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Ele trabalhava como garçom e entregador no Ceará, conseguiu uma bolsa no Insper e mudou-se para São Paulo para estudar Administração e planeja voltar ao seu estado como professor; conheça a história de Anderson, que transformou seu acidente e dificuldades em uma trajetória de conquistas
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 01/08/2026 às 14:42
Curiosidades
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Anderson superou um acidente, conquistou bolsa integral no Insper e publicou seu primeiro livro enquanto se prepara para ser professor.
Aos 26 anos, Anderson Benjamim dos Santos reúne em sua trajetória conquistas que pareciam improváveis quando trabalhava como garçom e entregador de frango para ajudar a família em Juazeiro do Norte, no interior do Ceará. Bolsista integral e aluno do oitavo semestre de Administração no Insper, ele já estagiou na Ambev, planeja atuar com consultoria, sonha em tornar-se professor e acaba de publicar seu primeiro livro, resultado de uma paixão pela escrita mantida desde a infância.
Intitulada Amores, Pactos e Mortes, a obra reúne sete contos sobre relações humanas, espiritualidade e finitude, combinando elementos líricos com uma construção experimental. O lançamento foi apresentado pelo Insper em uma publicação de 16 de dezembro de 2025, quando a instituição destacou como o estudante venceu o receio das críticas e transformou textos pessoais em um projeto literário lançado pela Editora Ventos.
Anderson recebeu respostas positivas de sete editoras
A publicação não aconteceu na primeira tentativa nem surgiu de uma oportunidade inesperada oferecida por terceiros. Anderson decidiu procurar espaço no mercado editorial, organizou o material e enviou o livro para dez editoras, recebendo propostas de sete delas — um resultado que confirmou a viabilidade da obra e lhe deu segurança para avançar com o lançamento.
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Durante muito tempo, o desejo de tornar-se autor permaneceu travado pelo medo da reação dos leitores. Embora escrevesse desde muito jovem, Anderson evitava expor seus textos porque imaginava que as críticas poderiam transformar a realização de um sonho em uma experiência negativa.
“Escrevo desde muito novo e sempre tive vontade de publicar um livro, mas o medo de ser criticado me travava”, reconheceu. A insegurança começou a perder força com o incentivo da família, a proximidade dos amigos e a participação em uma comunidade de autores independentes.
Comunidade literária deu confiança a Anderson
Um grupo de escrita no WhatsApp tornou-se um ambiente importante para a decisão de publicar. Ao acompanhar pessoas que compartilhavam dificuldades, estratégias e experiências editoriais, Anderson percebeu que outros autores também enfrentavam inseguranças antes de colocar seus trabalhos no mundo.
As trocas no grupo mostraram diferentes caminhos para transformar manuscritos em livros. O estudante observou escritores independentes divulgando obras, oferecendo orientações e relatando etapas da publicação, experiência que lhe deu coragem para procurar editoras e aceitar a possibilidade de ser avaliado.
O caminho até Amores, Pactos e Mortes pode ser resumido por algumas decisões que mudaram a relação de Anderson com a literatura:
- manteve a escrita como atividade pessoal desde muito jovem;
- reconheceu que o medo da crítica estava adiando seu projeto;
- aproximou-se de uma comunidade de autores independentes;
- preparou a obra e a enviou para dez editoras;
- recebeu aceitação de sete empresas do setor;
- escolheu a Editora Ventos para publicar os sete contos;
- contou com apoio para organizar o lançamento do livro.
A experiência universitária também colaborou para que Anderson elevasse suas próprias expectativas. Além da formação profissional, ele encontrou incentivo institucional para desenvolver um projeto que não estava diretamente limitado às atividades do curso de Administração.
Bolsa permitiu que Anderson sonhasse além da graduação
Natural de Juazeiro do Norte, Anderson mudou-se para São Paulo em 2021 após conquistar uma bolsa integral no vestibular do Insper. A oportunidade tornou possível a entrada em uma instituição distante de sua cidade natal, mas os apoios ligados à permanência foram igualmente necessários para que ele pudesse continuar estudando.
Ao comentar o impacto da experiência, o escritor afirmou que ser bolsista já representava a concretização de um objetivo importante, mas a convivência no Insper ampliou os planos para o futuro. “Estar aqui me fez sonhar ainda mais alto”, declarou ao falar sobre o auxílio recebido para a publicação e a organização do lançamento.
A história de Anderson voltou a ser destacada pelo Insper em 28 de março de 2026, quando a instituição publicou uma matéria para marcar a chegada de seu Programa de Bolsas ao milésimo estudante beneficiado. Criada em 2004, a iniciativa procura combinar entrada no ensino superior, condições de permanência e participação na comunidade acadêmica.
Acidente mudou os planos de Anderson durante a pandemia
Antes da mudança para São Paulo, Anderson cursava Direito em uma universidade estadual. Com a interrupção das atividades durante a pandemia, passou a trabalhar para contribuir com as despesas da família, primeiro atendendo clientes como garçom e depois fazendo entregas.
