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Com 472 metros de altura, 245 mil m³ de concreto e 100 mil toneladas de aço, gigante é rebocado pelo oceano e afundado até quase 300 metros no Mar do Norte, onde passa de 1,2 milhão de toneladas para resistir durante décadas à força brutal das ondas e correntes
Escrito por Ana Alice
Publicado em 31/08/2026 às 15:20
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Construída para enfrentar décadas de forças do oceano, a Troll A revela como concreto, aço, flutuabilidade e peso foram combinados para instalar uma das maiores estruturas gravitacionais já colocadas no fundo do mar.
Vista acima da superfície, a Troll A parece uma plataforma offshore sustentada por enormes pilares.
A maior parte da obra, porém, desaparece sob o Mar do Norte.
A estrutura de concreto se prolonga por cerca de 300 metros de água até alcançar diretamente o leito marinho, onde permanece apoiada principalmente pelo próprio peso, sem depender do sistema convencional de grandes estacas ou de cabos de ancoragem.
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Esse tipo de construção é conhecido como gravity-based structure, ou GBS, estrutura baseada em gravidade.
O conceito transforma uma característica aparentemente simples — massa — em um dos principais elementos responsáveis pela estabilidade de uma instalação submetida durante décadas a ondas, correntes, vento e cargas operacionais.
A Troll A, instalada no campo de Troll, na costa da Noruega, levou essa solução a uma escala excepcional.
Segundo a Aker Solutions, responsável pelo projeto estrutural, a plataforma possui aproximadamente 472 metros de altura total, utilizou cerca de 245 mil metros cúbicos de concreto e aproximadamente 100 mil toneladas de aço de armadura.
Sem o lastro, a massa informada é de cerca de 683,6 mil toneladas.
Em condição operacional, a estrutura supera 1,2 milhão de toneladas.
Como a gravity-based structure permanece no fundo do mar
A ideia fundamental de uma GBS é diferente daquela encontrada em muitas plataformas fixas ou flutuantes.
O American Concrete Institute define esse tipo de instalação como uma estrutura maciça posicionada sobre o leito marinho e mantida essencialmente pelas forças verticais da gravidade, sem necessidade de ancoragem convencional.
Isso não significa simplesmente fabricar uma peça extremamente pesada e deixá-la no oceano.
Antes da instalação, engenheiros precisam conhecer a resistência e o comportamento do solo no local.
A base deve distribuir a enorme carga sem provocar assentamentos incompatíveis com o projeto.
Também é necessário verificar como a estrutura reagirá às forças horizontais produzidas pelo ambiente.
Enquanto o peso empurra a construção contra o fundo, a superfície de contato e a geometria da base ajudam a resistir ao deslizamento e ao tombamento.
No caso da Troll A, saias de concreto avançam para dentro do solo marinho e ajudam a estabilizar a fundação, solução que dispensa o uso de um sistema tradicional de estaqueamento ou ancoragem complexa.
Estrutura de concreto precisa flutuar antes de ser afundada
A parte mais curiosa desse processo acontece antes de a instalação atingir o fundo.
Uma estrutura que posteriormente terá centenas de milhares de toneladas precisa, durante parte da construção e do transporte, comportar-se como um gigantesco objeto flutuante.
Isso é possível porque a GBS não é um bloco maciço de concreto.
Sua base contém grandes volumes internos e compartimentos que deslocam água.
Enquanto esses espaços proporcionam flutuabilidade suficiente, a construção pode permanecer parcialmente submersa e ser movimentada.
O guia atualizado do American Concrete Institute para estruturas fixas offshore de concreto trata explicitamente das configurações temporárias de construção e instalação nas quais a estrutura utiliza flutuabilidade positiva antes de assumir sua condição definitiva sobre o fundo.
É essa característica que permite erguer grande parte da obra em locais relativamente protegidos, realizar etapas de montagem e depois rebocá-la para o campo offshore.
Quando chega ao destino, a lógica se inverte.
Água pode ser admitida de maneira controlada nos compartimentos de lastro.
A massa aumenta, a flutuabilidade diminui e a estrutura começa a descer.
Em projetos desse tipo, lastro permanente também pode fazer parte da configuração final.
Troll A foi instalada em cerca de 300 metros de água
A Troll A foi construída na Noruega durante a primeira metade da década de 1990.
A estrutura pertence à família de plataformas de concreto conhecida como Condeep, tecnologia desenvolvida para instalações offshore apoiadas diretamente no leito marinho.
Seu tamanho tornou a operação de transporte um evento de engenharia por si só.
