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Editora compra em leilão a casa de fazenda dos bisavós erguida por volta de 1908, devolve o imóvel à família após cerca de 80 anos e, ao retirar carpetes, linóleo e papéis de parede, descobre que vitrais, portas de correr e madeira original sobreviveram intactos, depois reúne no mesmo teto cadeiras, colchas e louças herdadas
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/08/2026 às 18:27
Atualizado em 04/08/2026 às 18:37
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Imóvel rural ligado à mesma família por gerações voltou às mãos de uma descendente e revelou detalhes preservados sob reformas mais recentes. A recuperação reuniu arquitetura original, objetos herdados e escolhas cuidadosas que transformaram cada cômodo em parte de uma história familiar ainda em uso.
Uma casa de fazenda erguida por volta de 1908 voltou às mãos da família que a construiu depois de permanecer fora de seu patrimônio desde meados da década de 1940, preservando detalhes originais apesar das sucessivas reformas feitas ao longo de mais de um século.
Comprado em um leilão presencial pela editora Jennifer Kopf, o imóvel ainda conservava vitrais, acabamentos de madeira sem pintura e portas de correr embutidas, elementos que sobreviveram às intervenções realizadas por diferentes proprietários ao longo das décadas.
Durante a recuperação, papéis de parede antigos, carpetes, linóleo e outros revestimentos adicionados em reformas posteriores foram retirados, revelando pisos de pinho escondidos e uma escada de entrada com madeira original, degraus gastos e ornamentação preservada.
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Casa dos bisavós voltou à família após leilão
Jennifer conheceu a propriedade por meio do primo Tony, corretor de imóveis e leiloeiro, que recebeu o anúncio de uma casa situada em uma pequena cidade da região central do Missouri e enviou a imagem para ela e para sua mãe, Sue.
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Ao reconhecerem a casa branca que havia pertencido a Til e Arizona Hays, os familiares perceberam que, embora o imóvel estivesse fora da família havia cerca de oito décadas, uma parte importante de sua estrutura original ainda permanecia preservada.
Depois de ver o anúncio, Jennifer decidiu participar da venda pública e conseguiu comprar a propriedade, iniciando a restauração ao lado dos pais e do empreiteiro Tom Burns, responsável por apoiar as intervenções necessárias nos diferentes ambientes da construção.
Segundo relato publicado pela revista Country Living, os antigos proprietários já haviam executado melhorias estruturais no imóvel, condição que permitiu à nova dona concentrar boa parte do trabalho na retirada de alterações estéticas e na recuperação das características rurais da casa.
Reforma revelou pisos antigos sob carpetes e linóleo
Em vez de reconstruir todos os ambientes, a obra removeu tetos com textura, camadas de papel e coberturas modernas aplicadas sobre os pisos, permitindo que materiais antigos voltassem a aparecer sem apagar as marcas acumuladas durante décadas de uso.
No escritório, carpetes e linóleo escondiam tábuas antigas de pinho, encontradas durante a reforma e mantidas como parte do cômodo restaurado, enquanto outros espaços exigiram reparos mais cuidadosos por causa do desgaste sofrido pelas superfícies.
Na entrada, a madeira decorativa da escada continuava inteira e sem pintura, embora o reboco das paredes e do teto precisasse de reparos após anos de deterioração e mudanças feitas para adaptar o imóvel aos gostos de antigos moradores.
Uma parede que havia recebido revestimento de cedro durante a década de 1970 também foi restaurada, permitindo a recomposição do acabamento e a recuperação de uma aparência mais próxima daquela presente nas partes antigas da propriedade.
Do lado de fora, a reforma recuperou a relação entre a construção e a paisagem rural por meio de uma nova porta de entrada, acabamento na base da varanda e um caminho feito com tijolos reaproveitados da própria fazenda e de uma igreja da região.
Dentro da casa, tábuas verticais, painéis de madeira e peças recuperadas foram incorporados aos ambientes sem cobrir os elementos que haviam resistido ao tempo, como vitrais, batentes, portas embutidas e acabamentos originais ainda em condições de uso.
