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Guindastes lançam tanques, blindados, canhões e até um helicóptero militar no mar Vermelho, alinham 19 máquinas de guerra a 28 metros de profundidade e criam um surreal museu subaquático tomado por peixes e corais
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 31/08/2026 às 11:42
Atualizado em 31/08/2026 às 11:43
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Jordânia afundou 19 veículos militares no mar Vermelho, a até 28 metros, criando em Aqaba um museu subaquático ocupado pela vida marinha.
Em julho de 2019, a costa de Aqaba, na Jordânia, ganhou uma cena que parecia saída de uma operação militar executada ao contrário. Tanques, veículos blindados, peças antiaéreas, uma ambulância, um guindaste militar, um transporte de tropas e até um helicóptero de combate foram cuidadosamente baixados para o fundo do mar Vermelho.
Segundo a Reuters, o projeto nasceu com 19 veículos e equipamentos militares submersos em diferentes profundidades e foi concebido para atrair mergulhadores, criar novas superfícies para organismos marinhos e reduzir parte da pressão turística sobre recifes naturais.
O resultado foi o Underwater Military Museum de Aqaba, apresentado pela autoridade de turismo da Jordânia como o primeiro museu militar subaquático desse tipo no mundo. As 19 peças originais foram posicionadas deliberadamente em uma espécie de formação de batalha, algumas entre 15 e 20 metros e outras chegando a aproximadamente 28 metros de profundidade.
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A operação começou com 19 máquinas militares aposentadas
O museu não surgiu de embarcações naufragadas acidentalmente nem de equipamentos perdidos durante uma guerra. Os veículos foram retirados de serviço e submersos deliberadamente para formar uma atração planejada no fundo do mar.
A Aqaba Special Economic Zone Authority, ASEZA, coordenou o projeto. A relação inicial incluía diferentes tipos de tanques, uma ambulância militar, um guindaste, um transporte de tropas, armamentos antiaéreos e um helicóptero de combate. O material havia sido doado pelas Forças Armadas jordanianas.
Antes de qualquer peça entrar na água, houve cerca de 30 dias de levantamento, fotografias e planejamento, segundo informações da ASEZA reproduzidas pelo Jordan Times. A colocação propriamente dita dos equipamentos ocorreu ao longo de vários dias.
Não bastava jogar os tanques no mar
Afundar deliberadamente máquinas militares exige muito mais cuidado do que simplesmente empurrá-las de uma embarcação.
Veículos militares possuem combustíveis, lubrificantes, fluidos hidráulicos e outros materiais que poderiam contaminar o ambiente.
A ASEZA informou que materiais considerados perigosos foram retirados dos equipamentos antes da submersão, justamente para adequar a operação às práticas ambientais previstas para o projeto.
Assista o vídeo
A escolha do local também foi planejada. De acordo com a ASEZA, buscou-se uma região com pouca presença de corais e organismos marinhos para evitar que a implantação destruísse um recife natural já estabelecido. A intenção era permitir que as estruturas funcionassem como novos substratos e, ao mesmo tempo, criassem outro ponto de interesse para mergulhadores.
O fundo do mar foi organizado como se fosse um campo de batalha
A disposição dos objetos tornou o projeto ainda mais incomum. Em vez de espalhar aleatoriamente os veículos, os responsáveis organizaram as máquinas para imitar uma formação militar tática. O site oficial de turismo da Jordânia continua descrevendo o conjunto dessa maneira.
No fundo arenoso aparecem tanques com os canhões projetados à frente, blindados, peças de artilharia e outros veículos posicionados próximos uns dos outros.
O efeito visual para quem mergulha é semelhante ao de encontrar uma unidade militar abandonada intacta debaixo d’água.
A diferença fundamental é que aquela disposição não registra uma batalha. Ela foi desenhada deliberadamente como uma instalação turística e ambiental.
O helicóptero é uma das peças mais impressionantes do museu
Entre os equipamentos, poucas estruturas produzem tanto impacto visual quanto o helicóptero militar.
