O ex-secretário de Estado de Saúde e médico Pedro Pascoal defendeu a adoção de novas estratégias para ampliar a cobertura vacinal no Acre. Durante entrevista ao programa Bar do Vaz, nesta quinta-feira (13), ele afirmou que a responsabilidade pela imunização deve ser compartilhada entre o poder público e a população e sugeriu ações como vacinação no período noturno, aos finais de semana e em locais de maior circulação para facilitar o acesso das famílias.
Ao analisar o cenário eleitoral, Pascoal afirmou que a disputa deste ano apresenta características diferentes das eleições anteriores, principalmente pela redução no número de candidatos a deputado federal. “Eu vejo que é um cenário diferente. Na última eleição, se não me engano, nós tínhamos 225 candidatos a deputado federal. Hoje nós estamos falando de 54 candidatos apenas. É muito voto espalhado no nosso estado todo e que tem que ser explorado de forma muito consciente, de forma muito responsável.”
O ex-secretário também defendeu que os eleitores avaliem as propostas e os resultados apresentados pelos candidatos, sem se deixar influenciar por pressões políticas.“Os eleitores não devem se prender a qualquer tipo de voto de cabresto, qualquer pressão que possa ser colocada em cima deles. A gente tem que votar de forma consciente, ou seja, nas propostas de todos os candidatos e nos candidatos que já tenham resultados entregues para a população.”
Pascoal ainda afirmou que o eleitor que considerar ter feito uma escolha equivocada na eleição anterior pode mudar seu voto. Ao falar sobre sua trajetória na gestão da saúde estadual, Pedro Pascoal afirmou que sua eventual candidatura deverá apresentar como uma das principais referências o trabalho desenvolvido durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).
Segundo ele, ainda existem demandas que precisam avançar, mas a gestão conseguiu implementar medidas que considera importantes para a população. “Ainda tem muita coisa a ser entregue, que não deu tempo em três anos. Eu acho que esse é o alento: nós, como secretários de Saúde, começamos e terminamos o ciclo.”
Pascoal destacou iniciativas relacionadas à regionalização dos serviços de saúde, com o objetivo de oferecer atendimento especializado mais próximo dos pacientes e reduzir a necessidade de deslocamento para Rio Branco.
Entre os exemplos citados estão a implantação de ressonância magnética em Cruzeiro do Sul e Brasiléia, além da disponibilização de equipamentos e serviços especializados no interior.“A bandeira da regionalização, de fato, levou saúde para o paciente, em vez de trazer o paciente para a saúde. Ressonância magnética em Cruzeiro do Sul, ressonância magnética em Brasileia, aparelho de cateterismo em Cruzeiro do Sul. Tudo isso é economia e mais humanização para os nossos pacientes, que não precisam sair de casa para ser tratados.”
O ex-secretário também afirmou que algumas dificuldades enfrentadas pela gestão dependeram de decisões políticas e administrativas que ultrapassavam a autonomia da Secretaria de Saúde. “Nós entendemos que o secretário tem uma autonomia até certo ponto. Muitas das coisas que, às vezes, nós não conseguimos evoluir foram por falta de vontade política.”
Pascoal disse ainda que pretende defender medidas para reduzir a burocracia e ampliar a capacidade de atendimento da rede pública.
Pascoal critica modelo de atendimento no Hospital Regional do Alto Acre
Durante a entrevista, o ex-secretário também comentou a discussão sobre terceirização de serviços de saúde e rebateu críticas feitas pelo deputado estadual Adailton Cruz (UB).
Pascoal citou o funcionamento do Hospital Regional do Alto Acre e afirmou que, na avaliação dele, a unidade ainda não oferece todos os serviços necessários à população da região.
Ele mencionou relatos de pacientes que precisam se deslocar para Rio Branco em busca de atendimento especializado.“O hospital foi inaugurado, mas não está entregando o que a população precisa. Nós estamos vendo, inclusive, o atual prefeito de Epitaciolândia pontuar que os pacientes saem de Epitaciolândia às 2h, 3h da manhã para serem atendidos em Rio Branco.”
