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Após perder um celular durante uma selfie, servidor do governo indiano chamou mergulhadores e, quando eles falharam, colocou bombas a diesel para trabalhar por três dias, drenou mais de 2 milhões de litros de água suficientes para irrigar uma área equivalente a quase 850 campos de futebol e, no fim, recuperou o aparelho completamente inutilizado
Escrito por Ana Alice
Publicado em 06/08/2026 às 23:39
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Uma selfie durante um passeio terminou em uma operação com bombas a diesel, milhões de litros retirados de um reservatório e um servidor público suspenso, enquanto o celular recuperado já não funcionava.
Uma selfie durante um passeio a um reservatório no centro da Índia terminou com bombas a diesel funcionando durante dias, milhões de litros de água retirados e um servidor público suspenso.
No fim da operação, o celular que motivou toda a mobilização foi encontrado, mas já não funcionava.
O episódio ocorreu em maio de 2023 no reservatório de Paralkot, também chamado de Kherkatta, no distrito de Kanker, no estado indiano de Chhattisgarh.
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O responsável era Rajesh Vishwas, então com 32 anos, inspetor de alimentos do governo local.
Vishwas estava no local com amigos em 21 de maio de 2023 quando deixou cair um Samsung Galaxy S23 Ultra enquanto fazia uma selfie.
O aparelho, avaliado pelas reportagens indianas em cerca de 95 mil a 96 mil rúpias, caiu em uma área com aproximadamente 4,5 metros de profundidade.
Mergulhadores locais foram chamados, mas não conseguiram localizar o telefone.
A partir daí, uma tentativa aparentemente simples de recuperar o aparelho transformou-se em uma operação que reduziria drasticamente o nível da água.
Mergulhadores procuraram o celular antes do bombeamento
Segundo os relatos publicados na época, Vishwas afirmou que precisava recuperar o telefone porque o dispositivo continha contatos e informações relacionadas ao trabalho.
A primeira tentativa envolveu moradores e mergulhadores da região.
Como a água estava profunda e turva, eles não conseguiram encontrar o aparelho.
O servidor então alugou bombas movidas a diesel para retirar água do reservatório.
Reportagens indianas registraram que o equipamento começou a funcionar no início daquela semana e permaneceu ligado por cerca de três dias.
Uma das bombas utilizadas tinha potência informada de 30 cavalos.
O custo declarado por Vishwas para a operação ficou na faixa de 7,5 mil a 8 mil rúpias.
Enquanto as máquinas trabalhavam, imagens começaram a circular nas redes sociais.
Em alguns dos registros, Vishwas aparece sentado sob um guarda-sol enquanto tubos despejam para fora a água retirada do reservatório.
A repercussão cresceu rapidamente e chamou a atenção das autoridades locais.
Volume retirado do reservatório passou de 2 milhões de litros
Nos primeiros relatos oficiais e jornalísticos, a estimativa era de aproximadamente 2,1 milhões de litros de água retirados.
Esse número corresponde aos 21 lakh de litros mencionados pelas autoridades indianas.
Um lakh, unidade muito utilizada no sistema de numeração da Índia, representa 100 mil.
Portanto, 21 lakh equivalem a 2,1 milhões.
Foi essa estimativa que se espalhou internacionalmente e originou comparações segundo as quais a água poderia irrigar aproximadamente 1.500 acres de terras agrícolas, equivalentes a pouco mais de 600 hectares.
Uma avaliação posterior do Departamento de Recursos Hídricos de Chhattisgarh, porém, calculou um volume ainda maior.
O órgão estimou que 4.014 metros cúbicos, ou aproximadamente 4,014 milhões de litros, haviam sido bombeados do reservatório.
A avaliação mais detalhada serviu posteriormente de base para a aplicação de uma multa.
A diferença entre os dois números explica por que reportagens sobre o mesmo caso podem mencionar 2,1 milhões ou cerca de 4,1 milhões de litros.
O primeiro valor foi a estimativa divulgada quando o episódio veio a público.
O segundo resultou da análise feita posteriormente pelo departamento responsável pelos recursos hídricos.
Celular foi recuperado, mas já não funcionava
Depois de dias reduzindo o nível do reservatório, a operação alcançou seu objetivo imediato.
O aparelho foi localizado e retirado.
O problema era que ele havia permanecido submerso durante tempo suficiente para sofrer danos severos.
O Samsung foi recuperado, mas estava encharcado e não voltou a funcionar, segundo as informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa local.
Assim, milhões de litros haviam sido retirados sem que o aparelho pudesse ser efetivamente recuperado para uso.
O caso poderia ter terminado apenas como um episódio incomum, mas a quantidade de água envolvida e o cargo público de Vishwas levaram a uma investigação administrativa.
