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Conhecida como paraíso dos idosos, cidade do litoral brasileiro abriga 107 centenários, aparece entre as maiores qualidades de vida do país e ostenta o maior jardim de praia do mundo, com 5,3 km, 1.800 árvores e 1.300 canteiros reconhecidos pelo Guinness
Escrito por Ana Alice
Publicado em 04/08/2026 às 23:52
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Entre o jardim recordista, a forte presença de idosos e a rotina de uma cidade portuária, Santos reúne números que ajudam a explicar por que envelhecimento, qualidade de vida e litoral aparecem tão próximos.
Em Santos, envelhecer perto do mar não é apenas uma imagem associada a aposentadoria e férias.
Uma em cada quatro pessoas que vivem no município tem 60 anos ou mais, enquanto 107 moradores já haviam alcançado ou superado um século de vida quando o Censo 2022 foi realizado.
Entre os centenários, a presença feminina é predominante: eram 91 mulheres e 16 homens.
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Esses números ajudam a explicar por que a cidade do litoral paulista costuma aparecer em discussões sobre longevidade, envelhecimento ativo e locais procurados por quem deseja manter uma rotina urbana sem se afastar da praia.
A paisagem reforça essa imagem.
Entre os edifícios e a faixa de areia está um jardim com 5,3 quilômetros de extensão e 218,8 mil metros quadrados, reconhecido pelo Guinness World Records como o maior jardim frontal de praia do mundo.
O corredor verde reúne 1.800 árvores, 1.300 canteiros e mais de 70 espécies ornamentais.
População idosa já representa 25% dos moradores de Santos
Localizada a cerca de 70 quilômetros da capital paulista, Santos tinha 418.608 habitantes no Censo 2022.
A estimativa do IBGE para 2025 elevou esse total para aproximadamente 429,5 mil pessoas, abaixo dos 433 mil moradores mencionados no texto-base.
Mais do que o tamanho da população, chama atenção sua composição.
Cerca de 25% dos moradores têm 60 anos ou mais, uma das maiores proporções entre os municípios brasileiros de grande porte.
Santos também apresenta a maior participação feminina do país: as mulheres correspondem a 54,68% da população, de acordo com o Censo 2022.
A predominância de mulheres se torna ainda mais evidente nas faixas etárias avançadas.
Dos 107 moradores com 100 anos ou mais identificados pelo levantamento, apenas 16 eram homens.
O dado não permite apontar uma causa específica para a longevidade local, mas ajuda a dimensionar o perfil demográfico da cidade.
Praia, clima, serviços e áreas para caminhar podem influenciar a escolha de onde morar, porém não são suficientes para explicar por que alguém chega aos 100 anos.
Longevidade envolve condições de saúde, renda, genética, alimentação, relações sociais e acesso a atendimento, entre outros fatores.
Jardim da orla acompanha a rotina de moradores e visitantes
O maior símbolo dessa vida ao ar livre ocupa a frente das praias de Santos.
Reconhecido pelo Guinness em 1999, o jardim recordista atravessa diferentes bairros e é separado pelos canais que marcam o desenho urbano do município.
Na prática, trata-se de um corredor entre a areia e a avenida, acompanhado por calçadão, ciclovia, monumentos e equipamentos públicos.
Moradores usam a região para caminhar, pedalar, descansar, praticar exercícios ou simplesmente permanecer diante do mar.
Os números ajudam a revelar o que não cabe em uma única fotografia.
Ao longo do jardim estão 1.300 canteiros, mais de 70 espécies ornamentais e cerca de 1.800 árvores, além de floreiras, vasos e diferentes tipos de folhagens adaptadas às condições da orla.
A vegetação precisa conviver com vento, maresia, salinidade e exposição constante ao sol.
Por isso, as espécies não são distribuídas apenas por critérios visuais.
A resistência de cada planta às condições próximas da praia também interfere na escolha do local onde ela será cultivada.
O projeto paisagístico começou a tomar forma a partir de ideias apresentadas pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito em 1914.
A implantação avançou na década de 1930 e recebeu alterações ao longo dos anos, incluindo a ciclovia construída no início dos anos 2000.
Programas acompanham o envelhecimento da população
O peso da população acima dos 60 anos também aparece na organização dos serviços municipais.
Santos mantém programas de esporte, convivência, inclusão digital e estímulo cognitivo voltados a esse público, embora a oferta, as vagas e os horários possam mudar ao longo do ano.
