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Funcionária de museu derruba sem querer a moldura de quadro de Pieter Brueghel e descobre que o original havia sido roubado e substituído por uma reprodução recortada de revista
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 11/08/2026 às 10:18
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Uma obra de Pieter Brueghel, o Jovem, desapareceu de um museu polonês em 1974 e foi substituída por uma reprodução de revista. Cinquenta anos depois, o quadro de apenas 17 centímetros reapareceu exposto na Holanda sem que o museu soubesse que era uma peça roubada.
Em 24 de abril de 1974, uma funcionária do Museu Nacional de Gdańsk, na Polônia, derrubou acidentalmente da parede a moldura de uma pequena pintura atribuída a Pieter Brueghel, o Jovem. Quando o objeto foi examinado, surgiu a descoberta: a obra original havia desaparecido e, atrás do vidro, alguém deixara uma reprodução em papel. O quadro verdadeiro entraria para a relação de obras procuradas pelas autoridades e permaneceria desaparecido durante meio século.
A reviravolta surgiu em 2024. A pintura, Woman Carrying the Embers, produzida por volta de 1626 e com apenas 17 centímetros de diâmetro, estava tranquilamente exposta no Museum Gouda, nos Países Baixos, emprestada por um colecionador particular que desconhecia sua procedência criminosa. Uma reportagem de revista, uma fotografia antiga e a investigação de um especialista em arte acabaram ligando aquela pequena obra ao quadro desaparecido da Polônia desde 1974.
Quadro de Pieter Brueghel tinha apenas 17 centímetros de diâmetro
A obra é atribuída a Pieter Brueghel, o Jovem, pintor flamengo que viveu entre os séculos XVI e XVII. Conhecida em inglês como Woman Carrying the Embers, ela é datada de aproximadamente 1626 e representa uma camponesa carregando água e brasas.
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Apesar da história monumental que acabaria adquirindo, o quadro é fisicamente pequeno. Trata-se de uma pintura circular de cerca de 17 centímetros de diâmetro, dimensão equivalente aproximadamente ao comprimento de uma mão adulta.
Na composição, a mulher aparece com um recipiente de água em uma das mãos e uma pinça segurando brasas na outra. A imagem está relacionada a um antigo provérbio neerlandês sobre alguém que carrega simultaneamente água e fogo.
Funcionária derrubou a moldura em 1974 e revelou que o original havia sumido
O desaparecimento não foi descoberto por um sistema de alarme nem durante uma conferência planejada do acervo. Em 24 de abril de 1974, uma funcionária que trabalhava no Museu Nacional de Gdańsk derrubou acidentalmente a moldura da parede.
Com a queda e o dano na moldura, funcionários examinaram o objeto e perceberam que não estavam diante da pintura original. Segundo as reconstruções posteriores do caso, a verdadeira obra havia sido substituída por uma reprodução em papel recortada de uma publicação.
Isso indicava que o responsável pela retirada não havia simplesmente arrancado a pintura e deixado um espaço vazio. A substituição por uma imagem semelhante permitiu que a ausência do original permanecesse despercebida até que o acidente revelasse a troca.
Outro trabalho também havia sido substituído dentro do museu
O caso ficou ainda mais incomum porque Brueghel não foi a única vítima. Um desenho de Anthony van Dyck, chamado The Crucifixion, também havia desaparecido e sido substituído por uma cópia.
As duas obras passaram a integrar as listas polonesas de patrimônio artístico procurado. Investigações posteriores tentaram reconstruir como objetos pertencentes a um museu estatal haviam sido retirados sem que a troca fosse percebida imediatamente.
Assista o vídeo
O caso voltou a ser examinado pela polícia polonesa em 2008, décadas depois do desaparecimento. Mesmo assim, naquele momento os investigadores não conseguiram localizar a pintura de Brueghel, que continuaria fora do radar por mais de uma década.
