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Na Noite Oficial dos OVNIs, 21 objetos desconhecidos invadiram os radares do Brasil, cinco caças militares decolaram para persegui-los e pilotos relataram que as luzes aceleravam e desapareciam sempre que as aeronaves tentavam se aproximar
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/08/2026 às 19:39
Atualizado em 04/08/2026 às 19:40
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Em maio de 1986, radares detectaram 21 objetos desconhecidos sobre o Brasil, levando a Força Aérea a enviar cinco caças para tentar interceptá-los.
Na noite de 19 de maio de 1986, luzes desconhecidas apareceram sobre diferentes regiões do Brasil e começaram a ser detectadas por radares militares. O movimento foi considerado incomum o bastante para colocar o sistema de defesa aérea em alerta e enviar cinco caças para investigar o que estava acontecendo. Os pilotos encontraram alvos que mudavam de cor, aceleravam de forma repentina e desapareciam quando os aviões tentavam se aproximar. O episódio ficou conhecido como a Noite Oficial dos OVNIs e terminou sem uma explicação definitiva para a origem dos objetos.
Luzes desconhecidas apareceram sobre São José dos Campos
Os primeiros registros importantes ocorreram na região de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Um operador da torre de controle observou luzes que se movimentavam sobre a cidade e comunicou a situação aos responsáveis pelo tráfego aéreo.
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Segundo o relatório do Ministério da Aeronáutica, as luzes apresentavam principalmente a cor vermelha. Em alguns momentos, porém, mudavam para amarelo, verde e laranja enquanto continuavam se deslocando pelo céu.
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O controle de aproximação de São Paulo também registrou contatos de radar na mesma área. A presença de sinais nos equipamentos fez o caso deixar de ser apenas um avistamento feito a olho nu.
Ozires Silva estava em um avião que se aproximava do aeroporto
Ozires Silva, fundador da Embraer e recém-nomeado presidente da Petrobras, viajava em uma aeronave Xingu. O avião se aproximava do aeroporto de São José dos Campos quando a torre perguntou se a tripulação conseguia observar as luzes.
O piloto Alcir Pereira da Silva confirmou que também conseguia ver os pontos luminosos. As luzes pareciam grandes estrelas vermelhas e se moviam na região próxima ao caminho seguido pela aeronave.
A tripulação decidiu observar os objetos durante alguns minutos, mas não conseguiu se aproximar. A situação foi comunicada ao sistema de controle aéreo, que passou a acompanhar os sinais com maior atenção.
Radares militares começaram a detectar vários objetos
Os sinais chegaram aos equipamentos do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, o CINDACTA. A quantidade e o comportamento dos contatos aumentaram a preocupação dos controladores que estavam trabalhando naquela noite.
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O governo brasileiro informa que 21 objetos voadores não identificados foram observados no episódio. Os registros envolveram áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.
Parte dos objetos foi vista por testemunhas civis e militares, enquanto outros apareceu apenas nos radares. Também houve momentos em que pilotos enxergaram luzes, mas os equipamentos não mostraram sinais correspondentes.
Sistema de defesa aérea foi colocado em alerta
As informações chegaram ao Centro de Operações Militares e ao Centro de Operações de Defesa Aérea. Esses órgãos eram responsáveis por acompanhar possíveis ameaças e decidir se aeronaves militares deveriam ser enviadas.
Os controladores tentaram acompanhar a direção, a velocidade e a altitude dos contatos. Alguns sinais apareciam com maior clareza, enquanto outros desapareciam antes que fosse possível manter um acompanhamento completo.
Diante da permanência dos objetos, o comando acionou as bases aéreas de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e de Anápolis, em Goiás. As duas bases prepararam seus aviões para missões de interceptação.
Cinco caças foram enviados para perseguir os objetos
A Força Aérea Brasileira enviou cinco caças durante a operação. Foram utilizados aviões F-5E Tiger II, que partiram de Santa Cruz, e caças Mirage III, enviados pela Base Aérea de Anápolis.
A missão dos pilotos era alcançar, observar e identificar os alvos. Os controladores em terra informavam a direção dos sinais, enquanto os aviadores usavam os próprios radares para tentar localizar os objetos.
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As decolagens aconteceram durante um período de aproximadamente uma hora. Algumas aeronaves conseguiram contatos visuais ou por radar, enquanto outras completaram a missão sem encontrar qualquer sinal estranho.
Primeiro caça encontrou uma luz que mudava de cor
O primeiro F-5E decolou da Base Aérea de Santa Cruz por volta das 22h34. A aeronave era pilotada pelo tenente-aviador Kleber Caldas Marinho e foi direcionada para a região de São José dos Campos.
O piloto informou que observou uma luz branca abaixo da altitude do caça. Pouco depois, o objeto começou a subir, permaneceu acima do avião e alternou as cores branca, vermelha e verde.
