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Família compra por US$ 3 uma pequena tigela que valia US$ 2,225 milhões, deixa a peça durante anos na sala de casa e só depois descobre que tinha adquirido uma porcelana chinesa de cerca de 2 mil anos
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 13/08/2026 às 19:03
Atualizado 13/08/2026 às 19:04
Curiosidades
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Uma família de Nova York pagou apenas US$ 3 por uma pequena tigela branca em 2007 e passou anos exibindo a peça na sala sem conhecer sua origem. Especialistas descobriram que era uma raríssima porcelana Ding da dinastia Song do Norte, vendida posteriormente pela Sotheby’s por US$ 2,225 milhões.
Em 2007, uma pequena tigela branca chamou a atenção de um comprador durante uma tag sale, espécie de venda doméstica semelhante a uma venda de garagem, no norte do estado de Nova York. O objeto custava apenas US$ 3. Sem imaginar sua verdadeira origem, o comprador levou a peça para casa, onde ela permaneceu exposta na sala durante vários anos como um objeto decorativo comum.
A curiosidade posterior sobre aquela peça aparentemente simples produziu uma descoberta extraordinária. Especialistas identificaram a tigela como uma rara porcelana Ding da dinastia Song do Norte, produzida aproximadamente mil anos antes. Em 19 de março de 2013, a Sotheby’s colocou o objeto em leilão em Nova York com estimativa de US$ 200 mil a US$ 300 mil. O resultado final chegou a US$ 2,225 milhões.
Tigela de US$ 3 ficou durante anos exposta na sala sem despertar suspeitas
A identidade do comprador não foi divulgada publicamente. A Sotheby’s apresentou o lote como parte de uma coleção familiar do estado de Nova York, enquanto as reportagens da época informaram que a peça havia sido adquirida pelo consignante em uma venda doméstica em 2007.
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Depois da compra, não houve avaliação imediata nem qualquer tratamento reservado a uma antiguidade extremamente rara.
A tigela passou vários anos simplesmente exposta na sala de estar, até que seu proprietário começou a se perguntar de onde aquele pequeno objeto poderia ter vindo.
A Associated Press registrou que somente depois desse período o proprietário decidiu mandar a peça examinar. O que parecia uma cerâmica branca decorativa comprada por poucos dólares acabaria entrando em uma das principais vendas de arte chinesa realizadas em Nova York naquele ano.
Pequeno objeto media apenas cerca de 12,5 centímetros
A dimensão aumentava ainda mais o contraste entre aparência e valor. A tigela tinha aproximadamente 5 polegadas de diâmetro, cerca de 12,5 centímetros, e apresentava uma coloração branca próxima ao marfim.
A Sotheby’s descreveu a peça como extremamente leve, com corpo fino e delicadamente trabalhado. Na parte interna, o artesão havia esculpido ramos e flores de lótus, enquanto o lado externo recebeu três fileiras de folhas sobrepostas.
Sobre todo o conjunto havia um esmalte de tonalidade marfim. A própria casa de leilões destacou que a execução fina, o corpo quase branco e o acabamento eram características associadas aos exemplares Ding de maior qualidade preservados em museus e coleções privadas.
Especialistas identificaram uma porcelana da dinastia Song do Norte
A descoberta decisiva foi a datação. A Sotheby’s classificou formalmente o objeto como uma “rare and important Ding bowl” da dinastia Song do Norte, período que governou a China entre 960 e 1127.
Isso colocava aproximadamente um milênio de história entre a fabricação da tigela e sua reaparição em uma venda doméstica americana.
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A porcelana havia sobrevivido por séculos antes de chegar, por uma trajetória que não foi esclarecida publicamente, à coleção familiar de Nova York.
Cerâmica Ding estava entre as produções mais prestigiadas do período Song
As cerâmicas Ding receberam esse nome por causa da região histórica de Dingzhou, associada a fornos localizados na atual província de Hebei. A produção tornou-se especialmente conhecida por recipientes claros e refinados, incluindo pratos e tigelas.
Segundo o catálogo da Sotheby’s, os exemplares Ding ficaram posteriormente agrupados entre as chamadas “cinco grandes cerâmicas” da dinastia Song, classificação consolidada por colecionadores durante as dinastias Ming e Qing.
