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Casal abriu em 1911 uma pequena ferraria no interior do Rio Grande do Sul, transformou o negócio artesanal em uma indústria global e hoje a Tramontina emprega mais de 10 mil pessoas e oferece 22 mil itens em mais de 120 países
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/08/2026 às 20:01
Curiosidades
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Valentin e Elisa abriram uma ferraria em 1911; hoje a Tramontina tem 10 mil funcionários, 22 mil itens e atende mais de 120 países.
Casal abriu em 1911 uma pequena ferraria artesanal no interior do Rio Grande do Sul, começou produzindo ferramentas para agricultores e hoje a Tramontina emprega mais de 10 mil pessoas e vende milhares de produtos brasileiros em mais de 120 países
Em 1911, Valentin e Elisa Tramontina abriram uma pequena ferraria em Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha. O trabalho era feito de forma artesanal e atendia uma região onde muitas famílias viviam da agricultura, da criação de animais e de pequenas atividades industriais.
Mais de um século depois, a oficina se transformou em uma das empresas brasileiras mais conhecidas no exterior. A Tramontina emprega mais de 10 mil pessoas, oferece mais de 22 mil itens e vende seus produtos em mais de 120 países.
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Valentin e Elisa Tramontina abriram uma ferraria em Carlos Barbosa
Valentin Tramontina era filho de imigrantes italianos e trabalhava como ferreiro. Em 1911, ele se instalou em Carlos Barbosa, município que começava a crescer depois da chegada da ferrovia à região.
A primeira oficina funcionava em uma estrutura pequena e alugada. O local não tinha máquinas modernas, linhas de produção ou grandes equipes, e quase todo o trabalho dependia da força e da habilidade do ferreiro.
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A própria Tramontina apresenta Valentin e Elisa como fundadores da pequena ferraria. A empresa considera 1911 como o começo de uma história que atravessou várias gerações da família.
Ferraria atendia agricultores e trabalhadores da região
Carlos Barbosa era cercada por propriedades rurais e pequenas comunidades. Os moradores precisavam de consertos, ferraduras e objetos de metal usados no trabalho diário e no cuidado com os animais.
Valentin fazia reparos para empresas da região e também ferrava cavalos. Cada serviço era realizado manualmente, com ferramentas simples e um fogo usado para aquecer e moldar o metal.
A oficina atendia necessidades básicas de uma economia ainda muito ligada ao campo. O conhecimento adquirido nesses primeiros trabalhos ajudou a empresa a desenvolver novos produtos nos anos seguintes.
Produção artesanal marcou os primeiros anos da Tramontina
Nos primeiros anos, não havia máquinas capazes de fabricar milhares de peças em pouco tempo. O metal era cortado, aquecido, moldado e acabado com o uso de martelos, limas, marretas e outros instrumentos manuais.
Moldes simples ajudavam a definir o formato das peças. A lenha retirada da região alimentava o fogo da oficina, enquanto o acabamento dependia do trabalho cuidadoso dos artesãos.
Esse modelo limitava a quantidade produzida, mas criou a base do conhecimento da empresa sobre o aço. A habilidade artesanal seria usada mais tarde na fabricação industrial de diferentes produtos.
Primeiros produtos deram origem à cutelaria Tramontina
A pequena ferraria passou dos consertos para a produção regular de artigos próprios. Entre os primeiros produtos estavam ferraduras, facas, canivetes e outras peças de metal usadas pela população local.
Um dos produtos mais conhecidos dessa fase foi o Canivete Santa Bárbara. A peça era fabricada artesanalmente e se tornou um símbolo dos primeiros anos da empresa em Carlos Barbosa.
A produção desses artigos abriu caminho para a cutelaria, área ligada à fabricação de utensílios de corte e peças de metal. Essa atividade continua fazendo parte da Tramontina mais de um século depois.
Elisa Tramontina manteve a empresa depois de ficar viúva
Valentin Tramontina morreu em 1939, deixando a oficina em uma situação difícil. O negócio ainda era pequeno e dependia muito da experiência acumulada pelo fundador durante quase três décadas.
Depois da morte do marido, Elisa assumiu a empresa e manteve a produção funcionando. Sua atuação foi decisiva para evitar que a ferraria encerrasse as atividades naquele período.
Elisa continuou cuidando do negócio até que a geração seguinte estivesse preparada para assumir responsabilidades maiores. A empresa sobreviveu e preservou o nome da família em todos os produtos.