O inventário oficial inclui um AH-1F Cobra, helicóptero de ataque desenvolvido pela Bell nos Estados Unidos e utilizado pela Real Força Aérea Jordaniana. A aeronave aposentada foi colocada no fundo juntamente com os veículos terrestres.
Fotografias atuais mostram mergulhadores se aproximando da cabine, passando ao lado da fuselagem e observando as pás do rotor acima do corpo da aeronave. Em 2024, uma série fotográfica da Reuters registrou justamente um mergulhador diante do helicóptero submerso, já integrado visualmente ao cenário submarino.
É uma inversão completa da função original da máquina: construída para operar no ar, a aeronave agora permanece imóvel sobre o fundo do mar e serve de estrutura para exploração submarina.
O conjunto também possui um enorme tanque Chieftain
Outro destaque é um tanque de batalha britânico Chieftain, conhecido no serviço jordaniano como Khalid Shir.
O guia oficial de mergulho de Aqaba identifica o veículo e registra seu canhão de 120 milímetros, uma dimensão que ajuda a explicar a aparência monumental da máquina quando observada por um mergulhador a poucos metros de distância.
Há ainda um veículo blindado Ferret, um veículo de combate Ratel, uma ambulância militar sobre lagartas e armamentos antiaéreos, incluindo um M42 Duster equipado originalmente com canhões Bofors de 40 milímetros.
A diversidade é uma das razões pelas quais o lugar se diferencia de um naufrágio convencional. Em vez de explorar apenas um navio ou avião, o mergulhador circula por uma coleção inteira de máquinas construídas originalmente para funções militares distintas.
Oito peças ficaram entre 15 e 20 metros de profundidade
As profundidades também foram pensadas para oferecer diferentes formas de observação.
Na configuração inicial, oito dos 19 objetos foram posicionados aproximadamente entre 15 e 20 metros abaixo da superfície. Os outros 11 ficaram entre 20 e 28 metros, conforme informações da ASEZA publicadas pelo Jordan Times.
Essa distribuição permite que boa parte do conjunto seja explorada por mergulho recreativo. Em determinadas condições, estruturas mais rasas também podem ser observadas por praticantes de snorkeling ou por visitantes em embarcações com fundo transparente.
A Reuters registrou em 2024 os equipamentos distribuídos aproximadamente entre 15 e 30 metros, mostrando como a diferença de profundidade permite experiências variadas dentro do mesmo sítio.
A instalação das máquinas levou cerca de sete dias
A parte mais espetacular aconteceu quando os veículos começaram efetivamente a desaparecer sob a água.
Segundo a documentação baseada nas informações da ASEZA, o processo foi executado durante sete dias de trabalho, depois de aproximadamente um mês de planejamento. Máquinas pesadas e estruturas de içamento foram utilizadas para colocar os equipamentos no mar e controlar sua posição final.
Fotografias produzidas durante a operação mostram, por exemplo, o helicóptero Cobra sendo lentamente baixado até a água. Outros registros mostram tanques já repousando no fundo arenoso.
O objetivo era obter uma configuração específica. Se uma máquina simplesmente fosse lançada sem controle, poderia virar, afundar parcialmente no sedimento ou terminar em posição diferente daquela prevista para o circuito de mergulho.
A ideia era criar um novo destino sem sacrificar um recife natural
O projeto possuía uma segunda finalidade além do impacto turístico.
Aqaba concentra os poucos quilômetros de litoral jordaniano no golfo de mesmo nome, uma região conhecida por mergulho e por suas formações coralíneas. O crescimento do turismo significa mais pessoas circulando justamente nesses ecossistemas sensíveis.
A ASEZA afirmou que uma das intenções do museu era atrair visitantes para uma área artificial, diminuindo a concentração de mergulhadores sobre determinadas formações naturais.
O princípio é semelhante ao de outros recifes artificiais construídos com navios previamente descontaminados: oferecer superfícies duras que possam ser progressivamente ocupadas por organismos enquanto se cria um ponto alternativo de mergulho.
