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Hérnia de disco tira mais de 208 mil brasileiros do trabalho em apenas um ano, atinge cerca de 5 milhões no país e transforma uma das dores mais comuns das costas em causa de afastamentos pelo INSS
Escrito por Ana Alice
Publicado em 30/08/2026 às 23:03
Atualizado em 30/08/2026 às 23:04
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Problemas relacionados à coluna ficaram entre as principais causas de afastamento do trabalho em 2025, enquanto sintomas como dor irradiada, formigamento e perda de força ajudam a indicar quando o incômodo merece maior atenção.
Uma dor que começa na lombar, desce pela perna ou vem acompanhada de formigamento pode parecer apenas consequência de esforço, postura ou muitas horas sentado.
Em parte dos casos, porém, os sintomas estão relacionados a alterações nos discos que ficam entre as vértebras — e os números de afastamentos registrados no Brasil mostram o tamanho do impacto desses problemas sobre a rotina profissional.
Em 2025, 208.727 benefícios por incapacidade temporária foram concedidos pelo INSS por transtornos dos discos intervertebrais classificados no CID M51, grupo que inclui hérnias de disco.
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Foi a segunda maior causa individual desse tipo de afastamento no país, atrás apenas da dorsalgia, categoria que reúne dores nas costas e contabilizou 237.113 concessões no mesmo ano.
Ao todo, o INSS concedeu 4.126.112 benefícios por incapacidade temporária em 2025, volume 15% superior ao registrado em 2024.
Os números ajudam a dimensionar um problema que vai além de uma dor passageira: doenças e alterações da coluna podem comprometer movimento, força, capacidade de permanecer sentado ou em pé e, dependendo da atividade profissional, impedir temporariamente o trabalho.
Há, porém, uma diferença importante.
O número de 208.727 corresponde à categoria CID M51, denominada “outros transtornos de discos intervertebrais”, que engloba hérnias e outras alterações dos discos.
Por isso, o dado deve ser entendido como o total de benefícios concedidos dentro desse grupo diagnóstico, e não como uma contagem exclusiva de todos os casos de hérnia de disco existentes no Brasil.
Problemas de coluna lideram afastamentos do trabalho
Os dados colocaram duas condições relacionadas às costas nas primeiras posições entre as causas de benefícios por incapacidade temporária.
A dorsalgia, identificada pelo CID M54, ficou em primeiro lugar com 237.113 concessões.
Logo depois apareceram os transtornos dos discos intervertebrais, com 208.727.
Em 2024, esses problemas discais haviam resultado em 172.452 benefícios, o que mostra aumento no número de concessões no ano seguinte.
O benefício por incapacidade temporária, anteriormente conhecido como auxílio-doença, é destinado ao segurado do INSS que comprove estar temporariamente impossibilitado de exercer seu trabalho ou atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos devido a doença ou acidente.
A existência de um diagnóstico, portanto, não significa automaticamente que haverá afastamento.
É necessário que exista incapacidade para o trabalho e que ela seja reconhecida no processo de análise previsto pelo INSS.
O que acontece quando surge uma hérnia de disco
Entre cada par de vértebras existem discos intervertebrais que ajudam a absorver impactos e permitem o movimento da coluna.
Essas estruturas possuem uma parte externa, chamada ânulo fibroso, e uma região interna de consistência mais gelatinosa, conhecida como núcleo pulposo.
Na hérnia de disco, a cápsula pode se romper e permitir que parte do conteúdo interno se desloque, provocando inflamação e compressão de uma raiz nervosa próxima.
A consequência varia bastante de pessoa para pessoa.
Há indivíduos que apresentam alterações nos discos sem sintomas relevantes, enquanto outros desenvolvem dor intensa, perda de sensibilidade ou fraqueza muscular.
A região lombar está entre os locais em que esse quadro pode ocorrer.
Também existem hérnias na coluna cervical, capazes de provocar sintomas no pescoço e nos membros superiores.
Assista o vídeo
Dor irradiada e formigamento estão entre os sintomas
Nem toda dor nas costas significa hérnia de disco.
Quando existe compressão ou inflamação de uma raiz nervosa, entretanto, alguns sinais podem chamar atenção.
Dor lombar que se espalha para a perna, dor no pescoço que irradia para o braço, formigamento, dormência e redução da força muscular estão entre as manifestações descritas pelo Einstein.
A intensidade também varia.
Em alguns casos, atividades rotineiras passam a ser difíceis justamente porque determinado movimento aumenta a dor ou porque a compressão nervosa interfere na força ou na sensibilidade.
O diagnóstico não deve ser feito apenas com base nesses sintomas, já que outras doenças ortopédicas e neurológicas podem provocar sinais semelhantes.
Genética, tabagismo e sedentarismo aparecem entre fatores de risco
A formação de uma hérnia de disco não costuma depender de uma única causa.
Com o envelhecimento, os discos intervertebrais sofrem mudanças naturais e podem perder parte de sua resistência.
A predisposição genética também pode aumentar a probabilidade de desenvolver alterações discais.
Além disso, sedentarismo, tabagismo e obesidade estão entre os fatores associados a maior risco, segundo material médico do Einstein.
Questões relacionadas à ergonomia, atividades físicas executadas inadequadamente e determinados esforços também podem contribuir para problemas na região lombar.
Luciano Miller, médico cirurgião de coluna ligado ao Hospital Israelita Albert Einstein, também chama atenção para a combinação desses fatores.
“Em muitos casos, a hérnia de disco está relacionada à predisposição genética”, afirmou o especialista em conteúdo publicado em agosto de 2026.
O mesmo material aponta sedentarismo, excesso de peso, tabagismo, movimentos repetitivos e longos períodos sentado entre condições que podem aumentar o risco.
Ressonância magnética precisa ser interpretada junto aos sintomas
Quando há suspeita de hérnia de disco, a investigação começa pela história clínica e pelo exame físico.
O médico procura entender onde está a dor, se existe irradiação, perda de força, alteração de sensibilidade, formigamento e comprometimento dos movimentos.
A ressonância magnética pode ser solicitada para identificar alterações no disco e avaliar se existe compressão de estruturas nervosas.
Uma imagem alterada, sozinha, porém, não fecha necessariamente o diagnóstico.
O Einstein destaca que a ressonância é bastante sensível e pode revelar alterações relacionadas ao envelhecimento mesmo em pessoas que não apresentam sintomas.
Por isso, o resultado do exame precisa ser compatível com aquilo que o paciente sente e com as alterações encontradas durante a avaliação física.
Em quadros recentes de dor lombar sem sinais de alerta ou perda motora importante, protocolos médicos também procuram evitar a realização indiscriminada de exames de imagem.
A necessidade depende da avaliação individual e dos sinais apresentados.
Permanecer muitas horas sentado também exige atenção
O crescimento do trabalho realizado diante de computadores tornou a ergonomia parte importante da discussão sobre saúde da coluna.
Permanecer na mesma posição durante períodos prolongados pode contribuir para desconfortos e sobrecarga, especialmente quando o ambiente de trabalho não está adequadamente ajustado.
O Einstein recomenda atenção à postura, adequação de cadeira e mesa e pequenas pausas durante períodos prolongados sentado.
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Ana Alice
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Fortalecimento dos músculos do abdômen, costas e pelve, prática regular de atividade física e abandono do tabagismo também aparecem entre as medidas que podem reduzir fatores de risco relacionados aos problemas discais.
Isso não significa, contudo, que toda hérnia possa ser evitada.
Fatores genéticos e alterações relacionadas ao envelhecimento também participam do processo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

