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Depois de viver 16 anos nas ruas de Patos de Minas, homem estuda por quatro meses em bancos de praça, faz 26 de 30 pontos, conquista o 1º lugar em concurso para coveiro e planeja usar o primeiro salário para finalmente alugar uma casa
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/08/2026 às 22:48
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Depois de anos vivendo nas ruas, um homem encontrou nos estudos para concurso público uma oportunidade de mudar a própria rotina, mesmo sem estrutura convencional de preparação. Meses de dedicação em espaços públicos terminaram em uma pontuação expressiva, primeiro lugar e novos planos de moradia.
Valter Fonseca dos Santos passou 16 anos vivendo nas ruas de Patos de Minas, em Minas Gerais, antes de alcançar o primeiro lugar em um concurso público da prefeitura, após quatro meses de preparação realizada em bancos de praça e outros espaços disponíveis.
Sem uma estrutura convencional de estudo, ele adaptou a rotina às condições que tinha, revisou o conteúdo onde conseguia permanecer e terminou a prova com 26 dos 30 pontos possíveis, superando os demais concorrentes na disputa pelas vagas de coveiro.
Segundo reportagem publicada pelo Correio Braziliense, Valter disputou com outras 21 pessoas as três vagas oferecidas para o cargo e, depois da divulgação do resultado, aguardava a convocação oficial para transformar a aprovação em uma ocupação no serviço público. O Caso aconteceu em 2015.
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Valter Fonseca viveu 16 anos nas ruas de Patos de Minas
Natural de Ilhéus, na Bahia, ele havia deixado a cidade natal em busca de melhores condições de vida em Minas Gerais, mas encontrou uma trajetória marcada por dificuldades para conseguir trabalho estável e manter uma moradia regular em Patos de Minas.
Entre as oportunidades que surgiram estava o trabalho em uma lavoura de tomates, atividade ligada ao período da safra e que terminou quando aquela etapa da produção chegou ao fim, deixando Valter novamente sem uma ocupação permanente e dependente de serviços temporários.
Depois dessa experiência, os bicos passaram a garantir parte da renda enquanto ele continuava vivendo nas ruas, até que a possibilidade de disputar uma vaga na prefeitura introduziu uma nova rotina de estudos em meio às limitações daquele período.
Concurso público surgiu após incentivo do Creas
O caminho até a inscrição passou pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o Creas, serviço conhecido por Valter durante o período em situação de rua e onde surgiu o incentivo para que ele participasse do processo seletivo municipal.
Naquele contexto, a diretora de proteção social especial da instituição, Maria Augusta de Lacerda Ferreira, foi apontada pela reportagem como uma das principais incentivadoras da candidatura, ajudando a transformar a divulgação do edital em um objetivo concreto para Valter.
Estudos em bancos de praça duraram quatro meses
Como não possuía casa nem um ambiente particular reservado à preparação, Valter recorreu a bancos de praça e outros locais onde conseguia permanecer, usando esses espaços para revisar o conteúdo necessário e manter a rotina até a realização da prova.
A preparação se estendeu por aproximadamente quatro meses e ocorreu sem a estrutura doméstica normalmente associada aos estudos para concursos, enquanto o candidato aproveitava os espaços disponíveis na cidade para continuar avançando no conteúdo exigido pela seleção.
26 pontos em 30 garantiram o primeiro lugar
Quando o desempenho foi transformado em números, o resultado chamou atenção: dos 30 pontos possíveis, Valter alcançou 26, pontuação suficiente para terminar em primeiro lugar na disputa pelo cargo de coveiro oferecido pela Prefeitura de Patos de Minas.
Além dele, outras 21 pessoas participaram da concorrência pelas três vagas disponíveis, e a classificação colocou justamente o candidato que havia passado 16 anos vivendo nas ruas no topo da lista para a função oferecida pela administração municipal.
Mais do que uma posição na classificação, a aprovação representava uma mudança relevante na forma como Valter obtinha renda, já que sua experiência profissional recente incluía atividades temporárias, trabalho na lavoura e bicos usados para conseguir recursos sem emprego fixo.
Cargo de coveiro oferecia salário e benefícios
Conforme os valores informados na época pela reportagem, o cargo municipal oferecia salário de R$ 805,18, além de benefícios como vale-alimentação, vale-transporte e plano de saúde, enquanto Valter ainda esperava a convocação oficial para iniciar o trabalho.
Entre os primeiros planos associados à nova renda estava a moradia, pois, depois de passar 16 anos sem uma casa própria ou alugada onde pudesse estabelecer residência, Valter dizia que pretendia usar o primeiro salário para alugar um imóvel.
Essa possibilidade aproximava dois elementos que haviam permanecido distantes durante boa parte de sua trajetória recente: emprego estável e endereço fixo, já que a aprovação abria espaço para reorganizar a rotina a partir de uma remuneração regular vinculada ao serviço público.
Aprovação abriu caminho para emprego e moradia
Antes de chegar à primeira colocação, porém, a preparação ocorreu longe das condições normalmente associadas aos candidatos de concursos, porque os próprios bancos de praça faziam parte tanto do cotidiano de Valter quanto dos meses dedicados ao conteúdo da prova.
Nesse cenário, os 26 pontos obtidos em 30 possíveis ganharam peso adicional, pois a pontuação não apenas garantiu uma das três vagas disponíveis, como também colocou Valter acima de todos os demais concorrentes que disputavam o mesmo cargo municipal.
A experiência anterior na lavoura e nos trabalhos temporários ajuda a dimensionar a diferença prática entre a situação vivida por Valter e aquela projetada após a aprovação, quando um posto ligado à prefeitura passou a substituir a dependência de oportunidades ocasionais.
Também teve papel importante o Creas, que colocou a oportunidade do concurso no horizonte de Valter e o incentivou a participar da seleção, enquanto os quatro meses seguintes foram marcados por uma preparação realizada nas condições que estavam ao alcance dele.
Quando a classificação foi divulgada, a trajetória de 16 anos nas ruas passou a dividir espaço com um novo dado: Valter havia terminado em primeiro lugar no concurso e aguardava a chamada para ocupar uma das vagas oferecidas pela prefeitura.
Para ele, o aluguel de uma casa aparecia entre as primeiras mudanças desejadas após o início do trabalho, já que a remuneração do cargo representava a possibilidade de pagar por um lugar para morar e reorganizar a própria vida cotidiana.
Se quatro meses de estudo em bancos de praça levaram um homem que passou 16 anos nas ruas ao primeiro lugar de um concurso público, quantas outras trajetórias semelhantes ainda podem existir no Brasil sem receber a mesma atenção?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

