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Aos 68 anos, Lúcia Veríssimo trocou as novelas por uma fazenda na Zona da Mata mineira que mantém como santuário ecológico, viu invasores derrubarem uma guimba de cigarro na fuga e queimarem metade da propriedade enquanto os bombeiros levavam três horas para chegar de Juiz de Fora, e decidiu não registrar o crime
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/08/2026 às 12:09
Atualizado em 10/08/2026 às 12:13
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A Fazenda Independência, em Chiador, tem 45% de mata atlântica nativa preservada. Em junho de 2024, invasores fugiram dos cachorros e jogaram uma ponta de cigarro na vegetação seca. A atriz e um funcionário foram atendidos com problemas respiratórios.
A fazenda fica em Chiador, na Zona da Mata mineira, e não tem corpo de bombeiros na cidade. Foi essa combinação que transformou uma ponta de cigarro em um incêndio que consumiu metade da propriedade de Lúcia Veríssimo, conforme relato da atriz nas redes sociais reproduzido por reportagem assinada por Nicoly Bastos e publicada pela CNN Brasil em 16 de junho de 2024.
O episódio começou na madrugada de sábado, 15 de junho, quando pessoas invadiram o terreno. Os cachorros dela avançaram e espantaram o grupo, mas os invasores estavam fumando e, na fuga, jogaram uma guimba de cigarro na mata seca. O fogo tomou proporção rapidamente, e no dia seguinte ela publicou um vídeo no Instagram relatando o que havia acontecido.
Uma propriedade com quase metade de mata preservada
A área não é uma fazenda produtiva convencional. Segundo a própria atriz, 45% do terreno é mata atlântica nativa, que ela descreve como mata virgem e diz guardar com carinho e respeito, além de lagos e cuidado ambiental.
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Ela também afirmou proibir a entrada de pessoas para pescar ou caçar, prática que descreveu como hábito comum na região. É justamente essa proibição que ajuda a entender a presença dos invasores naquela madrugada. Publicação mais recente da revista CARAS, de agosto de 2026, identifica o local como Fazenda Independência e o descreve como santuário ecológico, com nascentes protegidas, açudes que mantêm a umidade do solo ao longo do ano e respeito absoluto à vida animal entre os princípios da administração da propriedade.
Oitenta quilômetros e três horas de espera
O detalhe que agravou tudo é de infraestrutura pública. Chiador não tem corpo de bombeiros, e a unidade mais próxima fica em Juiz de Fora, a cerca de 80 quilômetros de distância.
A equipe levou aproximadamente três horas para chegar. Nesse intervalo, o fogo avançou sobre os pastos, e a atriz relatou não saber como faria para alimentar os animais depois, já que as áreas de pastagem já haviam sido tomadas. Quando os bombeiros chegaram, metade da fazenda já estava queimada, segundo o relato dela reproduzido pelo Terra. Ela se referiu aos profissionais como verdadeiros heróis e disse não saber o que teria acontecido com a fazenda e com ela se não tivessem vindo.
O aceiro que o vento não deixou funcionar
Enquanto esperavam, a atriz e um funcionário tentaram conter as chamas sozinhos. A técnica escolhida foi o aceiro, que consiste em abrir uma faixa livre de vegetação para delimitar o espaço e impedir que o fogo atravesse.
Não funcionou. Segundo o relato dela, o vento e a seca tornaram as condições desfavoráveis, e diante da gravidade os dois desistiram da tentativa. Aceiro depende de tempo e de mão de obra, dois recursos que não existiam naquela manhã, com duas pessoas e o fogo já em curso.
O que a fumaça cobrou
Os dois precisaram de atendimento médico. A atriz contou que ficou no oxigênio e descreveu o esôfago como machucado, acrescentando que o funcionário passou pela mesma situação.
Em outro momento do relato, ela mencionou dor na laringe e nos pulmões pelo volume de fumaça inalado. A avaliação que fez do saldo geral é a que resume o episódio: disse que ainda está viva e que precisa se sentir feliz por isso. A frase apareceu justamente quando explicava por que não pretendia procurar a polícia.
Por que ela decidiu não registrar boletim de ocorrência
Este é o ponto que mais chama atenção no caso. Apesar da invasão e do incêndio, Lúcia Veríssimo afirmou que não pretendia registrar boletim de ocorrência contra os invasores.
A justificativa dela tem duas partes. A primeira é de rotina: segundo a atriz, invasões desse tipo acontecem habitualmente na propriedade, e ela resumiu a situação dizendo que as pessoas não têm respeito. A segunda é de descrença no resultado, e ela foi direta ao dizer que não fez o registro porque não adianta. Nas reportagens consultadas não há informação sobre identificação dos invasores, apuração posterior ou qualquer providência tomada por autoridades no caso.
O recado que ela quis deixar, porém, não era sobre a própria fazenda. Disse que estava falando para chamar atenção sobre a irresponsabilidade de quem invade uma propriedade e ainda joga guimba de cigarro em período de seca, sabendo o que pode acontecer.
A saída da televisão e a vida no campo
A atriz foi uma das estrelas da televisão brasileira nos anos 1980 e 1990. A última participação dela em novela foi em 2013, em Amor à Vida, quando interpretou Mariah, mãe biológica da protagonista Paloma, papel de Paolla Oliveira.
Desde então, mantém distância dos holofotes e vive na propriedade em Minas Gerais. A publicação recente da CARAS a descreve conciliando projetos artísticos selecionados com a administração da fazenda, e apresenta a escolha de morar no local como busca por qualidade de vida longe dos grandes centros. Aos 68 anos, ela segue vivendo lá.
O que continua sem resposta
Alguns pontos frequentemente citados sobre a propriedade não aparecem em nenhuma das reportagens consultadas, e vale registrar. Não há informação pública sobre a área total da fazenda em hectares ou alqueires, nem sobre quantos animais vivem ali ou de quais espécies.
Também não localizei registro sobre a recuperação da área queimada, sobre eventual apoio recebido, sobre a alimentação dos animais nos meses seguintes ao incêndio nem sobre o custo do prejuízo. O episódio é de junho de 2024, portanto tem mais de dois anos, e a informação mais recente disponível sobre a propriedade é a matéria de agosto de 2026, que a descreve em funcionamento.
O caso reúne dois problemas que quem mora em zona rural conhece bem: a distância do socorro público e a sensação de que registrar ocorrência não muda nada. Foram três horas de espera por bombeiros que precisaram vir de outra cidade, e uma dona de propriedade que decidiu não procurar a polícia.
Conta nos comentários: se acontecesse com você, registraria boletim mesmo achando que não daria em nada, ou tomaria a mesma decisão? E para quem mora no interior, quanto tempo levaria o socorro até a sua casa em caso de incêndio?
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Lúcia Veríssimo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

