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Merendeira ouviu da mãe que era possível começar por baixo, preparou diariamente a comida de 1.050 alunos e transformou 21 anos de esforço numa jornada que a levou da cozinha à vice-direção da escola onde estudou, onde hoje trabalha ao lado de uma ex-aluna que virou professora
Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/08/2026 às 14:43
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Da cozinha escolar à vice-direção, a trajetória de Mírian Fiuza Braga atravessa concursos, formação universitária, gestão de conflitos e um reencontro profissional com uma ex-aluna que hoje ensina na mesma escola.
Na escola onde estudou durante a juventude, Mírian Fiuza Braga passou a ocupar uma função que reúne decisões administrativas, mediação de conflitos e acompanhamento de mais de 2.400 alunos.
Antes de chegar à vice-direção do Centro de Ensino Médio 01 do Gama, no Distrito Federal, ela percorreu uma trajetória de 21 anos dentro da mesma rede pública, iniciada na cozinha de outra unidade escolar.
Mírian começou a carreira na cozinha escolar
Mírian entrou na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal em 2005, após ser aprovada em concurso para a carreira de assistência à educação.
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No Centro de Ensino Fundamental 15 do Gama, trabalhou como auxiliar de cozinha e ajudava diariamente a preparar a alimentação oferecida a aproximadamente 1.050 estudantes.
Aquela não era sua primeira experiência profissional.
Antes do ingresso na rede pública, ela havia trabalhado como auxiliar de dentista, distribuidora de medicamentos, secretária e técnica em Contabilidade.
Moradora do Gama e ex-aluna das escolas públicas do Distrito Federal, Mírian afirmou que decidiu prestar o primeiro concurso depois de receber incentivo da mãe.
Embora soubesse preparar apenas as refeições de casa, fez um curso preparatório e conquistou a vaga.
“Eu só sabia fazer comida de casa, mas depois que eu escutei minha mãe, fiz um cursinho e passei no concurso. Ela me deu esse ensinamento de que a gente pode começar por baixo. Nós precisamos, aos poucos, ir ocupando nossos espaços”, relatou.
Bolsa do ProUni abriu caminho para o magistério
A aprovação representou o início de uma carreira construída dentro da educação pública, mas não determinou que ela permaneceria para sempre na mesma função.
Enquanto trabalhava na alimentação escolar, Mírian continuou estudando e buscou a formação necessária para entrar no magistério.
Por meio de uma bolsa do Programa Universidade para Todos, o ProUni, cursou Letras com habilitação em Português e Inglês.
O programa federal concede bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior a estudantes que atendem aos critérios estabelecidos em cada processo seletivo.
Depois da graduação, Mírian ampliou a formação com uma especialização em Coordenação Pedagógica pela Universidade de Brasília.
Em 2012, foi aprovada em um novo concurso público, desta vez para a carreira do magistério da Secretaria de Educação.
Cuidado com os alunos permaneceu em diferentes funções
A mudança profissional não significou abandonar os vínculos construídos durante o período na cozinha.
Segundo Mírian, o contato respeitoso com os estudantes fazia parte do trabalho independentemente do cargo ocupado.
“Quando eu era da merenda, buscava ser a melhor merendeira. Colocava amor e respeito no que eu fazia. Se eu fizesse um café para os professores, eu fazia com amor e respeito. Sempre atendi bem os alunos, sempre tive uma relação amistosa com eles”, afirmou.
Ela também contou que muitos estudantes se aproximaram durante aquele período e mantiveram a lembrança da convivência mesmo depois de sua passagem para outras funções.
Ex-aluna voltou como professora à escola onde estudou
A experiência na sala de aula ganhou um significado adicional em 2018, quando Mírian passou a trabalhar como professora no CEM 01 do Gama.
A unidade era a mesma em que ela havia estudado quando jovem.
O retorno ocorreu em uma posição diferente.
A antiga estudante passou a ensinar Português e Inglês dentro da escola que havia participado de sua própria formação.
Servidora chegou à vice-direção em 2023
Cinco anos depois, em 2023, assumiu a vice-direção.
Na gestão, passou a lidar com uma estrutura que, segundo seu relato, reúne mais de 2.400 alunos e mais de 100 professores, além de servidores, famílias e diferentes demandas pedagógicas e administrativas.
“Não é uma gestão fácil. A gente precisa resolver conflitos, ser proativos. Tem que ter iniciativa”, declarou.
