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Como o Brasil consegue produzir 42 mil toneladas de carne de frango por dia, abater bilhões de aves por ano e ainda liderar as exportações mundiais
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 29/08/2026 às 22:27
Atualizado em 29/08/2026 às 22:51
Agronegócio
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Com 15,289 milhões de toneladas produzidas em 2025, o Brasil mantém uma cadeia integrada de grãos, genética, granjas, frigoríficos e logística que sustenta o posto de maior exportador mundial de carne de frango no planeta
O Brasil produziu 15,289 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, volume equivalente a aproximadamente 41,9 mil toneladas por dia. Maior exportador mundial e terceiro maior produtor da proteína, o país sustenta essa escala com uma cadeia que conecta grãos, genética, granjas integradas, frigoríficos, logística e controle sanitário.
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Produção de carne de frango começa nas lavouras de milho e soja
Antes de chegar às granjas, a produção de carne de frango depende diretamente da alimentação das aves.
Milho e soja estão entre os principais ingredientes utilizados nas rações e influenciam uma parcela relevante dos custos da atividade.
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A escala brasileira ganhou força justamente ao lado de uma grande estrutura de produção de grãos. Disponibilidade, preço e logística de milho e farelo de soja, portanto, interferem diretamente na competitividade dos produtores e das agroindústrias.
Uma quebra na safra de milho, aumento das cotações ou problemas de transporte podem chegar rapidamente ao custo do quilo de frango produzido.
Outro componente decisivo é a eficiência das próprias aves. A Embrapa atribui os ganhos acumulados pela avicultura ao avanço conjunto de genética, nutrição, sanidade e modernização das granjas.
Como referência tecnológica, aves industriais podem atingir aproximadamente 2,45 quilos aos 42 dias, com conversão próxima de 1,8 quilo de ração para cada quilo de peso ganho.
O rápido crescimento, portanto, está associado a décadas de melhoramento das linhagens, formulação das rações, controle ambiental, ventilação, aquecimento, manejo, biosseguridade e acompanhamento sanitário.
Essas etapas trabalham em conjunto. Melhorias aparentemente pequenas ganham outra dimensão quando aplicadas a uma cadeia responsável por bilhões de animais ao longo de um único ano.
Sistema integrado organiza granjas, ração, transporte e frigoríficos
Grande parte da avicultura brasileira funciona por meio de sistemas de integração entre produtores e agroindústrias.
Nesse modelo, diferentes etapas são coordenadas para manter um fluxo contínuo entre alojamento das aves e processamento industrial.
Em linhas gerais, o produtor integrado disponibiliza instalações, mão de obra e manejo conforme o modelo contratual, enquanto a indústria coordena diferentes partes da cadeia produtiva.
Isso permite planejar alojamentos, fornecimento de ração, assistência técnica, retirada dos lotes, transporte e abate.
Enquanto algumas aves estão chegando aos frigoríficos, outros lotes encontram-se em diferentes fases de criação e novos pintinhos entram no sistema. Incubatórios, fábricas de ração, propriedades, equipes de apanha, caminhões e linhas industriais precisam seguir essa programação.
O governo federal, ao mapear a cadeia de proteínas animais, aponta o elevado grau de integração entre criadores e agroindústrias como um dos diferenciais da produção brasileira de frango.
É essa organização que permite transformar inúmeras operações realizadas diariamente em um volume anual superior a 15 milhões de toneladas.
Os números do IBGE mostram a dimensão desse processo. Em 2025, 6,69 bilhões de frangos foram abatidos no país, crescimento de 3,1% sobre 2024 e recorde da série histórica iniciada em 1997.
Foram aproximadamente 201 milhões de aves adicionais em apenas um ano. Dividindo o total anual pelos 365 dias, a escala equivale a uma ordem de grandeza próxima de 18 milhões de aves diariamente.
Essa conta não representa o número efetivamente processado em cada jornada, já que os frigoríficos não funcionam de maneira uniforme durante todos os dias do ano. Ela serve para dimensionar o tamanho da cadeia.
Exportação de carne de frango supera 5,3 milhões de toneladas
A escala produtiva também aparece no comércio internacional. Segundo o Relatório Anual 2026 da Associação Brasileira de Proteína Animal, a ABPA, o Brasil exportou 5,324 milhões de toneladas de carne de frango em 2025.
Os embarques renderam US$ 9,8 bilhões e mantiveram o país na posição de maior exportador mundial da proteína.
Considerando as 15,289 milhões de toneladas produzidas no período, aproximadamente 35% da produção brasileira teve como destino o mercado externo.
A maior parcela, portanto, ficou disponível para o mercado doméstico, que também representa uma importante frente comercial. O consumo brasileiro chegou a 46,7 quilos de carne de frango por habitante em 2025, segundo a ABPA.
O acesso aos mercados estrangeiros, porém, depende de uma estrutura que vai além da capacidade industrial.
O Ministério da Agricultura regulamenta e controla mercadorias de origem animal destinadas à exportação e realiza a certificação relacionada à qualidade e à segurança sanitária.
Dependendo do destino, os frigoríficos brasileiros também precisam cumprir exigências adicionais dos países compradores, incluindo habilitações específicas dos estabelecimentos.
Assim, ter compradores interessados não é suficiente. A venda depende também de autorização sanitária e do cumprimento das regras exigidas para que determinado produto possa entrar no mercado de destino.
Exportações avançaram no primeiro semestre de 2026
A atividade continuou apresentando números elevados em 2026. Somente em junho, o Brasil exportou 482,8 mil toneladas de carne de frango, considerando produtos in natura e processados.
O resultado representou crescimento de 40,6% diante das 343,4 mil toneladas registradas em junho de 2025.
A receita mensal chegou a US$ 985,5 milhões, avanço de 54,7% na comparação anual. Com esse desempenho, o primeiro semestre de 2026 registrou o melhor resultado da história das exportações brasileiras do setor em volume e receita.
Para 2026, a ABPA trabalha com uma produção que pode chegar a 15,6 milhões de toneladas.
Manter esse volume exige que toda a cadeia continue conectada. É necessário produzir e transportar milho e soja, fabricar ração, coordenar as granjas, manter biosseguridade, transportar aves e operar frigoríficos em grande escala.
Depois do processamento, entram ainda cadeia de frio, exigências sanitárias, transporte e logística necessária para levar o produto aos consumidores brasileiros ou aos mercados internacionais.
Assim, as aproximadamente 42 mil toneladas diárias que correspondem à produção média de 2025 não saem de uma única estrutura industrial.
Elas resultam de uma cadeia que começa nos grãos e passa por genética, nutrição, produtores integrados, frigoríficos e logística.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Embrapa, IBGE, Ministério da Agricultura e governo federal, presentes no artigo do Compre Rural, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.comprerural.c
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

