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Caso anti-spam cresce: bloqueio de ligações indesejadas provoca disputa entre operadoras e leva milhares de chamadas à análise da Anatel
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 04/08/2026 às 09:47
Ciência e Tecnologia
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Sistema disponível desde novembro de 2024 virou alvo de reclamações após empresas relatarem milhares de chamadas interrompidas, incluindo números de hospitais, órgãos públicos e serviços municipais.
Um serviço criado para impedir que chamadas indesejadas cheguem aos celulares dos consumidores passou a provocar uma disputa entre empresas de telefonia no Brasil. O “Vivo Anti-spam”, oferecido pela operadora desde novembro de 2024, começou a ser questionado depois que outras companhias relataram bloqueios de ligações consideradas legítimas.
Ao menos sete empresas apresentaram reclamações à Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel. Entre os casos relatados estão chamadas realizadas por hospitais, órgãos públicos, prestadores de serviços municipais e números autenticados por sistemas desenvolvidos justamente para aumentar a segurança das ligações.
A Vivo afirma que sua ferramenta identifica chamadas massivas, fraudulentas e realizadas com números adulterados antes que elas cheguem aos clientes. As empresas afetadas, por outro lado, sustentam que o filtro também estaria impedindo comunicações regulares.
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Vivo Anti-spam colocou critérios de bloqueio no centro da disputa entre operadoras
A principal discussão envolve os critérios utilizados pelo sistema para decidir quais chamadas devem ser interrompidas. Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, comparou o funcionamento do recurso aos filtros de spam utilizados em serviços de e-mail, nos quais mensagens legítimas também podem acabar classificadas incorretamente.
Segundo Tude, não existe um sistema anti-spam capaz de bloquear apenas aquilo que realmente deveria ser barrado. O especialista destacou que chamadas legítimas não podem ser impedidas e que a Anatel deverá estabelecer mecanismos capazes de reduzir esse tipo de ocorrência.
A TIM informou à agência que usuários de sua rede sofreram restrições consideradas indevidas. A operadora, contudo, recusou participação em uma reunião de conciliação e disse que não comentaria o assunto.
A Anatel abriu espaço para que a Vivo apresentasse sua defesa e passou a analisar os materiais encaminhados pelas empresas. A agência afirmou que busca uma interpretação coerente e aplicável aos diferentes casos, com atenção ao equilíbrio do setor e ao bem-estar dos consumidores.
Mais de 16 mil ligações foram interrompidas segundo reclamação apresentada à Anatel
A Adyl Telecom afirmou que mais de 16 mil chamadas foram interrompidas desde o início de junho por causa do sistema anti-spam da Vivo. Segundo a empresa, hospitais e órgãos públicos estavam entre os serviços atingidos pelos bloqueios.
A companhia também reclamou da falta de clareza sobre os critérios utilizados para classificar determinados números. Depois de procurar o canal de atacado da Vivo, a Adyl informou que conseguiu liberar a maior parte dos números afetados.
O volume apresentado pela empresa aumentou a pressão sobre a discussão envolvendo os filtros automáticos. O problema deixou de envolver apenas chamadas comerciais e passou a alcançar serviços considerados essenciais para o atendimento ao público.
Mais de 800 números da Prefeitura de Araçatuba também ficaram envolvidos no bloqueio
Outro caso levado à Anatel envolveu mais de 800 números utilizados pela Prefeitura de Araçatuba. A reclamação foi apresentada pela 3corp Technology, empresa responsável pela prestação de serviços de telefonia ao município.
Segundo a representação, as linhas eram utilizadas em atividades públicas nas áreas de saúde, segurança e educação. A 3corp afirmou que essas chamadas passaram a ser sistematicamente bloqueadas ou interrompidas pelo sistema da Vivo.
Nos primeiros contatos, a prestadora alegou que não recebeu uma alternativa considerada viável para resolver o problema. Em julho, a empresa informou que os números foram liberados após tratativas e voltaram ao funcionamento normal.
O caso demonstrou como um sistema criado para reduzir chamadas abusivas também pode gerar impactos quando números utilizados em serviços públicos entram nos critérios automáticos de bloqueio.
Chamadas autenticadas pelo Origem Verificada também foram questionadas por empresas
A discussão ganhou outro elemento quando Adyl e Agera Telecomunicações afirmaram à Anatel que números autenticados pelo Origem Verificada também teriam sido bloqueados. O sistema utiliza a tecnologia internacional STIR/SHAKEN para verificar a identidade de quem realiza uma ligação.