Isso não significa que colocar metal no oceano seja automaticamente benéfico. A preparação ambiental, a localização e o acompanhamento do local são componentes essenciais para que uma intervenção desse tipo não simplesmente transforme equipamentos abandonados em poluição submarina.
Cinco anos depois, peixes já circulavam entre tanques e canhões
Em maio de 2024, a Reuters voltou ao local e registrou o museu já anos depois de sua inauguração. As imagens mostram peixes nadando junto a veículos militares, mergulhadores ao redor do helicóptero, um canhão de artilharia sobre o fundo e superfícies metálicas alteradas pelo tempo de permanência no mar.
A agência destacou que o museu havia sido criado justamente na expectativa de que as estruturas ajudassem a ampliar espaços disponíveis para a vida marinha e atraíssem mergulhadores para longe de alguns recifes naturais.
O contraste produz as fotografias mais fortes do projeto: equipamentos projetados para combate aparecem cercados por peixes, enquanto organismos começam a ocupar reentrâncias, rodas, lagartas e partes externas das máquinas.
Corais começaram a ocupar as antigas máquinas de guerra
O processo de colonização não acontece de uma única vez. Depois que uma estrutura adequada é colocada no ambiente marinho, diferentes organismos podem começar a aderir às superfícies. Ao longo do tempo, essas comunidades modificam a aparência originalmente metálica do objeto.
O site oficial Visit Jordan descreve atualmente o museu entre as atrações submarinas de Aqaba e mostra equipamentos com crescimento de corais e atividade de vida marinha ao redor deles.
Isso não transforma instantaneamente todo o conjunto em equivalente ecológico a um recife natural desenvolvido durante séculos.
Mas demonstra a colonização biológica que os responsáveis buscavam quando escolheram instalar os veículos sobre uma área arenosa e relativamente pobre em corais.
Máquinas construídas para guerra passaram a cumprir uma função completamente oposta
Essa transformação explica por que o Underwater Military Museum chama tanta atenção mesmo entre pessoas que nunca praticaram mergulho.
Tanques foram projetados para atravessar terrenos hostis. Blindados existem para proteger soldados. Canhões foram construídos para atacar alvos. O Cobra nasceu como helicóptero de combate.
Em Aqaba, nenhum desses equipamentos cumpre mais sua finalidade original.
Hoje eles ficam imóveis no fundo do mar Vermelho enquanto mergulhadores passam por suas estruturas e peixes atravessam espaços antes ocupados por equipamentos militares. As fotografias da Reuters feitas em 2024 mostram de maneira concreta essa mudança de função.
O cenário que imita um campo de batalha acabou se tornando exatamente o contrário: uma atração turística cuja justificativa inclui aliviar pressão sobre recifes naturais e oferecer novas superfícies para colonização marinha.
O fundo do mar Vermelho virou um dos museus mais incomuns do planeta
O resultado final começou com uma operação de engenharia bastante concreta. Durante semanas, equipes estudaram a área. Equipamentos aposentados foram preparados e descontaminados.
Depois, ao longo de cerca de sete dias, 19 máquinas militares foram baixadas até o fundo. Oito ficaram entre 15 e 20 metros; outras 11 chegaram à faixa de 20 a 28 metros. Tudo foi organizado para lembrar uma formação tática.
Cinco anos depois, a Reuters encontrou os antigos veículos ainda ali, mas cercados por uma realidade completamente diferente daquela para a qual haviam sido construídos: água azul, mergulhadores, peixes e organismos marinhos ocupando progressivamente as superfícies.
Poucos museus exigem cilindro de ar para serem visitados. Menos ainda permitem nadar ao redor de um tanque, aproximar-se de um canhão antiaéreo e, metros depois, encontrar um helicóptero de ataque repousando sobre o fundo.
Em Aqaba, a Jordânia transformou 19 máquinas de guerra aposentadas em uma exposição submersa, e o tempo começou a executar a etapa que nenhum guindaste poderia realizar: cobrir lentamente o metal militar com a vida do mar Vermelho.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

