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Pai e mãe adiaram por décadas o sonho da universidade para trabalhar no comércio e cuidar da família, mas acabaram aprovados ao lado do próprio filho em Rádio e TV na UFPB e passaram a dividir, além da mesma casa, a sala de aula e uma nova rotina acadêmica
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/08/2026 às 18:24
Atualizado em 04/08/2026 às 18:37
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Três integrantes da mesma família chegaram juntos à universidade depois de uma espera marcada pelo trabalho, pelas responsabilidades domésticas e por um sonho adiado. Na mesma graduação, pai, mãe e filho passaram a compartilhar aulas, professores e uma rotina capaz de transformar a convivência dentro e fora de casa.
Depois de décadas dedicadas ao comércio e às responsabilidades familiares, Valter Frazão e Janaína Oliveira ingressaram no curso de Rádio e TV da Universidade Federal da Paraíba, realizando um projeto que havia permanecido distante enquanto outras prioridades ocupavam a rotina do casal.
A conquista ganhou um significado ainda mais incomum quando Valter Júnior, filho mais novo dos dois, também foi aprovado para a mesma graduação, fazendo com que três integrantes da família passassem a compartilhar a universidade, a turma e os desafios da formação acadêmica.
Reunidos diariamente em casa, pai, mãe e filho começaram a dividir também os corredores da UFPB, os horários das aulas e a convivência com os mesmos colegas, transformando um antigo desejo do casal em uma experiência universitária vivida ao lado do jovem de 22 anos.
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Pai, mãe e filho aprovados pelo Sisu
Por meio do Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, Janaína e Valter Júnior foram convocados na primeira chamada, enquanto Valter precisou aguardar uma nova lista para confirmar a própria vaga e completar a aprovação dos três membros da família.
Durante esse intervalo, a mãe e o filho já sabiam que estudariam juntos, mas a composição familiar só ficou completa quando a segunda chamada confirmou o nome de Valter e garantiu sua entrada na mesma graduação de Rádio e TV.
A partir da convocação definitiva, os três passaram a integrar oficialmente o mesmo curso, iniciando uma rotina acadêmica compartilhada que reunia diferentes gerações, trajetórias pessoais distintas e um objetivo comum dentro da Universidade Federal da Paraíba.
Sonho da universidade ficou adiado por décadas
Para Janaína, a chegada ao ensino superior representou a retomada de um projeto guardado havia aproximadamente três décadas, desde quando prestou vestibular pela primeira vez, mas não conseguiu transformar aquela tentativa inicial no começo efetivo de uma graduação.
Enquanto o trabalho e as responsabilidades com a família ocupavam seus dias, o desejo de estudar permaneceu adiado, sem desaparecer, até que uma nova oportunidade permitiu sua entrada na universidade ao lado do marido e do filho mais novo.
Também marcado por anos de espera, o caminho de Valter foi atravessado pelas ocupações profissionais, pelos compromissos domésticos e pelas necessidades familiares, fatores que mantiveram o ensino superior distante até sua participação no processo seletivo do Sisu.
Mesmo depois de tanto tempo afastado desse objetivo, ele voltou a disputar uma vaga e foi convocado para estudar com a mulher e o filho, transformando a aprovação individual em parte de uma conquista compartilhada por toda a família.
Segundo reportagem do g1 Paraíba, o casal dedicou décadas ao comércio antes de ingressar na universidade, período em que o projeto acadêmico permaneceu em segundo plano enquanto os dois concentravam esforços no trabalho e nas responsabilidades da vida familiar.
O caso chamou atenção por reunir, dentro da mesma instituição e no mesmo período acadêmico, pai, mãe e filho mais novo, todos matriculados no curso de Rádio e TV e preparados para iniciar juntos uma etapa inteiramente nova.
Rotina familiar passou a incluir a universidade
Ao comentar a experiência, Valter Júnior afirmou que a família não imaginava viver uma situação semelhante, na qual a presença dos pais deixaria de representar apenas apoio externo e passaria a fazer parte de sua própria rotina dentro da universidade.
Na avaliação do jovem, estudar com os dois significava contar com companheirismo durante a formação, já que todos poderiam compartilhar dificuldades, atividades e aprendizados enquanto percorriam, ao mesmo tempo, as diferentes etapas do curso.
Fora da sala de aula, a aprovação também alterou a organização doméstica, pois os compromissos universitários foram incorporados à vida da família e passaram a ocupar um espaço que antes pertencia apenas ao trabalho e às responsabilidades da casa.
Além de dividirem horários e deslocamentos, os três começaram a compartilhar professores, colegas e atividades acadêmicas, fazendo com que a universidade deixasse de ser somente o destino do filho mais novo e se tornasse parte do cotidiano de todos.