Em contraponto, Pascoal destacou os serviços especializados disponibilizados em Cruzeiro do Sul como exemplo de regionalização da assistência. “Em Cruzeiro do Sul nós temos especialistas. A saúde está sendo entregue em Cruzeiro do Sul. O que nós não podemos colocar à frente de qualquer ideologia política é que a saúde tem que estar presente para os pacientes.”
Ao abordar a contratação de organizações do terceiro setor para complementar os serviços do SUS, Pascoal afirmou que houve recomendações do Ministério Público para adoção de diferentes medidas, incluindo concurso público, convocação de cadastro de reserva, processos seletivos e contratação de serviços especializados quando necessário.
Segundo ele, foram realizados concursos e chamamentos de profissionais, além de tentativas de remanejamento para atender regiões com dificuldade de contratação de especialistas.
Pascoal afirmou que, mesmo com essas medidas, houve dificuldade para fixar determinados profissionais em municípios como Brasiléia. O ex-secretário também mencionou a possibilidade de contratação de organizações sociais (OS) ou organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP) para suprir a falta de especialistas, conforme citou ao comentar orientações do Ministério Público.
Na avaliação dele, a discussão sobre terceirização precisa considerar a necessidade de garantir atendimento à população. “Nós tivemos algum encaminhamento. O Ministério Público coloca em uma das orientações que fosse feito concurso público. Em 2012, nós fizemos concurso público. Foi feito o chamamento do cadastro de reserva. Foi feito processo seletivo simplificado, com orientação direta para profissionais médicos especialistas.”
Pascoal também questionou o posicionamento de Adailton Cruz sobre a terceirização. Segundo ele, o deputado teria apresentado posições que, na avaliação do ex-secretário, precisam ser melhor explicadas.
Pascoal citou como exemplo as manifestações de Cruz em defesa da importância do Hospital Santa Juliana e dos serviços complementares prestados pela unidade à rede pública de saúde. “Quando ele fala que é contra a terceirização, esses dias ele estava reconhecendo a importância do Santa Juliana e cobrando e pontuando a necessidade do serviço suplementar que o Santa Juliana oferta para a população e que é de extrema relevância.”
Pascoal levantou questionamentos sobre as motivações políticas do posicionamento do deputado, mas não apresentou uma conclusão sobre o assunto. “Ele meio que se contradiz: ora contra a terceirização, ora defende e reconhece a necessidade da suplementação do SUS. Então são algumas dúvidas que a gente joga no ar para a população refletir.”
Pedro Pascoal também comentou, durante a entrevista ao programa Bar do Vaz, uma reportagem relacionada à compra e ao possível desvio de medicamentos na Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).
O ex-secretário classificou o assunto como complexo e relembrou que foi ele quem denunciou anteriormente a ocorrência de furtos de medicamentos dentro da estrutura da saúde estadual. “É muito complexo isso. É muito complexo ainda. Tivemos a situação dos furtos de medicações, que foi denunciada por mim. A gente realmente não sabe ainda qual foi o desfecho dessa operação. Mas será que foi cessada essa prática? Será que acabou o furto de medicação?”, questionou.
Segundo Pascoal, as informações iniciais apontavam que os possíveis desvios ocorriam dentro de unidades hospitalares e também envolvendo o almoxarifado da Secretaria de Saúde. “As informações iniciais que tínhamos eram de dentro dos hospitais. Tínhamos também a questão do almoxarifado. Medicamentos que nem chegavam ao almoxarifado, antes da entrega, já estavam extraviados”, afirmou.
Sobre a decisão de entrar na disputa eleitoral, Pedro Pascoal afirmou que a candidatura surgiu a partir da avaliação de que havia espaço para apresentar um projeto voltado principalmente à saúde e à regionalização dos serviços.
Segundo ele, durante os três anos em que esteve à frente da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), não houve, de acordo com sua avaliação, notícias ou denúncias relacionadas à devolução de emendas utilizadas pela pasta. “A gente viu a oportunidade. Saindo, e aqui coloco mais um dado: nós não tivemos, nos últimos três anos, nenhum noticiário e nenhuma denúncia de que emendas foram devolvidas. Nós utilizamos o apoio público com responsabilidade. Sempre trabalhamos de forma totalmente transparente.”