Nova geração iniciou a industrialização da Tramontina
Em 1949, Ivo Tramontina, filho de Valentin e Elisa, e Ruy José Scomazzon passaram a comandar a empresa. A nova administração iniciou uma fase de modernização e aumento da produção.
A oficina começou a receber máquinas e processos capazes de fabricar mais peças com medidas regulares. O trabalho artesanal não desapareceu de uma vez, mas passou a dividir espaço com métodos industriais.
Essa mudança permitiu atender compradores de outras cidades e estados. A Tramontina deixou de ser apenas uma pequena fabricante local e começou a construir uma rede maior de vendas.
Novas fábricas ampliaram a produção da Tramontina
Com o crescimento das vendas, a empresa criou fábricas voltadas para diferentes tipos de produtos. As unidades foram instaladas principalmente em cidades do Rio Grande do Sul e em Pernambuco.
Cada fábrica passou a cuidar de determinadas linhas. Algumas produzem utensílios de cozinha, enquanto outras fabricam ferramentas, móveis, materiais elétricos, pias, equipamentos e produtos para agricultura.
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A primeira unidade, em Carlos Barbosa, continua ligada à produção de itens para casa, cozinha, churrasco e uso profissional. O complexo ocupa atualmente uma área de 323 mil metros quadrados.
Tramontina passou das ferramentas para milhares de produtos
A empresa ampliou o catálogo ao longo das décadas. Depois dos primeiros artigos de metal, passou a fabricar panelas, talheres, ferramentas, móveis, eletrodomésticos e produtos para diferentes profissões.
Atualmente, o portfólio reúne mais de 22 mil itens. Os produtos atendem casas, restaurantes, fazendas, oficinas, indústrias, lojas, obras e empresas de vários tamanhos.
A variedade reduziu a dependência de uma única área. Uma mesma marca passou a vender produtos para cozinha, agricultura, jardinagem, construção, manutenção de veículos e instalações elétricas.
Mais de 10 mil pessoas trabalham na Tramontina
A pequena ferraria que dependia do trabalho de poucas pessoas se transformou em uma empresa com mais de 10 mil funcionários. As equipes estão espalhadas por fábricas, escritórios, lojas, laboratórios e centros de distribuição.
A produção envolve operadores de máquinas, engenheiros, técnicos, vendedores, profissionais de transporte e trabalhadores de várias outras áreas. Cada grupo participa de uma parte do caminho entre a matéria-prima e o produto acabado.
A empresa também mantém programas de treinamento e formação profissional. Em seus dados de sustentabilidade, a Tramontina informa mais de 260 mil horas de capacitação oferecidas aos funcionários.
Produtos da Tramontina chegaram a mais de 120 países
A expansão internacional levou os produtos da empresa para mais de 120 países. A Tramontina atende mercados na América, Europa, África, Ásia, Oriente Médio e Oceania.
Para chegar a esses consumidores, a companhia criou centros de distribuição, escritórios de vendas e parcerias com representantes locais. Essa rede ajuda a manter produtos disponíveis longe das fábricas brasileiras.
Em 2026, a Tramontina informou possuir 25 unidades operacionais no exterior. A estrutura incluía uma fábrica, escritórios comerciais, centros de distribuição e lojas próprias.
Fábrica na Índia marcou uma nova fase internacional
Em 2025, a Tramontina anunciou uma parceria com a empresa indiana Aequs. O acordo permitiu iniciar a fabricação de panelas e outros utensílios fora do Brasil.
A unidade na Índia aproxima a produção dos consumidores asiáticos. Isso pode diminuir distâncias de transporte e facilitar a distribuição para países próximos daquele mercado.
Antes da fábrica indiana, a presença no exterior estava mais concentrada em vendas e distribuição. A nova operação acrescentou a produção industrial à expansão internacional da marca.
Tramontina chegou aos 115 anos como marca global
Em 2026, a Tramontina completou 115 anos de atividade. A empresa chegou a essa marca mantendo sua sede em Carlos Barbosa, cidade onde a primeira ferraria começou a funcionar.
A antiga oficina deu origem a uma estrutura com mais de 10 mil funcionários, milhares de produtos e operações comerciais em vários continentes. A empresa também passou a fabricar parte de seus produtos fora do Brasil.
O negócio criado por Valentin e Elisa atravessou mudanças de geração, crises econômicas e grandes transformações industriais. O pequeno trabalho com metal se tornou uma companhia brasileira presente em mais de 120 países.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

