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Depois de quase quatro décadas em um circo, última elefanta de Portugal viaja três horas e se torna a primeira moradora de santuário de 402 hectares, onde descobre banhos de lama e liberdade
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 21/08/2026 às 22:12
Atualizado em 21/08/2026 às 22:13
Meio Ambiente
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Julie, última elefanta de circo de Portugal, deixou o picadeiro após quase quatro décadas e virou a primeira moradora de um santuário de 402 hectares, onde explora a natureza e toma banhos de lama em liberdade.
Depois de quase quatro décadas ligadas ao circo, a elefanta africana Julie atravessou uma viagem de cerca de três horas para chegar a um lugar onde pode escolher o próprio ritmo. No Alentejo, ela se tornou a primeira moradora do santuário Pangea, uma reserva de 402 hectares criada para receber animais que passaram anos em cativeiro.
Uma filhote retirada da África acabou em um circo português
Julie nasceu no continente africano e foi retirada da natureza quando ainda era filhote. Sua origem exata não aparece nos registros divulgados pelo santuário, mas a organização informa que ela chegou a Portugal ainda jovem e entrou para o circo Víctor Hugo Cardinali em 1988.
A partir daquele momento, sua rotina passou a acompanhar a estrutura e o calendário dos espetáculos. Durante décadas, ela viveu sob cuidados humanos e participou de apresentações que pertenciam a uma época em que animais selvagens ainda integravam circos em vários países europeus.
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O perfil oficial de Julie informa que ela pesa aproximadamente 3 mil quilos, mede cerca de 3,5 metros e está na faixa dos 40 anos. A mesma documentação descreve aproximadamente quatro décadas em cativeiro, com mais de 30 anos ligados às apresentações circenses.
A morte de Samba deixou Julie sem a companhia de outra elefanta
Ao longo dos anos, Julie dividiu parte da vida com outros elefantes. Entretanto, esses animais foram transferidos ou morreram, até que sua última companheira, chamada Samba, também morreu em 2024.
Com isso, Julie ficou sozinha. Para uma espécie reconhecida pelos vínculos sociais, a ausência de outros animais tornou ainda mais importante a procura por um espaço capaz de oferecer não apenas tratamento veterinário, mas também a possibilidade de convivência futura.
A legislação portuguesa já havia determinado o fim da utilização de animais selvagens nos circos. No entanto, colocar essa mudança em prática exigia encontrar destinos adequados, especialmente para animais grandes, idosos e acostumados havia décadas a uma rotina controlada.
Faltava um destino preparado para receber a última elefanta do país
Mesmo depois de se afastar das apresentações, Julie permaneceu sob os cuidados da família Cardinali. O problema não era simplesmente transportar uma elefanta: era encontrar um local com estrutura, profissionais especializados e condições de acolhimento pelo restante de sua vida.
As conversas entre o santuário Pangea e os responsáveis pelo circo começaram em 2025. Em maio de 2026, as instituições divulgaram um acordo voluntário para viabilizar a mudança.
O diretor Víctor Hugo Cardinali afirmou, em comunicado conjunto, que a decisão envolvia uma integrante presente na rotina da família havia muitos anos. Segundo ele, a possibilidade de acompanhar a transição e participar do planejamento foi importante para que a transferência pudesse acontecer.
A diretora do santuário, Kate Moore, destacou que encontrar soluções em parceria com circos, zoológicos e autoridades faz parte da proposta da instituição. Dessa forma, animais que já não podem permanecer nesses locais encontram uma alternativa planejada e supervisionada.
Depois de três horas de viagem, Julie encontrou um habitat natural
A transferência exigiu preparação, avaliações de saúde e acompanhamento especializado. Segundo reportagem da Good News Network, o trajeto entre a antiga estrutura do circo e o novo destino levou aproximadamente três horas.
Quando a viagem terminou, Julie entrou no santuário Pangea, localizado na região do Alentejo, entre áreas associadas aos municípios de Vila Viçosa e Alandroal. O comunicado oficial de chegada foi divulgado em 2 de julho de 2026.