Pascoal afirmou ainda que, durante o período de transição, parte das ações que estavam em andamento não teria recebido continuidade, especialmente a política de regionalização da saúde.
“Muito do trabalho que ainda havia para ser entregue não foi levado em consideração. A pauta da regionalização, que é agora comentada e citada nacionalmente, que foi a principal bandeira do governador Eduardo Velloso e é a minha principal bandeira de gestão, levar saúde para a casa da população, não foi levada em consideração.”
Segundo o ex-secretário, diante desse cenário, ele decidiu deixar a gestão e apresentar sua proposta a outros grupos políticos. Pascoal afirmou que encontrou receptividade junto ao grupo do ex-prefeito Tião Bocalom, que, segundo ele, passou a defender o fortalecimento dos municípios. “Nós apresentamos essa proposta para o Tião Bocalom. O Tião Bocalom passou a abraçar essa ideia de regionalização, gostou da ideia de fortalecer os municípios. E nós não ficamos em um lugar onde não nos cabe.”
Questionado sobre o fato de o atual governo utilizar dados e resultados da Secretaria de Saúde em ações de divulgação, Pascoal afirmou que parte dos avanços apresentados atualmente é resultado de iniciativas implementadas durante o período em que esteve à frente da pasta.
Ele citou números relacionados a cirurgias, atendimentos e ampliação da oferta de serviços especializados no interior. “O Ministério da Saúde pontua que o Acre foi um dos estados que mais operou pacientes. Por dois anos consecutivos ficamos como líder. Foram 45 mil cirurgias, 65 mil atendimentos voltados para as crianças com TEA.”
Pascoal também destacou a reabertura de centros cirúrgicos e a ampliação da oferta de procedimentos e exames fora de Rio Branco.
Entre os exemplos citados estão a implantação de serviços de cateterismo em Cruzeiro do Sul e a oferta de ressonância magnética em Cruzeiro do Sul e Brasiléia. “Paciente que infarta no Juruá é tratado no Juruá. Ressonância magnética nos dois pontos do nosso estado, agora não só na capital, mas em Cruzeiro do Sul e em Brasileia.”
O ex-secretário afirmou que ficou satisfeito ao ver os resultados da gestão anterior sendo reconhecidos e utilizados na divulgação das ações atuais. “Eu fico muito feliz dela reconhecer que o secretário de saúde de três anos atrás estava nesses três últimos anos e produziu o resultado que ela está explorando agora.”
Ao ser questionado sobre sua relação com a governadora Mailza Assis Cameli, Pascoal afirmou que os dois já tiveram uma relação mais próxima. “Já foi melhor”.
Sobre o Hospital Santa Juliana, o ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal afirmou que a unidade presta um serviço suplementar ao Sistema Único de Saúde (SUS) e classificou o modelo como uma referência para a assistência médica no Acre.
Segundo Pascoal, o modelo adotado pelo Santa Juliana poderia ser utilizado como referência para a ampliação da oferta de serviços de saúde em outras regiões do estado, como o Alto Acre. “Como eu já falei no começo, o Santa Juliana é um serviço suplementar, é o terceiro setor, é uma terceirização que funciona e que é referência para muita gente. É um hospital que já faz parte do SUS do Acre, apesar de ser filantrópico.”
O ex-secretário explicou que a proposta discutida para Brasileia seguia uma lógica semelhante à adotada em Cruzeiro do Sul, com a utilização de serviços do terceiro setor para ampliar a oferta de atendimento especializado.
“Era esse modelo que a gente estava propondo para Brasileia. Ninguém ia inventar a roda. Na verdade, era o modelo de Cruzeiro do Sul que seria replicado em Brasileia.”
Ao comentar a relação financeira entre o Estado e o Hospital Santa Juliana, Pascoal afirmou que os dados disponíveis no Portal da Transparência indicavam, durante sua gestão, uma regularidade nos pagamentos à unidade.
