5 min de leitura
Padeiro-chefe do Titanic recusou bote salva-vidas, distribuiu pão, bebeu destilado e sobreviveu por horas no Atlântico gelado após o naufrágio de 1912
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 24/08/2026 às 17:02
Atualizado em 24/08/2026 às 17:03
Uncategorized
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Charles Joughin ajudou mulheres e crianças, abasteceu botes com pão, permaneceu no navio durante o afundamento e acabou entre os poucos sobreviventes retirados da água.
Uma das histórias mais incomuns do naufrágio do Titanic envolve justamente o homem responsável pelos pães servidos a bordo.
Charles Joughin, padeiro-chefe do Titanic, estava no transatlântico quando a embarcação atingiu um iceberg na noite de 14 de abril de 1912.
Durante a evacuação, ele distribuiu provisões, ajudou mulheres e crianças e permaneceu no navio enquanto os botes salva-vidas eram lançados.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Mais tarde, o padeiro entrou nas águas geladas do Atlântico Norte e conseguiu sobreviver até receber ajuda.
Carreira no mar começou ainda durante a infância
Charles Joughin nasceu em Birkenhead, na Inglaterra, em 1878.
A vida marítima começou cedo, quando ele passou a trabalhar em embarcações aos 11 anos.
Posteriormente, a experiência acumulada levou o britânico ao cargo de padeiro-chefe do RMS Olympic, navio irmão do Titanic.
Em 1912, Joughin foi transferido para o novo transatlântico da White Star Line.
No Titanic, ele comandava uma equipe formada por 13 homens.
A viagem inaugural começou em 10 de abril de 1912, partindo para uma travessia que terminaria quatro dias depois em desastre.
Colisão fez padeiro mandar pão para os botes
Charles Joughin descansava em seu beliche quando sentiu a colisão com o iceberg.
Segundo o depoimento apresentado ao Inquérito Britânico sobre o Titanic, ele se levantou imediatamente após perceber o impacto.
A primeira decisão foi mobilizar a equipe e preparar alimentos para os passageiros que deixariam o navio.
Os 13 homens foram enviados aos conveses superiores carregando pão destinado aos botes salva-vidas.
Posteriormente, Joughin seguiu para a área do Bote salva-vidas 10 e passou a ajudar na evacuação.
Algumas passageiras, segundo seu relato, demonstravam resistência em abandonar o grande transatlântico.
Mulheres e crianças acabaram sendo colocadas nos botes enquanto a situação do Titanic se tornava cada vez mais grave.
Padeiro recusou o bote e permaneceu no Titanic
Charles Joughin deveria auxiliar no Bote 10, mas acabou não embarcando.
Durante o inquérito realizado em maio de 1912, ele explicou que entrar sem receber uma ordem poderia representar um mau exemplo aos demais homens.
O Bote 10 deixou o Titanic sem o padeiro-chefe.
Joughin voltou então aos seus aposentos.
Nesse momento, segundo o próprio depoimento, tomou aproximadamente meio copo de bebida destilada.
A história popularizou posteriormente a ideia de que ele estaria completamente bêbado.
O testemunho apresentado após o desastre, porém, não sustenta essa interpretação de forma clara.
Recomendado para você
Ciência e Tecnologia
Cientistas analisam metrôs, hospitais, bancos e esgoto de 102 cidades e encontram mais de 42 mil vírus de RNA que nunca haviam sido descritos pela ciência
Levantamento internacional analisou 2.922 amostras em 31 países, catalogou 54.945 vírus de RNA e revelou uma diversidade microscópica ainda pouco conhecida nas cidades.
Uma pesquisa internacional revelou uma quantidade surpreendente de…
Viviane Alves
0
Cadeiras foram lançadas ao mar durante os últimos minutos
Charles Joughin retornou ao convés quando boa parte dos botes já havia deixado o navio.
Diante da situação, ele começou a arremessar cadeiras de convés no Atlântico.
A intenção era fornecer objetos que pudessem ajudar pessoas lançadas à água a permanecer na superfície.
Pouco depois, um grande estrondo foi ouvido enquanto a estrutura do Titanic continuava cedendo.
Joughin conseguiu avançar até a popa inclinada.
O padeiro então se segurou ao corrimão enquanto o navio desaparecia progressivamente no oceano.
Sobrevivência no Atlântico se tornou parte mais famosa da história
Charles Joughin afirmou posteriormente que entrou na água de maneira relativamente gradual enquanto permanecia agarrado à estrutura.
O padeiro estimou ter ficado cerca de duas horas no Atlântico Norte.
O tempo exato de permanência na água, contudo, passou a ser discutido posteriormente.
A maioria das pessoas que caiu no mar durante o naufrágio não conseguiu sobreviver.
Joughin acabou figurando entre os poucos que foram resgatados depois de entrar na água.
Bote Dobrável B ofereceu primeira chance de ajuda
Charles Joughin encontrou posteriormente o Bote Dobrável B, que estava virado.
Cerca de duas dezenas de homens permaneciam sobre a estrutura.
O espaço disponível não permitia que o padeiro subisse.
Joughin permaneceu segurado na lateral, mantendo parte do corpo dentro da água.
Outro bote apareceu algum tempo depois e informou que ainda poderia recolher algumas pessoas.
O padeiro nadou em direção à embarcação e conseguiu entrar.
Carpathia recebeu Joughin com poucos ferimentos
Charles Joughin foi levado posteriormente ao RMS Carpathia, responsável pelo resgate dos sobreviventes do Titanic.
O padeiro relatou que estava relativamente bem após a experiência.
Os principais problemas estavam nos pés, que apresentavam inchaço.
O consumo de álcool acabou se tornando parte central das versões populares de sua sobrevivência.
Não existe, entretanto, base segura no depoimento para concluir que a bebida tenha sido responsável por mantê-lo vivo.
Vida no mar continuou mesmo depois do Titanic
Charles Joughin não abandonou a carreira marítima depois do desastre.
O britânico continuou trabalhando em embarcações e também serviu em navios de transporte de tropas durante a Segunda Guerra Mundial.
Décadas mais tarde, sua história foi retratada no filme Titanic, lançado em 1997.
O ator Liam Tuohy interpretou o padeiro durante as cenas finais do naufrágio.
Charles Joughin morreu em 1956, aos 78 anos.
Registros do Inquérito Britânico sobre o Titanic e informações históricas da Encyclopedia Titanica preservaram boa parte de seu relato.
Sua trajetória permanece associada à distribuição de alimentos, ao auxílio durante a evacuação e à extraordinária sobrevivência após o naufrágio.
Uma das histórias mais curiosas entre os sobreviventes do Titanic
A experiência de Charles Joughin ganhou notoriedade porque reúne decisões tomadas em momentos extremos do desastre.
O padeiro ajudou passageiros, permaneceu no transatlântico após a saída do bote e tentou criar meios de flutuação para outras pessoas.
Sua sobrevivência no Atlântico transformou o tripulante em um dos personagens mais lembrados daquela noite.
Mais de um século depois, o relato continua mostrando como decisões tomadas em poucos minutos marcaram algumas das histórias individuais do Titanic.
Você teria entrado imediatamente em um bote salva-vidas ou permaneceria ajudando outras pessoas diante de uma situação como a enfrentada por Charles Joughin? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

