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Imóvel abandonado vira montanha de resíduos, ameaça vizinhos e exige operação extrema: prefeitura remove mais de 300 toneladas no primeiro dia, derruba a estrutura condenada e estima retirar até 900 toneladas no total em Aparecida de Goiânia
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 04/08/2026 às 19:36
Construção
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Durante oito anos, lixo, madeira, telhas e objetos antigos tomaram conta de uma propriedade em Goiás. A situação chegou a um ponto crítico, colocou a vizinhança em risco e terminou em uma grande operação de limpeza e demolição.
A casa desapareceu sob o lixo.
Quando as máquinas chegaram, quase não havia mais uma residência reconhecível. Madeira, telhas, objetos velhos e entulho ocupavam o terreno, cercavam as paredes e se espalhavam sobre o que restava da estrutura.
A cena foi encontrada no Parque Ibirapuera, em Aparecida de Goiânia. Abandonado desde 2018, o imóvel acumulou tanto material que mais de 300 toneladas foram removidas apenas no primeiro dia da operação, iniciada em 13 de maio de 2026.
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A estimativa municipal era ainda mais difícil de imaginar: a retirada poderia chegar a 900 toneladas. A cifra, porém, era uma previsão, não um balanço final confirmado.
O abandono avançou do mato para dentro da casa
Segundo a Prefeitura de Aparecida de Goiânia, o problema começou há cerca de oito anos, quando a vegetação ocupou a calçada e o meio-fio. Depois, o lixo se espalhou pelo quintal aberto, sem muro frontal.
Com o abandono completo, os resíduos se multiplicaram e o local passou a ser usado como abrigo improvisado. A situação deixou de ser apenas um incômodo visual e passou a afetar a segurança dos moradores próximos.
O peso dos materiais, a deterioração da construção e a falta de controle sobre os descartes transformaram o terreno em um risco sanitário e estrutural.
Laudos apontaram que limpar não seria suficiente
A Defesa Civil inspecionou o imóvel e concluiu que a estrutura oferecia perigo à saúde pública, à vizinhança e à estabilidade da construção.
A avaliação técnica indicou que retirar os resíduos sem demolir o prédio não resolveria o problema. A recomendação incluiu a interdição da área e a demolição.
A Procuradoria-Geral do Município analisou o caso e autorizou a intervenção. Antes disso, a família do proprietário havia sido notificada.
Segundo a informação apresentada ao município, ele tinha limitações intelectuais que comprometiam sua capacidade de decidir sozinho. A família também declarou não possuir recursos para pagar a limpeza. Mesmo assim, foi aplicada multa de R$ 906,35, prevista pelo Código de Posturas municipal.
Cinco caminhões enfrentaram a montanha de resíduos
A operação mobilizou uma pá-carregadeira, um trator compacto do tipo Bobcat, cinco caminhões basculantes e equipes de fiscalização e Desenvolvimento Urbano.
No primeiro dia, foram retiradas mais de 300 toneladas. A expectativa era manter as máquinas no local por outros dois dias, até concluir a remoção do lixo, dos objetos e dos restos da demolição.
O aterro sanitário do município recebe normalmente cerca de 500 toneladas de resíduos sólidos por dia. Assim, a estimativa de 900 toneladas para uma única propriedade representaria quase dois dias de todo o material recebido no aterro, embora os resíduos não sejam necessariamente do mesmo tipo.
Depois da demolição, o terreno voltou a aparecer
À medida que os caminhões deixavam o local, surgiu uma transformação pouco comum. Onde havia uma estrutura sufocada por lixo e escombros, restou um terreno aberto, sem a construção condenada e sem a massa de materiais que dominava o espaço.
O caso expôs um problema maior. Entre janeiro e maio de 2026, Aparecida de Goiânia recolheu 111,6 mil toneladas de resíduos. Desse total, 48,7 mil toneladas vieram de ruas, avenidas, áreas públicas e pontos de descarte irregular.
A demolição chama atenção pelas imagens e pela estimativa de 900 toneladas, mas sua importância está no que revela. Quando o abandono avança por anos, uma propriedade pode deixar de ser apenas um problema familiar e se transformar em risco coletivo, exigindo máquinas, recursos públicos e uma intervenção capaz de mudar completamente a paisagem.
Fonte
Prefeitura de Goiânia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

