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Cabeleireira pagava R$ 2 mil por mês na escola da filha em Salvador, perdeu o salão na pandemia, foi para Portugal e recomeçou como cuidadora de idosos; meses depois, trouxe a menina, cortou a mensalidade com a rede pública e ainda precisou pagar reforço escolar para recuperar o atraso
Escrito por Carla Teles
Publicado em 24/08/2026 às 16:24
Atualizado em 24/08/2026 às 16:25
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Eliene Oliveira deixou Salvador depois que seu salão fechou durante a pandemia e passou a trabalhar em Portugal como cuidadora de idosos e cabeleireira. A filha, que estudava em colégio particular de R$ 2 mil mensais, entrou na rede pública portuguesa, mas enfrentou atraso escolar e precisou de reforço particular.
A mudança para Portugal alterou ao mesmo tempo o trabalho e os gastos com educação na família de Eliene Oliveira. Depois de ver seu salão de cabeleireiro fechar em Salvador durante a pandemia de covid-19, ela recomeçou no exterior trabalhando como cuidadora de idosos e também como cabeleireira, enquanto sua filha permaneceu inicialmente no Brasil.
A trajetória foi relatada pelo PÚBLICO Brasil em reportagem publicada em 15 de setembro de 2025 sobre a integração de estudantes brasileiros às escolas portuguesas. Na época, Eliene, então com 51 anos, vivia em Portugal havia pouco mais de quatro anos, enquanto a filha Maysa Andrade, de 14, cursava o 9º ano em um colégio de Paço d’Arcos, na região metropolitana de Lisboa.
Salão fechou em Salvador e obrigou cabeleireira a reorganizar a vida profissional
Antes da mudança, Eliene mantinha um salão de cabeleireiro em Salvador. O negócio acabou fechando durante a pandemia de covid-19, situação que antecedeu sua decisão de deixar o Brasil e buscar uma nova rotina profissional em Portugal.
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No novo país, a antiga dona de salão passou a conciliar a experiência como cabeleireira com o trabalho de cuidadora de idosos. A fonte não informa valores de salário, jornada ou quanto cada atividade representava na renda da brasileira, por isso não é possível comparar financeiramente as duas ocupações.
Escola da filha custava R$ 2 mil por mês em Salvador
Enquanto Eliene já estava em Portugal, Maysa continuava no Brasil. A estudante frequentava os Salesianos, em Salvador, onde, segundo a mãe, a mensalidade escolar custava R$ 2 mil por mês.
Esse gasto permaneceu até a mudança da adolescente. Para Eliene, a entrada da filha no ensino público português eliminou aquela mensalidade específica. A economia, porém, não significou uma transição educacional sem novos custos ou dificuldades, porque Maysa enfrentaria posteriormente um longo intervalo fora da sala de aula.
Filha terminou ano letivo no Brasil e chegou a Portugal em março de 2022
Maysa concluiu o ano letivo no colégio de Salvador em novembro de 2021. A previsão inicial era que ela viajasse para Portugal apenas em setembro de 2022, mas a família encontrou uma passagem aérea mais barata e antecipou a mudança para março daquele ano.
A adolescente então foi morar com a mãe. Eliene já trabalhava como cuidadora de idosos e cabeleireira em Portugal, enquanto a filha iniciava um processo diferente: adaptar sua vida escolar a outro calendário, outro sistema de ensino e uma nova realidade social.
Economia com mensalidade veio acompanhada de dez meses sem escola
A principal dificuldade apareceu justamente entre a saída da escola brasileira e a efetiva entrada no sistema português. Segundo a reportagem, Maysa ficou cerca de dez meses sem frequentar aulas, período que a própria família relacionou a dificuldades posteriores no rendimento escolar.
Esse intervalo mostra que a substituição de uma escola particular brasileira pela rede pública portuguesa não ocorreu de maneira automática. Embora Eliene tenha deixado de pagar os R$ 2 mil mensais cobrados em Salvador, a filha teve de enfrentar uma lacuna significativa até retomar os estudos.
Matemática mostrou o tamanho do impacto após período longe das aulas
Antes da mudança, Maysa tinha bom desempenho em matemática, segundo a mãe. Depois do período sem frequentar a escola, porém, recebeu uma nota baixa no primeiro semestre em Portugal e chegou em casa desanimada, acreditando que não conseguiria acompanhar a disciplina.
Diante da dificuldade, Eliene precisou contratar aulas particulares de reforço escolar. Assim, parte do contraste financeiro ganhou uma nova camada: a mensalidade de R$ 2 mil havia desaparecido, mas a adaptação trouxe a necessidade de investir novamente em educação para recuperar conteúdos afetados pelo tempo fora das aulas.
Rede pública portuguesa também trouxe ganhos para a estudante
A experiência não foi marcada apenas por dificuldades. Maysa contou ao PÚBLICO Brasil que, embora tivesse resultados piores inicialmente em matemática, percebeu melhora em outras áreas. Ciências, por exemplo, tornou-se uma disciplina em que passou a obter notas melhores em Portugal.
A estudante também conseguiu se integrar socialmente. No primeiro dia, chegou apreensiva com a possibilidade de sofrer xenofobia, mas relatou ter sido bem recebida pelas colegas. Segundo Eliene, poucos dias depois a filha já reproduzia algumas palavras com o sotaque português.
Dança ajudou na adaptação à nova escola
A dança teve papel importante na integração de Maysa. A atividade fazia parte do currículo de educação física e se transformou em um espaço de convivência com outras estudantes. Ela contou que participava de um grupo formado com colegas e que se apresentava em festas da escola.
A experiência ilustra como a adaptação escolar vai além das notas. Enquanto a mãe reorganizava a própria vida profissional entre o trabalho de cuidadora de idosos e a atividade de cabeleireira, a filha precisava reconstruir vínculos, recuperar conteúdos e entender uma rotina educacional diferente daquela deixada em Salvador.
Brasileiros já eram metade dos estudantes estrangeiros na rede pública
O caso de Maysa apareceu em uma reportagem mais ampla sobre alunos brasileiros em Portugal. Segundo dados do Ministério da Educação citados pelo PÚBLICO Brasil, havia mais de 88 mil estudantes brasileiros no sistema português, correspondendo a cerca de metade dos estrangeiros matriculados na rede pública.
O número ajuda a colocar a trajetória da família em um fenômeno maior. Mudanças internacionais podem produzir redução de alguns gastos, como ocorreu com a mensalidade escolar de Eliene, mas também exigem adaptação pedagógica, emocional e financeira, especialmente quando há interrupções no percurso educacional.
De R$ 2 mil mensais ao reforço escolar, mudança trouxe economia e novos desafios
A experiência de Eliene não permite concluir simplesmente que estudar em Portugal saiu “de graça” ou que a mudança resolveu todos os custos educacionais da família. Ela deixou de pagar os R$ 2 mil mensais da escola particular de Salvador, mas precisou contratar reforço depois que a filha ficou dez meses longe das aulas.
Ao mesmo tempo, a brasileira precisou reconstruir sua vida profissional após perder o salão, trabalhando como cuidadora de idosos e cabeleireira, enquanto Maysa enfrentava seu próprio recomeço dentro da escola pública portuguesa. Na sua opinião, a economia com mensalidade compensaria os desafios de adaptação escolar e profissional envolvidos em uma mudança de país? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

