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O irmão mais velho de Benício Huck estuda administração numa universidade de Nova York onde o custo anual pode passar de US$ 100 mil somando moradia e alimentação, e essa mesma instituição aceita a nota do Enem na seleção
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 01/08/2026 às 18:49
Curiosidades
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O detalhe do Enem é o que tira a história do campo da fofoca e a coloca no campo da utilidade, porque muda o cálculo de quem nunca considerou se candidatar a uma universidade americana.
Enquanto o filho do meio da casa comemora a aprovação numa faculdade paulista, o mais velho já está em Nova York. Joaquim, filho de Luciano Huck e Angélica, cursa administração na New York University, a NYU.
O custo dessa escolha é de outra ordem de grandeza. Segundo estimativas da própria universidade para o ano acadêmico de 2026/2027, reproduzidas pelo Diário do Litoral, mensalidade e taxas acadêmicas podem passar de US$ 70 mil por ano, e o total anual pode superar US$ 100 mil quando se somam moradia, alimentação, livros, transporte e despesas pessoais.
Há, porém, um detalhe nessa história que interessa a quem não tem nada a ver com celebridade. A NYU aceita testes internacionais padronizados para compor a nota do candidato, e o Enem está entre eles, conforme reportagem da CNN Brasil assinada por Tamiris Gomes.
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Candidatar-se a uma universidade estrangeira, aliás, deixou de ser processo restrito a quem tem assessoria paga. Existem programas gratuitos de preparação para graduação no exterior que orientam o brasileiro na inscrição e na busca por financiamento.
Quem é o estudante e desde quando ele está lá
Joaquim é o mais velho dos três filhos do casal. Em reportagem publicada pela CNN Brasil em setembro de 2024, ele aparecia com 19 anos e com ingresso previsto para 2025 no curso de administração.
Publicações posteriores, como o Diário do Litoral, já o descrevem com 21 anos e matriculado na instituição. As duas informações são compatíveis, considerando o intervalo entre uma cobertura e outra.
O que chama atenção é a direção escolhida pelos dois irmãos. Nenhum deles seguiu comunicação, área em que os pais construíram a carreira: Joaquim foi para administração nos Estados Unidos e Benício foi para engenharia no Brasil.
O que forma a conta de US$ 100 mil por ano
Universidade americana não trabalha com o conceito de mensalidade que o brasileiro conhece. O valor divulgado é o custo de frequência, o cost of attendance, que reúne tudo o que o estudante vai gastar no ano letivo.
A primeira parte é a acadêmica, com anuidade e taxas obrigatórias, que já passariam de US$ 70 mil segundo as estimativas citadas. A segunda parte é a de vida, com moradia no campus ou fora dele, plano de alimentação, livros, transporte e despesas pessoais.
Comparando os dois números informados pela universidade, a diferença entre o custo acadêmico e o custo total chega perto de US$ 30 mil, e é aí que pesa a cidade. Manhattan, onde fica boa parte da NYU, é um dos endereços mais caros dos Estados Unidos para morar.
A porta do Enem que quase ninguém usa
O ponto mais útil dessa história está numa linha da política de admissão da universidade. A NYU aceita exames padronizados internacionais para compor a avaliação do candidato, e o Enem entra nessa lista, conforme a CNN Brasil.
Vale registrar o limite dessa informação. A reportagem não detalha nota mínima, peso do exame na decisão nem em que combinação com outros documentos ele é considerado, e essas condições precisam ser conferidas diretamente no processo seletivo do ano.
Ainda assim, o dado muda a percepção. A universidade se descreve no próprio site como líder em educação global, com mais alunos internacionais e mais alunos estudando no exterior do que qualquer outra instituição americana, o que ajuda a explicar por que ela aceita avaliação de outros países.
O modelo de seleção americano é diferente do vestibular
Quem vem do sistema brasileiro tende a imaginar uma prova única que classifica candidatos por nota, e não é assim que funciona na graduação americana.
A avaliação costuma ser de dossiê. Entram histórico escolar dos anos finais, cartas de recomendação, redação pessoal, atividades extracurriculares e, quando exigido, exame padronizado e comprovação de proficiência em inglês.
Isso significa que a nota do Enem não substitui o conjunto, ela entra como um dos componentes. Para o candidato brasileiro, o efeito prático é poder aproveitar uma prova que já fez, em vez de partir do zero num exame estrangeiro.
Existe caminho para quem não tem US$ 100 mil por ano
O valor da NYU descreve o preço de tabela, e uma parcela relevante dos estudantes internacionais não paga isso integralmente, porque o sistema americano trabalha com auxílio financeiro e bolsa por mérito.
O auxílio pode ser por necessidade financeira comprovada ou por desempenho acadêmico, e cada instituição define a própria política para candidato estrangeiro. A consequência é que o valor efetivamente pago varia muito de aluno para aluno dentro da mesma turma.
E há a rota da bolsa integral. Universidades americanas oferecem programas de bolsa que cobrem o curso inteiro para estudantes estrangeiros, e a disputa por elas é grande justamente porque o valor de tabela é alto.
A regra do visto muda em setembro
Quem está planejando estudar nos Estados Unidos precisa considerar uma mudança que já tem data. O Departamento de Segurança Interna americano publicou em 17 de julho de 2026 a regra final que encerra o chamado duration of status para os vistos F, J e I, de acordo com o portal Brasileiros nos Estados Unidos.
Até agora, esses vistos permitiam permanência vinculada à duração do curso, sem data fixa no documento. Pela nova regra, o visto de estudante passa a ter prazo determinado de até quatro anos ou o tempo do programa, o que for menor, com o prazo registrado no formulário I-94.
Ainda pela regra publicada pelo DHS, a norma entra em vigor 60 dias depois, em 15 de setembro de 2026, e o período de graça para deixar o país ao fim do curso cai de 60 para 30 dias. Na prática, quem quiser ficar mais tempo terá de pedir prorrogação ou sair e voltar ao país.
Os Estados Unidos não são o único destino
A mudança de regra de permanência é um dos fatores que costumam empurrar o estudante brasileiro a olhar para outros países, e a oferta é maior do que a percepção comum sugere.
O Reino Unido, por exemplo, mantém programas voltados a candidatos de fora, e há bolsas abertas a brasileiros de qualquer estado, com cobertura integral do curso.
Portugal, Alemanha, França e Canadá também recebem estudante brasileiro em condições distintas, com regras próprias de idioma, mensalidade e permanência. Comparar destino por custo total, e não só por prestígio, é o que costuma definir a decisão.
O que essa história diz sobre a conta da graduação
Colocando os dois irmãos lado a lado, aparece uma escala que o debate sobre educação raramente explicita. O curso de engenharia escolhido por Benício custa R$ 8.300 por mês, algo próximo de R$ 100 mil no primeiro ano, segundo o Alô Alô Bahia.
Uma graduação numa universidade de Nova York, somando vida e estudo, pode chegar a várias vezes esse valor conforme o câmbio do período. São dois patamares muito distantes, e nenhum deles é requisito para obter um diploma reconhecido.
O que fica de aproveitável para o leitor é a informação que estava escondida na história de celebridade: a prova que o estudante brasileiro já faz no fim do ensino médio pode ser usada numa candidatura internacional, e vale conferir essa possibilidade antes de descartar a ideia por causa do preço de tabela.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

