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Engenheiro venezuelano cria plástico capaz de se dissolver completamente na água após o descarte, chama a atenção da Nestlé e conquista investimento para transformar a tecnologia em uma alternativa aos resíduos que permanecem por décadas no meio ambiente
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/08/2026 às 14:26
Ciência e Tecnologia
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Manuel Rendon, fundador da Timeplast, desenvolveu materiais solúveis em água, registrou patentes nos Estados Unidos e recebeu investimento da Nestlé Waters North America.
Manuel Rendon, engenheiro ambiental nascido na Venezuela, transformou uma investigação pessoal sobre resíduos plásticos em uma empresa de tecnologia química sediada na Flórida. À frente da Timeplast, ele passou a desenvolver materiais programáveis e solúveis em água, apresentados pela companhia como uma alternativa ao plástico convencional.
A tecnologia ganhou projeção internacional em 10 de dezembro de 2020, quando a Nestlé Waters North America anunciou investimento na startup para explorar novas soluções de embalagem. O comunicado oficial descreveu a Timeplast como uma empresa da Flórida voltada a pesquisar alternativas para um dos pontos críticos da crise global do lixo plástico: o material que não é reciclado corretamente e acaba em aterros, rios, mares e oceanos.
Quem é Manuel Rendon, o engenheiro por trás da Timeplast
Manuel Rendon é descrito pela Timeplast como engenheiro ambiental, inventor e fundador da empresa. A companhia afirma que sua missão é desenvolver materiais alinhados a um planeta baseado em ciclos de água, com vida útil programada para o tempo real de uso de cada produto.
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Antes de criar a Timeplast, Rendon construiu trajetória profissional no setor corporativo. Fontes públicas ligadas a patentes e à própria empresa o associam ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à degradação programada de plásticos e, posteriormente, a copolímeros com solubilidade em água programável.
A proposta central da Timeplast não é apenas fabricar um bioplástico comum. A empresa afirma trabalhar com uma plataforma de materiais capazes de resistir à água por um período predeterminado e, depois, se dissolver completamente, sem deixar resíduos visíveis do produto original. Essa afirmação, no entanto, parte da própria companhia.
Mais de 1.200 experimentos antes da primeira tecnologia patenteada
A trajetória inicial de Rendon foi marcada por um ciclo longo de testes. A revista Recycling Today registrou que os aditivos desenvolvidos pela TimePlast haviam passado por mais de 1.200 experimentos ao longo de cinco anos, com o objetivo de manter propriedades próximas às do plástico comum em uso e acelerar a degradação depois do descarte.
Essa fase inicial estava ligada a aditivos aplicados a plásticos tradicionais, como PET, polietileno, polipropileno e poliestireno.
Segundo a reportagem, a tecnologia era oferecida em parceria com a Riverdale Global sob o nome +Green/TimePlast.
O primeiro registro de patente associado a Rendon aparece nos Estados Unidos como “Composition for the degradation of plastic”, com depósito em 20 de janeiro de 2014 e concessão em 10 de novembro de 2015, segundo bancos públicos de patentes.
A patente do copolímero com solubilidade em água programável
A evolução mais diretamente ligada à atual proposta da Timeplast aparece em registros de patente sobre o “copolymer with programmable water solubility”, ou copolímero com solubilidade em água programável.
O Google Patents registra pedido prioritário nos Estados Unidos em 26 de junho de 2020 e menciona publicações internacionais posteriores relacionadas à mesma família de patente.
Esse copolímero é o ponto técnico mais chamativo da empresa. Pela descrição pública da Timeplast, o material pode ser moldado em formatos mais espessos e duráveis, funcionando por determinado período antes de se dissolver em água.
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A companhia afirma ainda que a tecnologia pode ser aplicada em diferentes processos industriais, como extrusão, sopro e injeção.
Por que a Timeplast chamou a atenção da Nestlé Waters North America
A entrada da Nestlé Waters North America deu escala pública à tecnologia de Rendon. No anúncio de dezembro de 2020, a companhia afirmou que o investimento fazia parte de uma estratégia para identificar soluções simultâneas de embalagem sustentável e enfrentar a poluição plástica global.
No mesmo comunicado, David Tulauskas, então vice-presidente e diretor de sustentabilidade da Nestlé Waters North America, disse que a empresa estava interessada em explorar tecnologias alternativas como as apresentadas pela Timeplast.
A declaração foi feita no contexto das metas da companhia para ampliar o uso de plástico reciclado em suas garrafas.
A parceria não significava adoção imediata em larga escala. O comunicado indicava apoio financeiro e avaliação técnica da tecnologia, combinando os padrões de segurança, qualidade e desempenho da Nestlé para embalagens alimentícias com a proposta da Timeplast.
Material solúvel em água mira embalagens, agricultura e impressão 3D
A Timeplast apresenta sua tecnologia como uma plataforma para diferentes setores, incluindo embalagens, agricultura, bens de consumo e impressão 3D. A empresa também afirma ter desenvolvido uma linha de filamentos para impressão 3D baseada em seus materiais funcionais.
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No site oficial, a companhia diz que o Timeplast se diferencia de materiais como o PVA, conhecido por ser solúvel em água, porque buscaria combinar resistência temporária à umidade com dissolução programada.
A ideia é que o produto não se desfaça imediatamente ao primeiro contato com água, mas apenas depois do período definido para sua aplicação.
Essa promessa técnica explica o interesse do setor de embalagens. Um material capaz de funcionar como plástico durante o uso e perder persistência ambiental depois do descarte atacaria um dos problemas centrais dos polímeros convencionais: a permanência prolongada no ambiente e a fragmentação em partículas menores.
Reconhecimento em premiações e avanço no setor de embalagens sustentáveis
A tecnologia da Timeplast também apareceu entre os finalistas do Sustainability Awards 2021, promovido pela Packaging Europe, na categoria relacionada a resinas solúveis em água. A lista de finalistas incluiu a empresa como representante dos Estados Unidos.
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A própria Timeplast afirma que Rendon foi apresentado em um segmento da CNN en Español em setembro de 2022, com demonstração do material, e que a empresa participou da feira Equiplast, em Barcelona, em 2023.
Esses registros aparecem na página institucional da companhia, mas não foram todos confirmados de forma independente em fonte primária pública acessível.
Já os títulos comerciais atribuídos por publicações empresariais, como reconhecimentos setoriais divulgados pela própria Timeplast, devem ser lidos com cautela jornalística. Eles indicam exposição midiática e posicionamento de mercado, mas não substituem validação científica independente publicada em periódico revisado por pares.
Fonte
prnewswire
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