O trabalho inclui situações que ultrapassam a organização de horários, documentos e atividades escolares.
Mírian relatou ter recebido estudantes que buscavam apoio emocional e afirmou que a experiência como professora também a ajudou nesses atendimentos.
Psicologia e Comunicação Não Violenta ampliaram atuação
Com o objetivo de ampliar sua preparação para esse tipo de acolhimento, começou uma nova graduação, desta vez em Psicologia.
A instituição e a etapa atual do curso não foram informadas na publicação da Secretaria de Educação.
Mírian também lidera na escola um grupo sobre Comunicação Não Violenta, abordagem voltada ao diálogo, à escuta e à tentativa de lidar com conflitos sem recorrer a agressões verbais ou outras formas de hostilidade.
A iniciativa se relaciona a situações encontradas diariamente em uma escola de grande porte, onde estudantes, professores, responsáveis e integrantes da gestão precisam negociar diferenças e buscar soluções para problemas coletivos.
Ao longo da carreira, Mírian recebeu cartas, presentes, terços e outras lembranças entregues por alunos.
Para ela, esses objetos registram relações estabelecidas durante as diferentes fases de sua atuação na rede pública.
Ex-aluna passou a trabalhar ao lado de Mírian
A trajetória profissional também produziu um encontro entre gerações dentro do próprio CEM 01 do Gama.
Entre as professoras da unidade está Brenda Geovana Rocha, que foi aluna de Mírian e posteriormente escolheu seguir a carreira docente.
Brenda trabalha como professora de Inglês na mesma escola em que sua antiga professora exerce a vice-direção.
Segundo ela, a maneira como Mírian conduzia as aulas influenciou sua decisão profissional.
“Eu a tinha como um exemplo de profissional que eu queria me tornar, pois a maneira como ela me fazia sentir capaz de aprender e de ser o que eu quisesse fez com que eu desejasse levar isso para outras pessoas”, contou Brenda.
A professora afirmou que já conhecia a história profissional de Mírian e identificava semelhanças entre a realidade vivida por ambas enquanto estudantes.
“Sempre soube da história dela, e é muito inspirador ouvir um testemunho de alguém que tinha a mesma realidade que a minha enquanto estudante”, declarou.
Brenda destacou ainda a postura da antiga professora diante das dificuldades dos alunos.
Segundo ela, Mírian demonstrava confiança no potencial das pessoas e procurava compreender as circunstâncias de cada estudante.
“A empatia e a maneira como ela sempre acreditava no potencial das pessoas era o que eu mais gostava, então trabalhar ao lado da professora que me inspirou é um privilégio inenarrável”, afirmou.
Influência chegou a uma nova geração de professores
O reencontro profissional mostra um efeito que não pode ser medido apenas pelos cargos ocupados por Mírian.
A estudante que acompanhou suas aulas concluiu a própria formação e voltou à escola como professora, passando a integrar a mesma equipe.
A carreira de Mírian também reuniu duas áreas essenciais ao funcionamento das escolas, embora frequentemente percebidas de formas separadas.
Na cozinha, seu trabalho estava relacionado à alimentação de centenas de crianças e adolescentes.
Na sala de aula, passou a atuar diretamente na formação acadêmica.
Na vice-direção, acompanha o funcionamento mais amplo da unidade.
Experiência na merenda permaneceu parte da trajetória
A progressão não apaga a primeira etapa da trajetória.
Ao falar sobre a época da merenda, Mírian não descreve o período como uma função sem importância que precisaria ser deixada para trás, mas como parte de sua experiência com os estudantes e com a comunidade escolar.
A orientação recebida da mãe também permaneceu como referência.
A ideia era começar pela oportunidade disponível e continuar construindo caminhos por meio do estudo, dos concursos públicos e da formação profissional.
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Ana Alice
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Trajetória reúne 21 anos na educação pública
Entre o primeiro concurso, em 2005, e a atuação na vice-direção em 2026, passaram-se 21 anos.
Durante esse período, Mírian saiu da assistência à educação, concluiu Letras com bolsa do ProUni, fez pós-graduação na UnB, ingressou no magistério e retornou como professora à escola onde havia estudado.
A documentação pública do CEM 01 do Gama identifica Mírian na vice-direção da unidade, ao lado do diretor Macário dos Santos Neto.
A função mantida em 2026 confirma a continuidade da trajetória apresentada pela Secretaria de Educação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