Segundo ele, os repasses chegaram a valores elevados mensalmente, enquanto nos meses que antecederam sua saída da Secretaria de Estado de Saúde houve redução nos pagamentos.
“Se você puxar o histórico lá no Portal da Transparência, hoje a informação está na palma da mão. Você vai ver uma regularidade de pagamento. O valor era muito alto, em média de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões por mês. Nos últimos três ou quatro meses, nós estávamos vendo uma queda no valor do pagamento.”
Pascoal também afirmou que, de acordo com os dados que acompanhava, mais de R$ 50 milhões haviam sido pagos ao hospital, dos quais aproximadamente R$ 41 milhões teriam sido repassados durante o período em que esteve à frente da Sesacre. “Desses R$ 50 milhões, R$ 41 milhões foram pagos na nossa gestão, até o dia 2 de abril, que era o período em que eu estive à frente da secretaria.”
Ex-secretário defende prioridade para serviços essenciais
Ao abordar a gestão dos recursos públicos na saúde, Pascoal afirmou que o orçamento exige definição de prioridades e defendeu que despesas diretamente relacionadas ao atendimento dos pacientes estejam no topo da lista. “O cobertor é curto. Então, a gente tem que colocar aqui a prioridade do que salva a vida do paciente. O supérfluo fica para o segundo plano.”
Ele citou como exemplos a alimentação dos pacientes, medicamentos e procedimentos de alta complexidade, como cateterismo, como serviços que devem receber prioridade na aplicação dos recursos públicos. “Tem que comprar o remédio para dentro do hospital, antibiótico para tratar uma pneumonia, um cateterismo que salva um paciente infartado. Então, tem que colocar o que é prioridade”, comentou.
O ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal também falou sobre a oferta de serviços especializados no Acre e defendeu a utilização de parcerias com o setor privado como estratégia para ampliar e qualificar o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo Pascoal, áreas como ortopedia, cateterismo, diálise e exames de imagem apresentam resultados positivos quando estruturadas por meio de serviços especializados. “Hoje a saúde é especializada. O serviço de ortopedia no pronto-socorro funciona. O serviço de cateterismo funciona. Os nossos pacientes que fazem diálise hoje dependem de uma especialização e funcionam muito bem.”
Pascoal também explicou que, em algumas áreas, a manutenção de estruturas próprias pelo poder público pode representar um custo maior para o Estado. Ele citou como exemplo os serviços de hemodiálise e a dificuldade de manter equipamentos atualizados.
Segundo o ex-secretário, equipamentos adquiridos pelo Estado podem se tornar obsoletos com o avanço tecnológico, enquanto a manutenção e a aquisição de insumos podem elevar os custos da operação. “As máquinas que são compradas pelo Estado acabam ficando obsoletas, e aí a manutenção se torna mais cara. O insumo é vendido por outro fornecedor, existe o processo de licitação, que às vezes demora meses para que seja comprado aquele insumo. Quando você junta todas as peças, o serviço acaba se tornando mais caro.”
Pascoal destacou ainda a contratação de serviços privados para atender pacientes do SUS, especialmente na área de diagnóstico por imagem. Para ele, o modelo permite que usuários da rede pública tenham acesso a estruturas e equipamentos modernos.
O ex-secretário citou como exemplo os exames de ressonância magnética disponibilizados por meio de serviços contratualizados. “Um paciente do SUS que precisa fazer um exame de imagem está hoje procurando o mais moderno centro comercial de Rio Branco. O paciente do SUS está sendo atendido por uma empresa que presta serviço particular, e o mais interessante é o respeito que essas pessoas têm e o valor que a empresa dá para essas pessoas.”
Para Pascoal, o principal objetivo da gestão pública deve ser garantir que o cidadão tenha acesso a um atendimento de qualidade, independentemente de o serviço ser executado diretamente pelo Estado ou por uma empresa contratada. “Nossos pacientes do SUS merecem também um atendimento hospitalar como o de um hospital de um rico. O setor de imagem hoje é um exemplo disso.”
