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Depois de 18 meses de testes, Florianópolis transforma ostras em latas de até R$ 99,23, cria produção pioneira no Brasil com apoio da UFSC e encontra nova saída para turistas e maricultores diante das oscilações do clima
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 08/08/2026 às 14:43
Atualizado em 08/08/2026 às 14:44
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Produção inédita no país transforma ostras, mexilhões, lulas e polvos em enlatados, amplia a comercialização e tenta reduzir os efeitos das instabilidades da maricultura.
Uma iniciativa desenvolvida em Florianópolis abriu uma nova frente para a maricultura catarinense e para a gastronomia ligada aos frutos do mar.
A cidade passou a contar com uma produção pioneira de ostras em lata no Brasil, criada após aproximadamente 18 meses de pesquisas e testes.
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participaram do desenvolvimento para definir os procedimentos necessários à segurança sanitária dos produtos.
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O projeto também busca ampliar as opções de comercialização em um setor que enfrenta períodos de excesso e escassez provocados pelas variações da produção.
Santa Catarina responde atualmente por 98% da produção brasileira de ostras e mariscos.
Florianópolis possui uma relação histórica com essa atividade.
A maricultura foi introduzida na capital catarinense durante a década de 1980 e, desde então, passou a movimentar a economia local.
A atividade também estimula o turismo e gera renda para centenas de famílias.
Chef teve a ideia de colocar a experiência gastronômica dentro de uma lata
A proposta surgiu com o chef Helton Costa, que atua em Florianópolis.
O objetivo era criar uma forma de permitir que visitantes levassem para casa um produto relacionado à culinária catarinense.
A lata pode ser consumida depois da viagem ou utilizada como presente e lembrança da passagem pelo estado.
Helton Costa avalia que muitos turistas já associam Santa Catarina à produção de frutos do mar.
A possibilidade de transportar o alimento enlatado passou, então, a representar uma nova alternativa de consumo.
O projeto exigiu aproximadamente um ano e meio de desenvolvimento antes de chegar ao mercado.
Pesquisadores e chefs atuaram em etapas diferentes durante esse processo.
Os cientistas concentraram o trabalho na esterilização e nos aspectos microbiológicos.
Os profissionais da cozinha ficaram responsáveis por preservar textura, sabor e aparência dos frutos do mar.
O método inicialmente desenvolvido para ostras e mexilhões também passou a ser utilizado em lulas, polvos e bacalhau.
UFSC definiu temperatura, pressão e resfriamento para garantir segurança sanitária
A fabricação começa com a classificação dos produtos.
O alimento passa depois pelo aquecimento e pela pesagem antes de chegar às embalagens.
A etapa final ocorre quando os frutos do mar já estão dentro das latas.
Uma máquina realiza a esterilização dos produtos.
Pesquisadores da UFSC estabeleceram parâmetros específicos de temperatura, pressão e resfriamento para cada tipo de enlatado.
O cuidado é considerado essencial porque esses alimentos permanecem armazenados por períodos mais longos.
O pesquisador Giustino Tribuzi, da UFSC, explica que os produtos precisam ficar livres de microrganismos capazes de se desenvolver durante o armazenamento.
A definição desses parâmetros passou a ser um dos principais pontos do processo de produção.
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Viviane Alves
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Primeira indústria de ostras e mexilhões enlatados do Brasil funciona em Florianópolis
A empresa responsável pelos produtos está localizada no bairro Saco Grande, em Florianópolis.
O estabelecimento recebeu certificação do Serviço de Inspeção Municipal de Florianópolis.
O órgão verifica se produtos de origem animal fabricados no município seguem os padrões exigidos de qualidade e segurança alimentar.
A Prefeitura de Florianópolis classifica o empreendimento como a primeira indústria de ostras e mexilhões enlatados do país.
Os produtos já chegaram ao mercado.
As latas custam entre R$ 79,12 e R$ 99,23, dependendo do tipo de fruto do mar.
As opções disponíveis incluem ostras, mexilhões, lulas e polvos.
Enlatados podem ajudar maricultores em períodos de excesso e escassez
A produção em lata também pode ajudar a enfrentar um dos principais desafios da maricultura.
As oscilações climáticas podem provocar períodos de grande oferta e momentos de forte redução na quantidade de ostras.
A industrialização cria uma alternativa para ampliar as formas de aproveitamento e comercialização desses produtos.
O pesquisador Felipe Suplicy, da Epagri, destaca que a diversificação de produtos e embalagens pode agregar valor à produção.
Novos formatos também podem permitir o acesso a mercados diferenciados.
A importância dessa alternativa ganhou força em abril de 2026.
O setor enfrentou naquele período uma crise histórica relacionada às mudanças climáticas.
Especialistas apontaram o aumento da temperatura da água do mar como a principal causa do problema.
Maricultura catarinense encontra uma nova etapa de industrialização
A produção de ostras enlatadas cria uma forma diferente de comercializar um dos alimentos mais ligados à gastronomia de Florianópolis.
O novo formato também oferece aos turistas a possibilidade de transportar o produto com maior facilidade depois da viagem.
Os maricultores, por outro lado, ganham uma alternativa de diversificação diante das oscilações naturais da atividade.
A iniciativa une gastronomia, pesquisa científica e industrialização em uma região responsável pela maior parte da produção brasileira de ostras e mariscos.
Florianópolis passa, assim, a transformar um alimento tradicionalmente associado ao consumo fresco em um produto capaz de chegar a outros mercados.
Fontes mencionadas: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Prefeitura de Florianópolis, Serviço de Inspeção Municipal, Epagri, Giustino Tribuzi, Felipe Suplicy e Helton Costa.
Você levaria uma lata de ostras de Florianópolis como lembrança de viagem ou prefere consumir frutos do mar apenas frescos?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

