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China vai levar “bolas” à Lua para captar sinais invisíveis da Terra
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 01/08/2026 às 18:51
Ciência e Tecnologia
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Equipamentos desenvolvidos pelo Africa2Moon serão espalhados pela superfície lunar para formar um pequeno conjunto de radioastronomia e testar tecnologias destinadas a futuros observatórios no lado oculto da Lua.
Uma missão chinesa prevista para 2029 deverá transportar três antenas esféricas desenvolvidas na África para captar sinais de rádio do espaço que são bloqueados, distorcidos ou fortemente prejudicados pela atmosfera e pelas interferências produzidas na Terra.
O experimento, chamado Africa2Moon, será levado pela Chang’e-8 até a região do polo sul lunar. As estruturas receberam o nome BALLS, sigla em inglês para Bounced African Low Lunar Spheres.
Cada esfera funcionará como uma antena de baixa frequência. Depois de distribuídos pela superfície, os três equipamentos trabalharão juntos, formando um pequeno conjunto de radioastronomia destinado principalmente a demonstrar a viabilidade da tecnologia.
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Chang’e-8 deve partir para a Lua em 2029
A Administração Espacial Nacional da China confirmou que a Chang’e-8 está programada para ser lançada por volta de 2029. A data ainda é uma previsão e poderá ser alterada conforme o desenvolvimento da missão.
A espaçonave deverá seguir para o planalto Leibnitz-Beta, situado na região do polo sul lunar. Ali, trabalhará em conjunto com a Chang’e-7 na realização de estudos científicos e experimentos relacionados ao aproveitamento de recursos encontrados na Lua.
Essas atividades devem contribuir para a futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar, iniciativa liderada pela China para criar uma estrutura científica permanente na região polar.
O Africa2Moon integra o grupo de projetos estrangeiros selecionados para viajar na missão. A CNSA informou que recebeu 41 propostas depois de oferecer até 200 quilos de capacidade para cargas internacionais.
Foram escolhidos dez projetos colaborativos, envolvendo instituições de 11 países e regiões e uma organização internacional. A relação inclui instrumentos de radioastronomia desenvolvidos pela África do Sul e pelo Peru.
Também foram selecionados veículos de exploração da Turquia e do Paquistão, equipamentos científicos da Rússia, Itália, Tailândia e Irã, além de um sistema de imagens desenvolvido conjuntamente por Bahrein e Egito.
Três esferas formarão conjunto de radioastronomia
O demonstrador africano será composto por três estruturas esféricas equipadas com pequenas antenas de baixa frequência. Elas deverão ser colocadas a distâncias da ordem de dezenas de metros umas das outras.
O formato esférico foi projetado para facilitar o transporte e a distribuição na superfície. A concepção atual apresenta uma armação formada por anéis interligados, com componentes eletrônicos e dois conjuntos triangulares de painéis solares em seu interior.
Depois da instalação, cada BALLS captará ondas de rádio. Os sinais serão encaminhados a uma unidade instalada no módulo da Chang’e-8 e, posteriormente, retransmitidos à Terra para processamento e análise.
Os três equipamentos precisarão determinar suas posições relativas com precisão. Essa informação será necessária para combinar os sinais registrados separadamente e fazer com que o conjunto funcione como um único instrumento.
Diferentemente de uma antena comum voltada para uma direção fixa, as estruturas foram concebidas para receber sinais provenientes de diferentes pontos do céu. O experimento avaliará como esse desenho se comporta no ambiente lunar.
Faixa abaixo de 20 MHz é difícil de observar da Terra
O Africa2Moon pretende trabalhar principalmente com sinais abaixo de 20 megahertz. Parte dessa faixa é bloqueada ou distorcida pela ionosfera, camada eletricamente carregada da atmosfera terrestre.
Transmissões de rádio, telecomunicações, satélites e outros sistemas humanos também produzem interferências. Por isso, determinadas ondas provenientes do espaço não podem ser observadas adequadamente por radiotelescópios instalados no solo.
A ausência de uma atmosfera significativa transforma a Lua em uma plataforma importante para esse tipo de pesquisa. O próprio satélite também pode funcionar como uma barreira física contra os sinais artificiais emitidos pela Terra.
A NASA estuda radiotelescópios lunares capazes de observar frequências entre aproximadamente 6 e 30 MHz. Essa faixa pode oferecer informações sobre períodos antigos do Universo que permanecem pouco explorados.
No caso do pequeno demonstrador africano, os objetivos iniciais incluem melhorar a caracterização do fundo galáctico e observar sinais associados ao Sol e à própria Terra.
O sistema também deverá produzir informações técnicas sobre alimentação elétrica, comunicação, distribuição das antenas e integração com um módulo lunar. Esses dados poderão orientar a construção de instrumentos maiores.
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Fabio Lucas Carvalho
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Equipamentos atuais ainda são modelos de teste
O projeto já avançou da documentação inicial para a fabricação de componentes físicos. Equipes africanas montaram modelos estruturais e funcionais das BALLS em abril de 2026.
Esses equipamentos não representam, necessariamente, as unidades definitivas que chegarão à Lua. Os modelos são utilizados para testar a estrutura, a eletrônica, a comunicação e a compatibilidade com os sistemas da Chang’e-8.
A fase de testes precisa demonstrar que as antenas poderão suportar vibrações e acelerações durante o lançamento. O sistema também enfrentará vácuo, menor gravidade e mudanças extremas de temperatura depois do pouso.
De acordo com o cronograma divulgado pelo Africa2Moon, o desenvolvimento do sistema final deverá ser concluído até agosto de 2027. A entrega do modelo de voo à China está planejada para o fim do mesmo ano.
O projeto é liderado pela Foundation for Space Development Africa e conta com uma equipe de especialistas voluntários.
Entre as instituições envolvidas estão o Observatório Sul-Africano de Radioastronomia, a Agência Espacial Nacional Sul-Africana e o Instituto Nacional de Ciências Teóricas e Computacionais.
A fabricação dos componentes dos modelos também recebeu contribuições da Petrawell, do Instituto de Pesquisa de Sistemas Aeroespaciais da Universidade de KwaZulu-Natal e do Laboratório de Sistemas Eletrônicos da Universidade de Stellenbosch.
Instituições e profissionais de países como Quênia, Gana e Botsuana também participam da iniciativa continental.
Primeiro conjunto será instalado no lado próximo
Embora o lado oculto da Lua seja considerado o ambiente mais protegido contra interferências terrestres, as três primeiras BALLS deverão ser instaladas no lado próximo da região polar.
O objetivo dessa etapa não é construir imediatamente um grande observatório, mas verificar se as antenas podem ser transportadas, espalhadas, alimentadas e operadas como um conjunto na superfície lunar.
O lado oculto permanece como destino planejado para uma etapa posterior. O Africa2Moon pretende, no futuro, instalar 55 antenas naquela região, simbolizando as nações africanas representadas pela iniciativa.
Esse observatório ampliado teria equipamentos maiores e distribuídos por uma área mais extensa. As antenas poderiam viajar dobradas e assumir o formato esférico somente depois da chegada.
A segunda missão, entretanto, ainda não possui lançamento confirmado. Sua realização dependerá de financiamento, conclusão das tecnologias necessárias e disponibilidade de outra oportunidade de transporte até a Lua.
Por enquanto, a prioridade é preparar as três esferas selecionadas para a Chang’e-8. Se o cronograma for mantido e o experimento funcionar, a missão abrirá uma nova etapa para a participação africana em pesquisas científicas realizadas diretamente na superfície lunar.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

