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Cientistas revisitam registros do telescópio Chandra feitos entre 1999 e 2017, descobrem 145 fontes de raios X e investigam possível ligação com anãs brancas e buracos negros
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 28/09/2026 às 18:26
Atualizado em 28/09/2026 às 18:31
Ciência e Tecnologia
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Telescópio Chandra revela 145 fontes de raios X em dez galáxias após cientistas reanalisarem dados antigos da NASA. Entenda a descoberta.
Dados coletados pelo telescópio Chandra, da NASA, entre 1999 e 2017 revelaram 145 fontes de raios X em dez galáxias próximas, incluindo objetos que podem representar uma nova classe de fenômenos cósmicos.
A descoberta foi realizada por uma equipe de astrônomos liderada por Jimmy Irwin, da Universidade do Alabama, após a reanálise de informações normalmente descartadas durante o processamento das observações. Os resultados, publicados na revista Nature Astronomy, levantam novas possibilidades para investigar sistemas estelares e a origem de determinadas supernovas.
A natureza dessas fontes ainda não foi estabelecida. O que chamou a atenção dos pesquisadores foi a concentração de sua emissão em uma região extremamente baixa do espectro de raios X, característica que levou à classificação provisória de fontes hipermoles.
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Descoberta pode ajudar a investigar origem de supernovas
Uma das hipóteses analisadas pela equipe envolve as anãs brancas, objetos estelares remanescentes de determinadas estrelas que encerraram sua evolução.
Os pesquisadores consideram a possibilidade de que algumas dessas anãs apresentem temperaturas mais baixas do que as normalmente associadas às fontes de raios X já conhecidas. Caso estejam expandidas e mais frias, parte de sua emissão poderia ficar concentrada no ultravioleta extremo e na faixa energética identificada pelo estudo.
A existência de uma população ainda desconhecida desses objetos ajudaria a investigar uma questão importante da astronomia: quais sistemas dão origem às supernovas do Tipo Ia?
Em um dos modelos estudados, uma anã branca recebe matéria até atingir uma condição capaz de desencadear uma explosão termonuclear. Entretanto, os objetos identificados atualmente não aparecem em quantidade suficiente para explicar todas as ocorrências observadas.
Rosanne Di Stefano, astrofísica participante da pesquisa, afirmou que ficou entusiasmada com os resultados justamente pela possibilidade de os cientistas terem encontrado parte dessa população ainda não identificada.
Por que os sinais passaram tantos anos despercebidos?
A explicação está relacionada à maneira como os dados do observatório costumam ser analisados. Os detectores do telescópio Chandra apresentam limitações de calibração na região de menor energia, levando muitos astrônomos a desconsiderar esses registros.
Jimmy Irwin decidiu examinar essa parcela das informações há aproximadamente 12 anos, mesmo sabendo das dificuldades associadas às medições.
Em entrevista ao The New York Times, ele explicou que a prática habitual dos pesquisadores era retirar os canais de energia muito baixa das análises. Sua investigação seguiu justamente o caminho contrário.
O trabalho, desenvolvido também com a participação do pós-graduando Mustafa Muhibullah, recuperou sinais que não recebiam a mesma atenção nas avaliações convencionais.
Fontes hipermoles apresentam características diferentes das já conhecidas
A astronomia já reconhecia objetos chamados de fontes supermoles, associados à emissão de raios X de baixa energia. O novo grupo, entretanto, apresentou sinais ainda mais concentrados na extremidade inferior dessa faixa.
O termo hipermole foi adotado para descrever esse comportamento observado, sem estabelecer antecipadamente qual tipo de objeto estaria produzindo a radiação.
A investigação reuniu diferentes características:
- A maior parte das 145 fontes não havia sido identificada anteriormente;
- Os registros utilizados abrangem observações realizadas ao longo de 18 anos;
- Os sinais foram encontrados em dez galáxias próximas;
- As emissões apresentam concentração em energias inferiores às normalmente analisadas;
- As hipóteses sobre a origem dos objetos ainda precisam de novas verificações.
A equipe ressalta que identificar a emissão não significa necessariamente conhecer sua fonte física. Diferentes sistemas astronômicos podem apresentar características semelhantes quando observados em determinadas faixas do espectro.
Buracos negros também estão entre as possíveis explicações
Além das anãs brancas, os cientistas investigam se algumas dessas emissões poderiam estar relacionadas a sistemas mais complexos, incluindo dois buracos negros em órbita de uma terceira estrela.
Nesse cenário, uma pequena quantidade de matéria da estrela poderia alimentar os buracos negros, formando um disco de material aquecido e produzindo radiação nas faixas analisadas.
Confirmar essa interpretação, porém, exigiria observações adicionais. A pesquisadora Galina Lipunova mencionou a possibilidade de detectar uma explosão de raios gama no mesmo ponto do céu em que uma dessas fontes desaparecesse, caso ocorresse uma fusão entre os buracos negros.
Por enquanto, trata-se de uma hipótese, e não de uma explicação comprovada para os objetos encontrados.
Pesquisa mostra que dados antigos ainda podem revelar fenômenos desconhecidos
A investigação começou com seis galáxias, nas quais foram identificadas 84 fontes. Posteriormente, a equipe ampliou o levantamento para outros quatro sistemas galácticos, chegando ao total de 145 registros.
O possível impacto da descoberta ultrapassa a identificação de novos objetos. As supernovas do Tipo Ia, por exemplo, são importantes para medir distâncias astronômicas devido às características relativamente uniformes de seu brilho.
Se parte das fontes recém-identificadas estiver relacionada aos sistemas que produzem essas explosões, futuras observações poderão contribuir para compreender melhor sua formação.
Fonte
Olhar Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