Dentro da turma, a chegada do trio foi recebida de maneira positiva, com colegas que acolheram a família Frazão e contribuíram para que os novos estudantes se integrassem ao ambiente universitário sem se sentirem deslocados pela diferença entre suas trajetórias.
Um dos alunos relatou que a adaptação ocorreu de forma natural, permitindo que pai, mãe e filho fossem reconhecidos não apenas como parentes, mas como integrantes da mesma turma e participantes das mesmas experiências acadêmicas.
Família completa na mesma turma da UFPB
A professora Agda Aquino também ressaltou o caráter incomum da situação, explicando que já havia acompanhado outras formações envolvendo parentes, mas nunca tinha encontrado uma família completa reunida na mesma sala e matriculada em uma única graduação.
Para a docente, a presença dos três criava vantagens importantes, pois permitia que eles se apoiassem e crescessem juntos durante o percurso acadêmico, mesmo carregando idades, experiências profissionais e momentos de vida bastante diferentes.
Feita no início da jornada universitária, essa avaliação acompanhava o período em que os novos alunos ainda se adaptavam à condição de colegas, reorganizando relações construídas em casa para também conviverem dentro de um espaço de aprendizagem formal.
A diferença entre os caminhos percorridos tornava a aprovação especialmente marcante, já que Valter Júnior chegou ao ensino superior aos 22 anos, enquanto os pais retomaram um sonho interrompido pelas exigências do trabalho e da criação da família.
Três décadas depois de sua primeira tentativa de vestibular, Janaína finalmente entrou no ambiente universitário, enquanto Valter precisou aguardar uma convocação adicional do Sisu antes de ocupar a mesma sala da mulher e do filho.
Três aprovações em uma única história familiar
Formado por três processos seletivos individuais, o resultado acabou se transformando em uma única história familiar, na qual a mãe e o filho garantiram suas vagas na primeira chamada, enquanto o pai completou o grupo após ser convocado posteriormente.
Mais do que representar a entrada de três parentes em uma universidade pública, a aprovação marcou a retomada de um objetivo colocado em segundo plano durante décadas, quando o casal concentrava sua rotina no comércio e nas responsabilidades familiares.
Para Valter Júnior, o começo da graduação aconteceu ao lado das pessoas que acompanharam sua formação desde a infância, mas que, naquele momento, deixaram de ocupar apenas o papel de familiares para também se tornarem estudantes universitários.
Em vez de somente celebrar a conquista do filho, Janaína e Valter passaram a ocupar as próprias carteiras, acompanhar aulas e enfrentar avaliações, trabalhos e compromissos acadêmicos dentro da mesma instituição frequentada pelo jovem.
Curso de Rádio e TV uniu duas gerações
Escolhido pelos três, o curso de Rádio e TV tornou-se um novo ponto de encontro da família fora de casa, reunindo o casal e o filho mais novo em atividades, aulas e experiências conduzidas pelos mesmos professores.
Essa formação compartilhada diferenciou o caso de outras histórias em que parentes estudam simultaneamente, mas frequentam instituições, turmas ou cursos separados, sem acompanhar de maneira tão próxima o desenvolvimento acadêmico uns dos outros.
Na experiência da família Frazão, pai, mãe e filho ingressaram na mesma graduação, situação que lhes permitiu observar diretamente as dificuldades, conquistas e mudanças enfrentadas por cada integrante ao longo da nova rotina universitária.
Quando o caso foi registrado, o percurso acadêmico tinha previsão mínima de quatro anos, e o início das aulas foi marcado pela alegria da aprovação conjunta, pela recepção dos colegas e pela expectativa em torno daquela experiência inédita.
A trajetória de Janaína revelava a permanência de um desejo que não desapareceu depois de 30 anos, mesmo quando a primeira tentativa de vestibular não resultou na entrada imediata em uma instituição de ensino superior.
Já o caminho de Valter chegou à universidade após um longo período dedicado a outras prioridades, encerrando a espera quando a segunda chamada confirmou sua vaga e permitiu que ele se juntasse à mulher e ao filho.
Da convivência em casa à sala de aula
Reconhecidos dentro da universidade como alunos do mesmo curso, os três passaram a transportar para a sala de aula uma relação construída ao longo de anos, agora cercada por professores, colegas, avaliações e novos compromissos acadêmicos.
A história despertou atenção pela combinação de elementos confirmados: um casal que adiou a universidade por décadas, um filho de 22 anos iniciando o ensino superior e três aprovações para a mesma graduação na UFPB.
Na mesma turma, o antigo projeto dos pais encontrou o início da vida universitária do filho, enquanto Janaína e Valter deixaram de acompanhar sua formação apenas como familiares e passaram a dividir com ele cada etapa do curso.
Como seria compartilhar aulas, trabalhos, dificuldades e descobertas da universidade com as mesmas pessoas que, durante tantos anos, também dividiram todas as experiências da rotina dentro de casa?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