Quadro apareceu em exposição na Holanda sem que ninguém soubesse que era roubado
A situação começou a mudar em 2024, quando o Museum Gouda organizou a exposição Hete Vuren, ou Blazing Fires. Entre as peças escolhidas estava justamente o pequeno quadro de Pieter Brueghel, o Jovem.
A obra havia sido cedida por um proprietário particular. O próprio Museum Gouda informou posteriormente que o colecionador havia recebido o quadro por herança e que nem ele nem a instituição sabiam que aquela pintura estava relacionada a um roubo ocorrido na Polônia cinquenta anos antes.
Isso produziu uma situação rara: enquanto autoridades polonesas ainda consideravam o quadro desaparecido, visitantes de um museu neerlandês podiam observar a obra verdadeira em uma exposição pública. O Museum Gouda afirma que recebeu e apresentou a pintura de boa-fé.
Fotografia antiga fez jornalista desconfiar da pintura exposta
A descoberta não começou com uma operação policial. John Brozius, colaborador da revista neerlandesa de arte e antiguidades Vind, trabalhava em conteúdo relacionado à exposição quando encontrou informações sobre o antigo roubo de Gdańsk.
Uma fotografia antiga em preto e branco da obra desaparecida chamou sua atenção. O quadro daquela imagem histórica se parecia fortemente com a pintura que havia aparecido na exposição do Museum Gouda.
Brozius entrou em contato com Arthur Brand, investigador especializado na recuperação de obras de arte desaparecidas. A partir daquele ponto, a semelhança visual deixou de ser apenas uma curiosidade e passou a ser examinada como possível identificação de uma peça roubada.
Seis versões semelhantes exigiram comparação para identificar o quadro verdadeiro
A identificação não podia depender apenas da cena mostrada na pintura. Existem seis versões conhecidas dessa composição de Brueghel, o que significava que encontrar uma mulher carregando água e brasas não seria suficiente para provar que aquele era o exemplar desaparecido em Gdańsk.
Brand pesquisou as outras versões, consultou informações de obras roubadas e trabalhou com a polícia neerlandesa. Pequenas diferenças entre as pinturas, além de informações existentes no verso da peça, ajudaram os investigadores a estabelecer a correspondência.
Richard Bronswijk, integrante da unidade de crimes contra a arte da polícia dos Países Baixos, afirmou à AFP que as verificações foram repetidas e que as informações existentes na parte de trás do quadro também coincidiam. A polícia concluiu que se tratava da mesma obra desaparecida em 1974.
Proprietário havia herdado pintura comprada anteriormente por seu pai
A investigação também precisou entender como uma obra roubada na Polônia acabou em uma coleção particular neerlandesa. O proprietário que emprestou o quadro ao Museum Gouda afirmou desconhecer completamente a história do roubo.
Segundo as informações fornecidas ao investigador Arthur Brand, o atual proprietário havia recebido a pintura por herança. Seu pai, por sua vez, teria adquirido a obra anteriormente de um negociante de arte.
Cinquenta anos depois, obra passou para custódia durante investigação
Quando o Museum Gouda recebeu a confirmação sobre a história da pintura, a exposição de 2024 já havia terminado.
A instituição informou que o quadro não estava mais em Gouda e havia sido colocado sob custódia por determinação da polícia enquanto a investigação prosseguia.
Em março de 2025, autoridades polonesas já haviam solicitado formalmente o retorno da obra. Naquele momento, a pintura estava sob controle das autoridades nos Países Baixos enquanto eram tratados os procedimentos jurídicos relacionados à restituição.
Assim, uma troca descoberta acidentalmente em 1974 só encontrou sua resposta meio século depois. Uma moldura derrubada revelou a falsificação, uma fotografia de arquivo conectou as duas pontas da história e uma obra de apenas 17 centímetros que parecia ter desaparecido definitivamente acabou reaparecendo exposta diante do público em outro museu europeu.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