A plataforma possui aproximadamente 472 metros de altura total, enquanto a estrutura de suporte em concreto mede centenas de metros.
No ponto de instalação, a lâmina d’água fica em torno de 300 metros.
Por isso, aquilo que aparece acima do mar representa apenas uma parte da construção.
Quatro grandes colunas de concreto ligam a base submarina ao conjunto superior.
Embaixo delas está a fundação responsável por transferir as cargas para o fundo.
A instalação ocorreu em 1995.
Desde então, a plataforma se tornou uma das referências mais conhecidas do conceito de estrutura gravitacional offshore.
Assista o vídeo
Troll A usou 245 mil metros cúbicos de concreto
Os números ajudam a dimensionar a obra.
A Aker Solutions informa que foram empregados aproximadamente 245 mil metros cúbicos de concreto e cerca de 100 mil toneladas de aço de reforço na Troll A.
A massa sem lastro é estimada pela empresa em aproximadamente 683,6 mil toneladas.
Depois da instalação e da configuração operacional, o peso passa de 1,2 milhão de toneladas.
Esse aumento é fundamental para compreender o princípio de funcionamento.
Durante o transporte, interessa aos engenheiros preservar flutuabilidade suficiente para movimentar a estrutura.
Depois que ela chega ao ponto definitivo, a prioridade muda completamente.
O objetivo passa a ser aumentar a estabilidade e manter a enorme fundação pressionada contra o fundo durante toda a vida operacional.
Peso não é suficiente para enfrentar todas as forças do oceano
Embora o próprio nome destaque a gravidade, uma GBS precisa enfrentar cargas muito mais complexas do que seu peso vertical.
Ondas e correntes exercem esforços laterais.
O vento atua sobre a parte da instalação que permanece acima da água.
Equipamentos de produção, tubulações, instalações e pessoas acrescentam outras cargas.
A pressão hidrostática varia conforme a profundidade.
Além disso, situações extremas precisam ser consideradas no dimensionamento.
O American Concrete Institute inclui entre os elementos de projeto das estruturas offshore cargas ambientais, acidentais e condições relacionadas a ondas, vento, gelo e terremotos, conforme o local da instalação.
O concreto utilizado também não trabalha sozinho.
Grandes quantidades de aço de armadura e, conforme o projeto, sistemas de protensão são empregados para controlar tensões, resistir à flexão e limitar fissuras.
A geometria é cuidadosamente calculada para que as cargas sejam transferidas entre paredes, células, pilares e fundação.
Solo marinho também define a estabilidade da plataforma
Uma das partes menos visíveis da engenharia está abaixo da própria plataforma.
Antes de construir uma GBS, é necessário investigar o leito marinho.
Uma fundação com centenas de milhares de toneladas não pode ser instalada sobre qualquer tipo de solo sem análise detalhada.
A pressão aplicada precisa permanecer dentro dos limites aceitáveis.
Os engenheiros também avaliam possíveis deformações, erosão ao redor da base e movimentos diferenciais que poderiam alterar a inclinação da estrutura.
Dependendo das condições, a preparação do local pode exigir nivelamento, remoção de material, colocação de camadas específicas ou medidas para impedir que correntes removam sedimentos ao redor da fundação.
Na Troll A, as saias da base penetram no leito marinho, ampliando a estabilidade da instalação.
Assista o vídeo
Troll A continua em operação três décadas depois
A escala da construção não pertence apenas à história da engenharia.
A Troll A continua em operação em 2026, cerca de três décadas depois de sua instalação.
A Equinor, atual operadora, informa que a subestrutura gravitacional foi projetada para uma vida produtiva de 70 anos.
Em 22 de agosto de 2026, começou a produção de uma nova etapa submarina do projeto Troll Phase 3, conectada à infraestrutura da Troll A.
Segundo a companhia, o desenvolvimento busca acelerar a produção de 55 bilhões de metros cúbicos padrão de gás do reservatório Troll West.
A atualização ajuda a dimensionar a longevidade esperada quando uma construção desse porte é projetada.
A mesma base de concreto instalada no fundo do Mar do Norte em 1995 continua integrada a novos projetos mais de 30 anos depois.
Sob a superfície, ela permanece apoiada no princípio que tornou possível sua instalação: primeiro, uma estrutura com espaços internos suficientemente flutuante para ser construída e transportada; depois, um gigante lastreado e assentado no leito marinho, transformando centenas de milhares de toneladas de concreto, aço e lastro em resistência contra um oceano que nunca deixa de se mover.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