“Trabalhei como entregador de frango para poder ajudar nas despesas de casa”, recordou. Naquele período, o objetivo imediato não era planejar uma nova graduação ou deixar o Ceará, mas colaborar com o orçamento doméstico em um momento de incerteza.
A rotina foi interrompida por um acidente de moto. Um automóvel entrou na contramão e atingiu Anderson, que sofreu uma fratura no fêmur. A recuperação o afastou temporariamente do trabalho e criou um intervalo inesperado no qual precisou repensar os caminhos que seguiria.
Foi justamente durante esse período que ele conheceu o processo seletivo do Insper. O acidente, embora tenha provocado dor e limitações, acabou se tornando um ponto de ruptura entre a rotina de entregas e a possibilidade de buscar uma formação diferente em São Paulo.
Mãe incentivou Anderson a investir no próprio futuro
A oportunidade quase passou despercebida. A mãe de Anderson viu nas redes sociais uma publicação informando que restavam somente três dias para o encerramento das inscrições do vestibular e decidiu chamar a atenção do filho para o processo.
Ela sabia que Anderson havia dedicado parte do tempo e da renda às necessidades da família. Por isso, apresentou o vestibular não apenas como uma prova, mas como a chance de ele direcionar esforço para a própria vida depois de um período marcado pelo trabalho e pela preocupação com as despesas da casa.
“Você já passou muito tempo investindo na gente, filho. Está na hora de você investir em você”, disse a mãe. O conselho produziu uma mudança imediata de perspectiva e levou Anderson a fazer a inscrição dentro do curto prazo disponível.
A aprovação com bolsa integral transformou uma sugestão feita durante a recuperação em uma mudança de cidade, curso e projeto profissional. Em 2021, ele deixou Juazeiro do Norte e passou a construir uma nova rotina acadêmica em São Paulo.
Anderson acumulou experiência profissional durante o curso
A graduação em Administração abriu caminhos além da sala de aula. Ainda como estudante, Anderson conseguiu uma oportunidade de estágio na Ambev, experiência que acrescentou prática empresarial à formação e aproximou o bolsista de possibilidades profissionais que não faziam parte de seu cotidiano no Ceará.
Seus planos incluem trabalhar com consultoria, área em que poderá aplicar conhecimentos relacionados à administração e à análise de negócios. Entretanto, a carreira corporativa não representa o destino final imaginado por ele.
Anderson pretende retornar a Juazeiro do Norte e lecionar. O desejo de tornar-se professor conecta a experiência adquirida em São Paulo à cidade onde cresceu, permitindo que os conhecimentos e oportunidades alcançados durante a graduação possam, futuramente, ser compartilhados com outros estudantes.
“No futuro, quero voltar para Juazeiro do Norte e lecionar. Quero me tornar professor algum dia”, afirmou. O projeto mostra que sua visão de sucesso não está restrita a permanecer em grandes empresas ou construir uma carreira longe de casa.
Livro de Anderson reúne inquietações pessoais
Enquanto se prepara para concluir Administração, Anderson utiliza as horas disponíveis para escrever. Em Amores, Pactos e Mortes, ele trabalha temas que atravessam experiências humanas profundas, como afetos, acordos, espiritualidade e o modo como as pessoas lidam com a morte.
A literatura oferece um espaço diferente daquele encontrado nos estudos administrativos e nas atividades profissionais. Nos contos, o jovem pode transformar inquietações em narrativas, experimentar formas de linguagem e apresentar ao público reflexões construídas ao longo de sua trajetória.
O título reúne três elementos que atravessam as relações retratadas na obra, enquanto o conjunto dos sete textos revela uma escrita marcada pela liberdade criativa. A escolha por uma proposta lírica e experimental reforça a intenção de Anderson de desenvolver uma identidade própria como autor.
Anderson representa impacto do programa de bolsas
Ao chegar à marca de mil beneficiados, o Programa de Bolsas do Insper acumulou histórias que não podem ser explicadas apenas pelo número de matrículas. No caso de Anderson, o apoio permitiu abandonar um horizonte limitado pelas dificuldades daquele momento, mudar de estado, iniciar uma nova formação e experimentar oportunidades acadêmicas, profissionais e artísticas.
A bolsa integral garantiu o acesso, enquanto os mecanismos de permanência ajudaram a sustentar a trajetória em São Paulo. O suporte ao lançamento literário também mostra que a formação do estudante não ficou restrita ao currículo obrigatório da graduação.
Entre o acidente de moto, a inscrição feita a três dias do prazo final e a aceitação do livro por sete editoras, Anderson construiu uma história marcada por decisões tomadas em momentos críticos. Cada escolha abriu uma possibilidade diferente: estudar, mudar de cidade, entrar em uma grande empresa, publicar seus textos e planejar o retorno ao Ceará como educador.
Aos 26 anos, ele ainda não concluiu todos os projetos que traçou, mas já transformou várias experiências difíceis em pontos de partida. A trajetória de Anderson mostra como uma bolsa pode criar condições para que talento, esforço e oportunidade se encontrem — e como um estudante que saiu de Juazeiro do Norte após um acidente pode voltar à cidade, no futuro, não apenas como administrador e escritor, mas também como professor.
Fonte: Insper
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Insper
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

