receber R$ 77 mensais do Bolsa Família e utilizou R$ 45 para comprar a apostila necessária para estudar.
A falta de recursos também interferia na rotina dentro da biblioteca. Jusair contou ao UOL que, em alguns dias, não saía para almoçar porque considerava que o deslocamento até o restaurante popular e a volta consumiriam tempo demais da preparação.
Quando isso acontecia, relatou que permanecia estudando e comia apenas posteriormente. Às vezes tomava uma sopa no restaurante popular no final da tarde; em outras ocasiões, aguardava o jantar oferecido no local onde estava acolhido.
Esse período durou apenas duas semanas, mas concentrou a preparação necessária para disputar a vaga. A estratégia terminou funcionando: quando a classificação foi divulgada, o nome de Jusair apareceu entre os candidatos aprovados.
20º lugar transformou duas semanas de estudo em emprego
Jusair terminou a seleção para auxiliar de serviços de limpeza e conservação de ambientes na 20ª posição.
A colocação foi registrada tanto pela Arquidiocese de Belo Horizonte quanto pela reportagem do UOL publicada em junho de 2015.
Outro homem atendido pela rede de acolhimento, Marcelo da Silva Santiago, terminou em primeiro lugar para a mesma função.
Aprovação levou Jusair para o Hospital João XXIII
Depois da classificação, Jusair começou a trabalhar como funcionário da limpeza da cozinha do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
O emprego representou uma mudança direta em relação à situação de vulnerabilidade vivida depois de sua chegada à capital.
O João XXIII integra a rede da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, a Fhemig. O Governo de Minas o classifica oficialmente como o maior pronto-socorro de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil, referência especialmente em politraumas, queimaduras e intoxicações.
Assim, a oportunidade surgida quando faltavam apenas 15 dias para a prova terminou levando Jusair para uma das maiores unidades de urgência do estado.
O homem que havia passado anos circulando pelo país e vivido nas ruas de Belo Horizonte passou a ter uma rotina formal de trabalho depois de alcançar a 20ª colocação na seleção.
Trajetória ligou situação de rua, biblioteca pública e emprego formal
A história de Jusair não começou naquele processo seletivo. Ele já tinha ensino médio, havia passado pela faculdade e mantinha o hábito de leitura, mas sua trajetória posterior incluiu cerca de 15 anos como andarilho e um período vivendo nas ruas de Belo Horizonte.
Quando surgiu a oportunidade da MGS, uma biblioteca pública substituiu a estrutura de estudo que ele não possuía em casa.
O pouco dinheiro disponível financiou a apostila, enquanto o prazo de 15 dias determinou uma preparação concentrada até a data da prova.
A classificação em 20º lugar transformou essa preparação em contratação. Em 2015, quando sua história ganhou repercussão, Jusair já trabalhava na cozinha do Hospital João XXIII, fechando uma sequência que havia começado anos antes sem moradia estável e terminado, naquele momento, com emprego formal em uma das principais unidades hospitalares de Minas Gerais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