A peça encontrada em Nova York reunia várias características valorizadas nessa tradição: paredes finas, corpo quase branco, esmalte marfim e decoração realizada diretamente na superfície antes da aplicação final do acabamento.
Apenas outra tigela praticamente idêntica era conhecida pela Sotheby’s
A raridade não estava apenas na idade. Ao preparar o catálogo do leilão, a Sotheby’s afirmou conhecer somente outra tigela com a mesma forma, tamanho e decoração praticamente idêntica.
Esse outro exemplar pertence ao British Museum, em Londres. A peça havia chegado à instituição em 1947 por meio do legado de Henry J. Oppenheim, juntamente com outras cerâmicas Ding de sua coleção.
Ter um paralelo tão próximo preservado em um dos principais museus do mundo fornecia aos especialistas uma referência excepcional para estudar a tigela que havia surgido em Nova York. A combinação entre raridade, execução e estado de conservação ajudou a colocá-la entre os destaques do leilão.
Sotheby’s estimou inicialmente a peça entre US$ 200 mil e US$ 300 mil
Quando o objeto finalmente chegou ao mercado especializado, o salto em relação aos US$ 3 pagos em 2007 já era enorme. A Sotheby’s estabeleceu uma estimativa prévia entre US$ 200 mil e US$ 300 mil.
Mesmo o limite inferior dessa avaliação correspondia a dezenas de milhares de vezes o preço da venda doméstica. Ainda assim, a estimativa não anteciparia o interesse que surgiria quando o lote fosse efetivamente colocado diante dos compradores.
A tigela entrou como lote 94 da venda de obras de arte chinesas promovida pela Sotheby’s em Nova York em 19 de março de 2013.
O catálogo oficial ainda preserva a classificação, descrição técnica e estimativa atribuída à peça antes da disputa.
Disputa levou tigela de US$ 3 aos US$ 2,225 milhões
Quando os lances terminaram, a porcelana havia alcançado US$ 2,225 milhões, mais de sete vezes o teto de US$ 300 mil da estimativa pré-leilão. O resultado também representava aproximadamente 741 mil vezes os US$ 3 pagos seis anos antes.
O comprador foi o negociante londrino Giuseppe Eskenazi, especialista reconhecido no mercado internacional de arte chinesa. A Sotheby’s confirmou sua identidade após a venda.
Seis anos separaram a compra barata da venda milionária
A cronologia torna o caso especialmente incomum. A tigela foi comprada em 2007 por US$ 3, permaneceu durante anos na sala da casa e somente depois foi submetida à avaliação de especialistas.
Em 2013, apenas seis anos depois da compra casual, o mesmo objeto apareceu formalmente catalogado como uma importante porcelana da dinastia Song do Norte e ganhou uma estimativa que já alcançava centenas de milhares de dólares.
Em 19 de março, a transformação de valor ficou completa: aquilo que havia sido tratado como uma pequena peça decorativa de venda de garagem saiu do leilão por US$ 2,225 milhões, convertendo um dos achados mais banais possíveis em uma das histórias mais extraordinárias do mercado de antiguidades daquele ano.
O mistério que permaneceu foi como uma raridade chinesa acabou em uma venda doméstica
A autenticação solucionou a idade, a origem artística e a importância da tigela, mas não respondeu completamente à pergunta mais curiosa da história: como uma porcelana tão rara atravessou aproximadamente mil anos e terminou com uma etiqueta de US$ 3 no interior do estado de Nova York?
As fontes da época não apresentaram uma cadeia completa de propriedade anterior à compra de 2007. Também não foi divulgado quem colocou originalmente a tigela naquela venda doméstica nem se essa pessoa conhecia algum detalhe sobre sua procedência.
O que ficou documentado começa justamente no momento mais improvável: um comprador encontra uma pequena tigela por US$ 3, leva o objeto para casa e convive durante anos com uma porcelana de cerca de mil anos na própria sala.
Só depois da avaliação especializada, os 12,5 centímetros de cerâmica deixaram de ser uma decoração anônima para entrar no mercado internacional por US$ 2,225 milhões.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

