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Esse navio “voador” levantava o casco para fora da água, alcançava mais de 110 km/h e levava mísseis com alcance de 150 km; conheça o Projeto 1240 Uragan, a embarcação soviética que parecia desafiar a física
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 01/08/2026 às 17:57
Atualizado em 01/08/2026 às 17:58
Curiosidades
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Descubra os fascinantes segredos do Projeto 1240, a ousada embarcação soviética equipada com asas que planava sobre as águas alcançando mais de 60 nós (111 km).
O fim da linha para o MRK-5 chegou em 19 de abril de 1990, quando a União Soviética retirou oficialmente o protótipo do serviço ativo antes de ele sofrer um incêndio e afundar em águas rasas na baía de Streletskaya anos mais tarde. Décadas antes desse desfecho, o Projeto 1240 — classificado pela OTAN como classe Sarancha — chocou os analistas militares ao propor uma embarcação capaz de erguer seu casco de alumínio e magnésio totalmente para fora da água utilizando asas e hidrofólios de titânio.
Conduzida pelo engenheiro Vadim Mikhailovich Burlakov no escritório TsKB-5 a partir de 1964, a iniciativa buscou unir a velocidade extrema da aviação à força devastadora de mísseis pesados durante o auge da Guerra Fria, respondendo à necessidade de superar as frotas do Ocidente após o impacto gerado em outubro de 1967, quando lanchas egípcias da classe Komar afundaram um destróier israelense com mísseis P-15.
Antecedentes civis, dimensões e a força das turbinas
Antes de construir o navio militar definitivo, os engenheiros testaram conceitos em uma embarcação civil chamada Typhoon, concluída em 1969 e movida por turbinas a gás e hidrofólios controlados automaticamente, alcançando até 50 nós.
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Essa bagagem técnica permitiu projetar o MRK-5, que contava com cerca de 50 metros de comprimento — ultrapassando 56 metros com componentes externos —, deslocamento carregado de aproximadamente 432 toneladas e largura superior a 20 metros com as asas de 45 graus estendidas. Para alcançar marcas entre 57 e 61 nós, o veículo contava com uma motorização monumental:
- Duas potentes turbinas a gás M-10, projetadas a partir da família de motores NK-12 do bombardeiro estratégico Tu-95, entregando cerca de 36 mil cavalos de potência combinada.
- Alcance operacional de 700 milhas náuticas em alta velocidade e até 1.500 milhas em deslocamento lento, com autonomia logística de aproximadamente cinco dias.
- Motores diesel auxiliares dedicados a manobras portuárias e navegação lenta sem acionar as turbinas.
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O poder de fogo, testes e limitações práticas
Apesar de deslocar pouco mais de 400 toneladas, a embarcação surpreendia ao carregar um potencial bélico comparável ao de corvetas maiores.
Lançado em Leningrado em 1973 e transferido por canais internos para Sevastopol em novembro de 1979 após testes iniciais no Báltico, o navio realizou com sucesso disparos de seu armamento principal na Frota do Mar Negro, embora sua rotina de manutenção tenha se tornado inviável.
- Quatro formidáveis mísseis antinavio P-120 Malakhit (SS-N-9 Siren), com alcance de 150 km e capacidade para ogivas convencionais ou nucleares.
- Sistema antiaéreo naval Osa-M (SA-N-4 Gecko), acompanhado de um paiol retrátil com capacidade para abrigar até 20 mísseis de defesa.
- Um canhão rotativo AK-630M de 30 milímetros para proteção de ponto contra ameaças aproximadas.
- Exigência de infraestrutura exclusiva, como um dique flutuante dedicado em Sevastopol, o que, somado à necessidade de tripulações altamente especializadas em contraste com o sistema de conscritos, impediu sua produção em série.
Fonte: Poder Naval
Fonte
Poder Naval
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