“O que importa é o paciente ter a sua demanda resolvida”
Ao falar sobre a continuidade dos serviços após mudanças na gestão, Pascoal afirmou que os resultados devem estar acima da disputa política e da identificação de quem iniciou determinada política pública.“O que importa de tudo isso é o paciente ser bem atendido. O que importa de tudo isso é o paciente ter a sua demanda resolvida. Se foi o secretário A ou o secretário B que fez, isso não importa.”
importância da regionalização dos serviços de saúde no Acre. Segundo ele, a descentralização do atendimento permite que pacientes tenham acesso a procedimentos especializados sem precisar se deslocar até Rio Branco.
Pascoal citou como exemplos a implantação de equipamentos de diagnóstico por imagem e serviços de alta complexidade em Cruzeiro do Sul e Brasiléia. “A regionalização nada mais é do que isso: é colocar no município de Cruzeiro do Sul uma ressonância para que o paciente não tenha que vir para Rio Branco para ser atendido, sabendo que aqui em Rio Branco já existe uma demanda de todos os municípios do Baixo Acre”, declarou.
O ex-secretário também mencionou a implantação de uma unidade de ressonância magnética em Brasileia e afirmou que o equipamento foi entregue poucos dias após sua saída da Secretaria de Estado de Saúde. “Foi entregue, se eu não me engano, dois ou três dias depois que eu saí. Tudo bem, não importa quem fez, não importa quem está sendo beneficiado.”
Cateterismo e tratamento contra o câncer em Cruzeiro do Sul
Pascoal destacou ainda a implantação do serviço de cateterismo em Cruzeiro do Sul. Segundo ele, a medida permite que pacientes que sofrem infarto na região sejam atendidos no próprio município, reduzindo a necessidade de transferência para Rio Branco. “Nós colocamos o aparelho de cateterismo. O paciente que infarta em Cruzeiro do Sul não tem mais que esperar uma UTI aérea para fazer esse cateterismo. Ele faz lá em Cruzeiro do Sul.”
O ex-secretário também citou a oferta de atendimento oncológico na região do Juruá, incluindo consultas com especialistas e sessões de quimioterapia. “Paciente com câncer, quimioterapia, hoje é ofertado tanto a consulta com o oncologista como o tratamento da quimioterapia lá em Cruzeiro do Sul”, disse.
Segundo Pascoal, a medicação utilizada no tratamento é a mesma disponibilizada aos pacientes atendidos na capital. Ele reconheceu, porém, que eventualmente podem ocorrer problemas relacionados ao estoque de medicamentos.
Questionado sobre a possibilidade de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e sobre o que pretende propor caso seja eleito, Pascoal destacou a experiência acumulada como médico, profissional do Samu, secretário de Saúde e vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) na região Norte.
Segundo ele, a atuação institucional permitiu ampliar a participação do Acre nas discussões nacionais sobre políticas públicas de saúde. “Eu tive a oportunidade de ser vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde da região Norte. Por inúmeras vezes, por ter voz dentro do Ministério da Saúde, o Estado do Acre foi o primeiro estado a receber algumas vacinas.”
Pascoal afirmou ainda que pretende levar para o Congresso Nacional pautas relacionadas às necessidades específicas dos estados da região Norte.
Crítica à atuação parlamentar
Ao falar sobre sua possível atuação como deputado federal, Pascoal afirmou que pretende ir além da destinação de emendas parlamentares e defendeu a apresentação de projetos que tenham impacto direto na vida da população. “A função do parlamentar não é só destinar emenda. Eu vejo outdoors espalhados no estado todo falando que o parlamentar A ou B mandou R$ 25 milhões, R$ 30 milhões, R$ 60 milhões para a saúde. É obrigação, não é mérito.”
Na avaliação do ex-secretário, os parlamentares também precisam atuar na formulação de políticas públicas e na defesa das demandas específicas do Acre. “A nossa ideia não é só ocupar cadeiras. É levar a voz, principalmente da saúde da região Norte, que precisa ser vista dentro do Ministério da Saúde, dentro do Governo Federal, como estados que precisam de uma atenção especial.”