Entre as iniciativas está o Cérebro Ativo, que utiliza jogos e atividades de raciocínio para trabalhar memória, inclusão digital e interação entre gerações.
Outro programa, chamado Movimente-se, oferece dança sênior em unidades de saúde da cidade.
Um espaço destinado a atividades para idosos também foi reaberto na Ponta da Praia, com previsão de receber ações como Walking Futebol e Vibra Vida durante o primeiro semestre de 2026.
A proposta é ampliar oportunidades de movimento e convivência em uma região próxima à orla.
Em 2024, Santos ainda passou a integrar o programa federal Envelhecer nos Territórios.
O levantamento foi planejado para ouvir cerca de 4,5 mil pessoas e identificar necessidades relacionadas a direitos, segurança e condições de vida, oferecendo dados para futuras políticas públicas.
Essas iniciativas não transformam automaticamente a cidade em um ambiente sem dificuldades para a população idosa.
Mobilidade, acessibilidade, custo da moradia, segurança, atendimento público e desigualdade entre bairros continuam sendo fatores relevantes ao avaliar as condições reais de envelhecimento.
Sexto lugar no IDHM usa dados do Censo de 2010
Santos aparece com índice de 0,840 no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.
O resultado colocou o município na sexta posição nacional e na faixa classificada como de desenvolvimento humano muito alto.
Esse número reúne indicadores de longevidade, educação e renda.
O índice continua sendo usado como referência histórica para comparar municípios, mas não deve ser interpretado isoladamente como prova definitiva de que Santos possui, no presente, a melhor qualidade de vida entre todas as cidades litorâneas do Brasil.
Indicadores médios também não mostram todas as diferenças existentes dentro de um município.
Duas pessoas que vivem na mesma cidade podem ter experiências muito distintas conforme renda, bairro, idade, acesso a serviços e condições da moradia.
Ainda assim, a combinação de IDHM elevado, forte presença de idosos, estrutura urbana consolidada e proximidade com a capital paulista ajuda a entender por que Santos ganhou visibilidade entre cidades associadas à longevidade.
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História de Santos começou antes dos jardins da orla
A cidade completou 480 anos em 26 de janeiro de 2026.
A fundação é atribuída a Brás Cubas, que estabeleceu a vila em 1546 em uma região protegida pelo estuário e conectada às rotas que levavam ao planalto paulista.
O crescimento urbano ficou ligado ao porto.
Durante o ciclo do café, Santos se tornou o principal caminho de saída da produção paulista, enquanto armazéns, ferrovias, casas comerciais e serviços financeiros passaram a ocupar a região central.
A Bolsa Oficial do Café, inaugurada em 1922, funciona atualmente como Museu do Café.
O prédio preserva a antiga sala de pregão e elementos decorativos relacionados ao período em que as negociações do produto movimentavam a economia local.
Perto dali, os bondes turísticos percorrem ruas e construções do centro histórico.
O roteiro passa pela região do Valongo, onde também está o Museu Pelé, instalado em antigos casarões restaurados.
Mais próximo da orla, o Aquário Municipal, o Orquidário, a Vila Belmiro e o Monte Serrat ampliam as opções de passeio.
Essa concentração permite combinar praia, áreas verdes, história e equipamentos culturais sem percorrer longas distâncias dentro da parte insular.
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Porto de Santos sustenta outra face da cidade
Enquanto o jardim representa a imagem de descanso e lazer, o Porto de Santos revela uma rotina de navios, terminais, trens, caminhões e cargas.
O complexo é oficialmente apresentado como o maior porto da América Latina, e não de toda a América.
Em 2025, o porto atingiu um recorde anual de 186,4 milhões de toneladas movimentadas.
A operação conecta o Brasil a centenas de destinos e responde por aproximadamente 30% das trocas comerciais brasileiras, segundo a Autoridade Portuária de Santos.
Soja, açúcar, café, contêineres, fertilizantes e produtos industrializados passam por seus terminais.
A atividade portuária movimenta empregos, empresas de logística e serviços, mas também impõe desafios ligados a trânsito, ocupação urbana, poluição e convivência entre a cidade e a infraestrutura de cargas.
Esse contraste é uma das características mais particulares de Santos.
Em poucos quilômetros, o município reúne um porto de alcance internacional, edifícios residenciais, praias, jardins, museus e uma população com perfil etário mais envelhecido que o de grande parte do país.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