Objetos herdados retornaram à casa de fazenda
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Além das superfícies, a restauração trouxe de volta móveis, utensílios e objetos guardados por diferentes ramos da família, reunindo peças que haviam permanecido separadas enquanto o imóvel continuava sob a posse de outros proprietários anteriores.
Entre os itens devolvidos à casa estavam cadeiras, colchas, louças, potes de cerâmica e pinturas associadas aos antepassados, incluindo duas obras produzidas por um tio-bisavô, irmão de Til, e recipientes que pertenceram à avó de Jennifer.
Na sala de jantar, uma mesa de nogueira produzida no início do século XIX passou a dividir o espaço com seis cadeiras diferentes compradas em um leilão de fazenda, além de um armário antigo e uma coleção de louças brancas e azuis.
Adquiridas juntas por apenas US$ 5 em um leilão realizado em uma fazenda menonita da região, as seis cadeiras foram incorporadas ao ambiente, que também recebeu um tapete trançado encontrado em uma venda virtual e um antigo armário para tortas.
Mantendo a pintura azul desgastada, o armário do século XIX permaneceu como parte da decoração, enquanto outros objetos herdados voltaram a ser utilizados no cotidiano, deixando de funcionar apenas como peças expostas ou lembranças guardadas.
Uma caneca da marca Pfaltzgraff que pertenceu à avó de Jennifer passou novamente a ser usada na varanda onde ela se sentava quando criança, aproximando a rotina atual das memórias preservadas pelos descendentes e dos hábitos ligados à antiga propriedade.
Móveis antigos e peças familiares foram preservados
Na sala, duas poltronas transmitidas pela família foram restauradas com novos tecidos e passaram a conviver com pinturas de arte popular, almofadas bordadas, peças de cerâmica e um tapete pendurado na parede, sem esconder os acabamentos antigos.
Outros espaços também receberam materiais reaproveitados, como o banheiro, onde uma porta recuperada foi transformada em pequeno armário para roupas de cama, e o escritório, que ganhou painéis de madeira para se aproximar do padrão encontrado no restante da construção.
Preservada na entrada principal, a escada mantinha um acabamento ornamental conhecido como egg-and-dart, composto por uma sequência de formas ovais e pontiagudas entalhadas na madeira, detalhe que Jennifer relatou ter encontrado completo e ainda sem camadas de tinta.
Ao redor da escada, o reboco deteriorado foi recuperado por um profissional especializado, enquanto a retirada do papel descascado e do revestimento instalado décadas antes permitiu que as paredes voltassem a apresentar uma superfície semelhante à das áreas antigas.
Materiais reaproveitados mantiveram a identidade do imóvel
Na parte externa, tijolos salvos durante a obra foram incorporados ao caminho da entrada, e a varanda recebeu cadeiras de balanço com almofadas produzidas a partir de toalhas de mesa antigas, mantendo o reaproveitamento também nos espaços de convivência.
Com a restauração avançada, a casa passou a reunir quartos para crianças e visitantes, áreas de leitura e ambientes destinados a encontros, nos quais colchas, móveis, quadros, bordados e utensílios antigos continuaram em uso sem apagar a estrutura original.
Retomando sua função de ponto de encontro familiar, o imóvel recebeu uma reunião de parentes, um casamento e diferentes encontros informais, permitindo que novas gerações voltassem a circular pelos espaços anteriormente ocupados por Til e Arizona Hays.
No quintal, um balanço de pneu passou a ser utilizado pelos integrantes mais jovens, enquanto cadeiras foram instaladas ao redor de uma fogueira e a área externa ganhou um espaço para refeições próximo às antigas estruturas agrícolas da fazenda.
Em vez de eliminar os sinais de desgaste, a restauração manteve degraus gastos, ruídos produzidos pelo piso e marcas presentes na madeira, elementos que registram a passagem dos bisavós e de outros parentes pelos mesmos cômodos agora novamente ocupados.
Se uma casa preservasse pisos, portas, móveis e lembranças de seus antepassados depois de quase 120 anos, quais marcas do tempo deveriam continuar visíveis para contar a história de quem viveu ali antes das novas gerações?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