Pascoal afirmou que defende a medicina baseada em evidências científicas e criticou movimentos de negacionismo na área da saúde. Segundo Pascoal, a atuação médica deve ser fundamentada em estudos científicos e evidências, especialmente quando se trata de vacinação e políticas de saúde pública. “Eu defendo muito a medicina baseada em evidências. Eu sou médico e a gente sempre trabalhou com artigos, com estudos científicos. Eu não sou a favor do negacionismo.”
Ao comentar a cobertura vacinal no Acre, Pascoal afirmou que, embora algumas vacinas ainda estejam abaixo das metas estabelecidas, existem municípios que apresentam resultados positivos.“Algumas vacinas ainda estão abaixo do esperado, mas nós temos municípios de destaque, como, por exemplo, Marechal Thaumaturgo, que atingiu além da meta esperada em algumas vacinas.”
Ex-secretário defende novas estratégias para ampliar vacinação
Questionado sobre a responsabilidade pela baixa procura por algumas vacinas, Pascoal afirmou que tanto o poder público quanto a população precisam participar do processo de imunização.
Ele destacou que campanhas de conscientização são importantes, mas defendeu também mudanças nos horários e nos locais de vacinação para facilitar o acesso das famílias.“Eu compartilho a responsabilidade porque muitas das vacinas chegaram a ser incineradas na nossa gestão porque venceram a data de validade por não ter procura. Então, acho que sim, é da nossa responsabilidade levar a informação, inclusive a imprensa nos ajuda muito, mas falta um pouquinho também da procura.”
Entre as estratégias sugeridas pelo ex-secretário estão a realização de campanhas fora do horário comercial, aos finais de semana e a ampliação dos pontos de vacinação para locais de grande circulação, como igrejas.“Vacinar em período noturno seria uma estratégia. Vacinar aos finais de semana seria outra estratégia. Levar a vacina para as igrejas seria uma terceira estratégia. A ideia agora é usar a força política para a gente inovar.”
Pedro Pascoal fala sobre crianças que precisam de tratamento no exterior
Durante a entrevista, Pascoal também comentou o caso de duas crianças do Acre, Pedro e Tiago, que precisam realizar tratamento nos Estados Unidos para uma doença ultra rara. Segundo ele, a família vem mobilizando a sociedade por meio de uma campanha de arrecadação de recursos.
O ex-secretário afirmou que manteve contato com a família e que também buscou alternativas junto ao Ministério da Saúde.“Eu conversei com a Fabíola, a mãe do Pedro e do Thiago. Inclusive, nós tentamos uma conversa com o ministro Padilha. Chegamos a falar com o Massuda, que é o secretário abaixo do Padilha.”
De acordo com Pascoal, uma das orientações recebidas foi buscar apoio por meio de associações ligadas às distrofias musculares. Ele afirmou, porém, que outras iniciativas também estão sendo articuladas para ajudar as crianças.
Tratamento é considerado experimental
Pascoal explicou que o caso envolve uma doença considerada ultra rara e que, por isso, ainda existem poucos estudos disponíveis sobre o tratamento.
Segundo ele, o medicamento é experimental e apresenta resultados considerados positivos, mas ainda não possui ampla evidência científica devido ao número reduzido de casos. “É uma doença ultrarrara. São poucos os casos e, com poucos casos, nós também temos poucos estudos sobre a medicação, se faz efeito, se não faz. É uma medicação experimental, com bons resultados, mas nós temos ainda poucos estudos.”
O médico afirmou ainda que o tratamento pode custar cerca de US$ 1 milhão e que, segundo ele, o Ministério da Saúde não teria sinalizado até o momento o financiamento da viagem das crianças aos Estados Unidos.
Pascoal disse que continuará buscando alternativas para auxiliar a família.“Eu estou aqui também para apoiar a Fabíola. A gente vem mantendo contato. O que a gente puder fazer para ajudar, a gente está à disposição”, encerrou.
Veja o vídeo:
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

