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Ela criou um vaso sanitário que funciona sem uma gota de água após trabalhar com desafios da NASA e já atende mais de 20 mil pessoas!
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 25/08/2026 às 20:24
Atualizado em 25/08/2026 às 20:39
Ciência e Tecnologia
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Tecnologia iThrone elimina a necessidade de descarga e reduz o volume dos resíduos por evaporação, criando uma alternativa de saneamento para regiões sem infraestrutura convencional
Um problema observado em um dos ambientes mais extremos levou ao desenvolvimento de uma tecnologia que agora busca enfrentar uma dificuldade vivida por bilhões de pessoas na Terra. Enquanto trabalhava para a NASA, a cientista Diana Yousef percebeu uma semelhança entre astronautas e comunidades sem infraestrutura básica: em ambos os casos, simplesmente dar descarga e mandar os resíduos para uma rede de esgoto não é uma opção. Conforme informações publicadas pelo site Global Citizen.
A partir desse desafio, Diana e a equipe da change:WATER Labs desenvolveram o iThrone, um vaso sanitário que funciona sem água e sem conexão com uma rede de esgoto. Em vez de usar água para transportar os resíduos, o sistema reduz seu volume por meio da evaporação do conteúdo líquido.
A tecnologia já ampliou o acesso ao saneamento para mais de 20 mil pessoas em três países: Uganda, Panamá e Estados Unidos, segundo a organização responsável pelo projeto. Agora, a equipe pretende ampliar a distribuição da solução para alcançar uma escala muito maior.
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Tecnologia dispensa água e rede de esgoto para funcionar
O princípio por trás do iThrone ataca um dos principais obstáculos do saneamento tradicional.
Um vaso sanitário convencional precisa de água, tubulações e infraestrutura para transportar os resíduos. Entretanto, bilhões de pessoas vivem em regiões onde esses sistemas simplesmente não existem.
O iThrone tenta eliminar essa dependência.
Segundo informações do projeto disponibilizadas pelo MIT Solve, os resíduos humanos possuem cerca de 95% de água. Por isso, a tecnologia utiliza uma membrana respirável e compostável para retirar essa umidade.
O sistema pode evaporar entre 90% e 95% do volume diário armazenado no local. Dessa forma, sobra uma quantidade muito menor de material que precisa ser coletada e tratada.
Isso muda a lógica do saneamento.
Em vez de utilizar grandes volumes de água para transportar resíduos por quilômetros de tubulações, o próprio banheiro reduz o volume diretamente no ponto de uso.
Desafio observado na NASA ajudou a inspirar solução para a Terra
A origem da ideia chama atenção porque conecta tecnologia espacial e infraestrutura básica.
Durante seu trabalho relacionado à NASA, Diana percebeu que astronautas enfrentavam uma limitação fundamental: não existe uma rede convencional de esgoto disponível no espaço.
Ao mesmo tempo, comunidades de diversas partes do mundo enfrentam um problema semelhante por outro motivo. Elas vivem longe das redes de água e saneamento necessárias para instalar banheiros tradicionais.
Segundo o Global Citizen, 4,2 bilhões de pessoas ainda não têm acesso ao tipo de infraestrutura citado no contexto do projeto.
Dessa forma, a equipe passou a trabalhar em uma solução que pudesse operar independentemente dessas redes.
Vaso sanitário já chegou a três países e mais de 20 mil pessoas
A tecnologia já saiu do laboratório.
Segundo o Global Citizen, os sistemas iThrone melhoraram o acesso a banheiros seguros para mais de 20 mil pessoas. Os equipamentos chegaram a comunidades em Uganda, Panamá e Estados Unidos.
Esse número representa um ponto importante para o projeto.
Tecnologias de saneamento precisam funcionar em ambientes com condições muito diferentes. Além disso, custo, manutenção e facilidade de instalação podem determinar se uma solução consegue alcançar grande escala.
O iThrone busca justamente operar fora dos limites impostos pelas redes tradicionais de água e esgoto.
Com isso, a tecnologia pode atender locais onde construir quilômetros de tubulações seria caro ou tecnicamente difícil.
Solução pode reduzir custos de coleta e transporte de resíduos
A redução do volume também possui uma consequência logística.
Quando uma comunidade não possui rede de esgoto, os resíduos precisam de algum sistema alternativo de armazenamento, coleta e transporte.
Quanto maior o volume acumulado, maior tende a ser o desafio operacional.
O iThrone busca mudar essa equação ao retirar grande parte da água presente nos resíduos antes da coleta.
Segundo a descrição técnica apresentada ao MIT Solve, essa redução pode diminuir o esforço e os custos associados ao manejo descentralizado dos resíduos.
Portanto, o projeto não propõe apenas um vaso sanitário diferente. Ele tenta criar um modelo de saneamento menos dependente de grandes obras de infraestrutura.
Projeto recebe US$ 100 mil para tentar alcançar escala maior
A tecnologia também ganhou reconhecimento internacional em agosto de 2026.
Diana Yousef recebeu o Global Citizen Waislitz Disruptor Award, destinado a iniciativas com potencial de gerar impacto social. O prêmio garante US$ 100 mil para apoiar a expansão do projeto.
A organização afirma que os recursos ajudarão a ampliar a distribuição do iThrone. A meta apresentada é levar a solução a milhões de pessoas.
O desafio agora está justamente na escala.
Transformar uma tecnologia funcional em infraestrutura acessível para milhões de usuários exige produção, distribuição, manutenção e adaptação a diferentes comunidades.
Saneamento sem descarga mostra como infraestrutura pode mudar
O iThrone representa uma abordagem diferente para um problema antigo.
Durante décadas, ampliar o saneamento significou principalmente construir redes de água, tubulações, sistemas de coleta e estações de tratamento.
Entretanto, esse modelo exige grandes investimentos e pode enfrentar limitações em comunidades remotas, assentamentos temporários e regiões com pouca disponibilidade de água.
Tecnologias descentralizadas tentam criar outro caminho.
Ao funcionar sem descarga e sem conexão direta com esgoto, o iThrone mostra como engenharia e novos materiais podem reduzir a dependência da infraestrutura tradicional.
E o projeto já ultrapassou a fase de conceito: mais de 20 mil pessoas em três países já tiveram o acesso ao saneamento ampliado pela tecnologia, segundo os responsáveis pela iniciativa.
Fonte
Global Citizen
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