Assista o vídeo
Autoridade interrompeu bombeamento após denúncia
A operação não chegou ao fim simplesmente porque o celular havia sido localizado.
Segundo os relatos publicados na Índia, um funcionário do Departamento de Recursos Hídricos foi informado de que o reservatório estava sendo esvaziado e foi até o local.
A retirada de água acabou interrompida.
A administração do distrito de Kanker concluiu que Vishwas não tinha autoridade para ordenar a drenagem sem uma autorização formal.
A coletora distrital Priyanka Shukla determinou sua suspensão em 26 de maio de 2023.
A ordem administrativa classificou como inaceitável o uso da água do reservatório para procurar um telefone particular, especialmente durante um período de calor intenso.
Autoridades locais também afirmaram que aquela água poderia ser utilizada por moradores e animais, mesmo diante da alegação de que não estava destinada naquele momento à irrigação.
Servidor afirmou que recebeu autorização verbal
Vishwas apresentou outra versão para um dos pontos centrais da controvérsia.
Ele afirmou que havia consultado um funcionário do Departamento de Recursos Hídricos antes de iniciar o bombeamento e recebido autorização verbal para reduzir o nível da água.
Segundo sua explicação, teria recebido permissão para retirar aproximadamente três ou quatro pés de água.
O funcionário do setor hídrico envolvido no caso também foi alvo de questionamentos administrativos.
Uma das versões publicadas indicava que teria existido uma autorização oral para reduzir o nível em até cinco pés, enquanto a água teria baixado cerca de dez pés.
A administração distrital, entretanto, destacou que não havia autorização formal do órgão competente para a retirada realizada.
Vishwas também sustentou que a água bombeada estava em uma área de excedente do reservatório e não vinha sendo utilizada para irrigação.
Ele disse que entrou em pânico quando perdeu o aparelho e posteriormente criticou o que considerou exagero na cobertura do episódio.
Multa ultrapassou 53 mil rúpias após retirada da água
A suspensão não foi a única consequência.
Dias depois, o Departamento de Recursos Hídricos determinou que Vishwas pagasse 53.092 rúpias pela retirada irregular da água.
O cálculo considerava tanto o valor associado ao recurso retirado quanto a penalidade pelo procedimento realizado sem a autorização exigida.
A ordem citou a legislação de irrigação de Chhattisgarh e classificou a retirada como desperdício de água destinado a interesse pessoal.
O funcionário ligado ao departamento hídrico que teria discutido o procedimento com Vishwas também recebeu uma notificação para explicar sua participação no episódio.
O caso se transformou, assim, em uma discussão que ultrapassava o preço do celular.
A questão central passou a ser se um agente público poderia mobilizar recursos e interferir em um reservatório para recuperar um bem pessoal.
Desperdício ganhou peso diante do estresse hídrico na Índia
A repercussão também foi ampliada pelo contexto da Índia.
O país concentra aproximadamente 18% da população mundial, mas dispõe de apenas cerca de 4% dos recursos hídricos globais, segundo o Banco Mundial.
A instituição classifica a Índia entre os países submetidos a forte pressão sobre a disponibilidade e a gestão da água.
Uma atualização do Banco Mundial publicada em março de 2026 informa que cerca de 600 milhões de pessoas enfrentam algum grau de estresse hídrico no país.
Além disso, quase 70% das chuvas indianas se concentram em apenas três meses do ano, aumentando a importância de reservatórios, sistemas de armazenamento e gestão eficiente do recurso.
Isso não significa que os milhões de litros retirados daquele pequeno reservatório resolveriam sozinhos um problema regional de abastecimento.
A comparação serve para mostrar por que o desperdício atribuído ao episódio provocou uma reação tão intensa.
Reservatório não foi completamente esvaziado
Apesar de algumas manchetes internacionais terem afirmado que um servidor “esvaziou uma represa”, o episódio exige uma distinção.
A água foi retirada de um reservatório associado ao sistema de Paralkot/Kherkatta, e não de toda a barragem principal até que ficasse completamente seca.
O nível caiu vários metros antes de a operação ser interrompida.
Imagens feitas após o bombeamento mostram grandes áreas de margem e solo antes cobertas pela água, enquanto uma quantidade menor permanecia nas partes mais baixas.
Selfie terminou em suspensão, multa e celular inutilizado
O episódio começou com um objeto que cabia na palma da mão e terminou envolvendo mergulhadores, bombas a diesel, funcionários do governo, uma investigação administrativa e milhões de litros de água.
Vishwas conseguiu recuperar fisicamente o aparelho pelo qual havia iniciado toda a operação.
Não conseguiu, porém, recuperar aquilo que procurava de fato: um telefone funcionando.
Além da perda do dispositivo, o servidor foi suspenso e recebeu uma cobrança superior a 53 mil rúpias pela retirada irregular da água.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