Durante a chamada, a tecnologia confere se o número utilizado pela empresa está registrado em um cadastro mantido pelas operadoras. O objetivo é dificultar fraudes e reduzir o uso de números falsificados.
Mesmo com essa autenticação, as empresas afirmaram que algumas chamadas continuaram sendo interrompidas. A Agera relatou ainda que recebe reclamações de clientes desde o início de junho sobre dificuldades para completar ligações destinadas a números da Vivo.
A empresa classificou o sistema como uma ferramenta de “degradação artificial de tráfego”. A Net2Phone Brasil também questionou o recurso e informou que aguarda uma reunião de conciliação mediada pela Anatel.
Ateky e Ágil Telecom também relataram dificuldades com chamadas destinadas à Vivo
A Ateky Internet e a Ágil Telecom afirmaram que o filtro também estaria impedindo chamadas legítimas originadas em suas redes.
As reclamações apresentadas por diferentes prestadoras fizeram a Anatel ampliar a análise sobre o funcionamento do sistema. A agência informou que pretende avaliar os materiais de maneira conjunta para construir uma posição que possa ser aplicada a situações semelhantes.
A existência de reclamações envolvendo diferentes empresas reforçou a discussão sobre a necessidade de critérios capazes de distinguir chamadas abusivas de comunicações legítimas sem comprometer serviços essenciais.
Vivo afirma que sistema foi testado com cerca de 700 mil usuários antes da expansão
Embora as reclamações tenham surgido com maior intensidade em junho, a Vivo afirma que oferece o serviço desde novembro de 2024. Antes de ampliar o recurso, a operadora informou que realizou uma fase experimental envolvendo aproximadamente 700 mil usuários.
Após esse período de testes, o Vivo Anti-spam foi expandido para sua base de números ativos. Em novas linhas administradas pela empresa, o serviço pode ser ativado automaticamente.
A ferramenta foi criada para impedir que chamadas automáticas, fraudulentas ou realizadas com números adulterados cheguem aos clientes. A operadora afirma que o objetivo principal é combater práticas que dificultam a identificação de quem realmente está fazendo a ligação.
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Caio Aviz
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Sistema analisa autenticação e comportamento do número antes de bloquear chamada
O funcionamento do Vivo Anti-spam ocorre em duas etapas, segundo a própria empresa. Primeiro, o sistema verifica se a ligação foi autenticada e, depois, analisa o perfil do número responsável pela chamada.
A Vivo afirma que ligações realizadas dentro das regras do serviço e do sistema STIR/SHAKEN não são bloqueadas. Segundo a companhia, o filtro busca atingir empresas responsáveis por chamadas massivas e sem identificação.
A operadora também afirma trabalhar para combater o spoofing, prática em que números falsos são utilizados para ocultar a verdadeira origem de uma ligação. Esse tipo de fraude pode fazer uma chamada parecer originada de um número diferente daquele realmente utilizado.
O combate ao spoofing aparece entre as justificativas apresentadas pela Vivo para manter o sistema ativo, enquanto outras empresas defendem mudanças nos critérios adotados pelo filtro.
Empresas podem pedir revisão e clientes conseguem desativar o Vivo Anti-spam
Os responsáveis por números afetados podem solicitar uma análise diretamente à Vivo. A operadora disponibiliza um procedimento para verificar os casos e avaliar a liberação das linhas que tenham sido classificadas pelo sistema.
Clientes que enfrentarem dificuldades para receber determinadas ligações também podem desativar o Vivo Anti-spam pelo aplicativo da operadora. A medida permite que o próprio usuário escolha se deseja continuar utilizando o bloqueio automático.
A Anatel continua analisando as reclamações apresentadas pelas empresas e a defesa encaminhada pela Vivo. O ponto central da discussão permanece o equilíbrio entre reduzir chamadas fraudulentas e preservar comunicações legítimas.
A disputa mostra como ferramentas automáticas de proteção podem gerar novos desafios para o setor de telecomunicações. Ao mesmo tempo em que consumidores buscam menos chamadas abusivas, empresas e órgãos públicos dependem de linhas telefônicas capazes de chegar ao destinatário sem bloqueios indevidos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