A reserva possui 402 hectares, dimensão equivalente a aproximadamente mil acres. O espaço foi desenvolvido para receber elefantes que necessitam de uma alternativa permanente depois de anos em circos, zoológicos ou outras estruturas de cativeiro.
A chegada transformou Julie na primeira moradora do santuário. Ela também era o último animal selvagem mantido em um circo português, segundo o comunicado divulgado pela própria organização responsável pelo acolhimento.
Banhos de areia e lama marcaram os primeiros momentos no santuário
Os primeiros registros mostraram Julie explorando o ambiente e jogando areia sobre o próprio corpo. A organização World Animal Protection também relatou que ela começou a caminhar pelo habitat, procurar alimento e experimentar banhos de lama.
Esses comportamentos fazem parte da rotina natural dos elefantes. A lama e a poeira ajudam na proteção e no cuidado da pele, enquanto a possibilidade de explorar diferentes áreas permite que o animal escolha momentos de descanso, deslocamento e alimentação.
A adaptação acontece gradualmente e sob acompanhamento da equipe. Isso significa que a elefanta não foi simplesmente solta em toda a reserva de uma vez: a abertura de espaços e a exploração do terreno respeitam seu comportamento e suas necessidades físicas.
O santuário também acompanha questões relacionadas às articulações e à mobilidade. De acordo com o perfil institucional, Julie precisa de atenção específica após uma longa vida em cativeiro, incluindo cuidados regulares com as patas e monitoramento veterinário.
Kariba poderá fazer companhia a Julie quando estiver pronta para viajar
A expectativa do Pangea é que Julie não permaneça sozinha. Outra elefanta africana, chamada Kariba, também está prevista para chegar ao santuário depois de viver isolada em um zoológico da Bélgica.
A transferência, porém, ainda depende das condições de saúde de Kariba. A instituição informou que a viagem foi adiada porque ela apresentou um abscesso em uma das patas e precisava se recuperar antes de enfrentar o deslocamento com segurança.
Por isso, as organizações envolvidas tratam a convivência futura como uma possibilidade, não como um fato já realizado. Quando houver liberação veterinária e estrutura adequada, a chegada de outra elefanta poderá ampliar a oportunidade de interação social dentro do santuário.
O Pangea também mantém conversas com outras instituições europeias. O objetivo é oferecer acolhimento permanente a elefantes que precisam deixar circos ou zoológicos e não encontram alternativas compatíveis com seu tamanho, comportamento e necessidades de saúde.
O acolhimento encerrou um capítulo dos circos portugueses
A história de Julie mostra que proibir o uso de animais selvagens não resolve, sozinha, o destino daqueles que passaram a vida em cativeiro. A mudança depende de áreas preparadas, equipes treinadas, financiamento e acordos que permitam transferências seguras.
Antes dela, a organização também participou da transferência de Sona, identificada como a última tigresa mantida em um circo português. Julie representava a etapa final desse processo, por ser o último animal selvagem ainda ligado a uma estrutura circense no país.
Hoje, a elefanta pode explorar o ambiente no próprio ritmo, receber acompanhamento especializado e experimentar comportamentos que ajudam na adaptação ao novo espaço. Depois de uma vida marcada por apresentações e pela perda da companheira, o santuário passou a representar uma alternativa de cuidado de longo prazo.
Você acha que animais que passaram décadas em circos e zoológicos deveriam ter prioridade na criação de santuários especializados? Deixe sua opinião nos comentários.
Fontes
Our First Elephant Has Arrived at Pangea
Elephant Profile – Julie
Portugal’s Last Circus Elephant is Coming to Pangea
Born Free-backed elephant sanctuary welcomes first arrival
Goodbye to the circus: Julie begins her new life at Pangea
Portugal’s last circus elephant finds refuge in Alentejo sanctuary
Last Circus Elephant in Portugal Can Now Romp-and-Roll on 1000-Acre Sanctuary
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