O radar de bordo também registrou um contato a uma distância aproximada de 10 a 12 milhas. A perseguição seguiu em direção ao mar, mas foi encerrada quando o combustível chegou perto do limite de segurança para o retorno.
Mirage chegou a duas milhas do alvo desconhecido
O primeiro Mirage decolou de Anápolis e foi orientado para um ponto detectado pelos radares locais. O capitão-aviador Armindo Sousa Viriato de Freitas realizou cinco tentativas de aproximação durante a missão.
O piloto conseguiu localizar o contato em seu radar, mas não conseguiu enxergá-lo diretamente. Em uma das tentativas, o Mirage chegou a uma distância de apenas duas milhas do alvo desconhecido.
O objeto realizava movimentos em zigue-zague e curvas fechadas. Sua velocidade diminuía para permitir a aproximação do caça, mas logo aumentava de forma repentina e fazia o contato desaparecer.
Objeto acelerou mesmo diante de um caça supersônico
O Mirage usado na missão era capaz de voar acima da velocidade do som. Mesmo assim, o relatório afirma que o alvo conseguiu se afastar rapidamente quando o avião militar chegou mais perto.
O contato variava a velocidade e parecia controlar a distância em relação ao caça. Quando o piloto avançava, o objeto acelerava até sair do alcance do radar de bordo.
Sem conseguir manter o alvo nos equipamentos e sem contato visual, o piloto abandonou a perseguição. O comportamento registrado tornou-se uma das partes mais conhecidas do relatório militar sobre aquela noite.
Segundo F-5 encontrou uma forte luz vermelha
Poucos minutos depois, um segundo F-5E decolou da Base Aérea de Santa Cruz. O caça era comandado pelo capitão Márcio Brisola Jordão e foi enviado para a mesma região ao sul de São José dos Campos.
O piloto observou uma luz vermelha exatamente na posição indicada pelos controladores. Quando o caça começou a se aproximar, a luz pareceu se afastar e depois desapareceu junto com o contato do radar.
O fato indicou que o ponto observado pelo piloto poderia estar ligado ao sinal encontrado pelos equipamentos em terra. Mesmo assim, não foi possível identificar sua forma, origem ou estrutura.
Treze sinais surgiram atrás de um dos caças
Durante a missão do segundo F-5E, os controladores perceberam algo ainda mais estranho. Treze sinais apareceram por um curto período atrás da aeronave militar.
Os registros estavam divididos em dois grupos, com seis objetos de um lado e sete do outro. O conjunto parecia acompanhar o caça, embora o piloto não tenha conseguido enxergar as luzes ao seu redor.
O piloto realizou uma curva de aproximadamente 100 graus para procurar os objetos. Mesmo com a manobra, não encontrou sinais em seu radar de bordo nem conseguiu qualquer contato visual.
Dois últimos caças não encontraram nada estranho
O quarto caça decolou da Base Aérea de Anápolis por volta das 23h17. O Mirage era pilotado pelo capitão-aviador Rodolfo da Silva Sousa, que permaneceu cerca de 45 minutos em comunicação com os controladores.
Durante o voo, o piloto não encontrou sinais estranhos pelo radar nem observou luzes. O quinto caça, comandado por Júlio César Rosemberg, decolou alguns minutos depois e também não registrou nada fora do normal.
As cinco aeronaves voltaram às suas bases e pousaram normalmente. Nenhum objeto foi capturado, atingido ou identificado durante toda a operação realizada pela Força Aérea.
Pilotos e radares nem sempre mostravam a mesma coisa
Um dos pontos mais difíceis de explicar foi a diferença entre as observações humanas e os equipamentos. Em alguns momentos, os pilotos enxergavam luzes, mas os radares não mostravam contatos claros.
Em outras situações, os controladores encontravam sinais nos equipamentos, mas os pilotos não conseguiam ver nada. O primeiro Mirage, por exemplo, detectou um alvo no radar de bordo sem obter contato visual.
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O controlador de voo Sérgio Mota explicou que a Aeronáutica deu maior atenção aos casos com confirmação simultânea. Isso ocorria quando o objeto era visto e também aparecia em algum radar.
Objetos mudavam de velocidade, altitude e cor
O relatório militar reuniu características observadas em diferentes momentos da operação. Os contatos variavam entre velocidades abaixo e acima da velocidade do som, além de permanecerem parados no ar em algumas situações.
As altitudes também mudavam bastante. Alguns registros estavam abaixo de cinco mil pés, enquanto outros apareciam acima de 40 mil pés, altura superior à usada por muitos aviões comerciais.
As luzes foram descritas nas cores branca, vermelha, verde, amarela e laranja. Também existiram contatos de radar sem qualquer iluminação que pudesse ser vista pelos pilotos ou pelas pessoas em terra.
Ministro confirmou publicamente a perseguição dos OVNIs
Em 23 de maio de 1986, o então ministro da Aeronáutica, Octávio Júlio Moreira Lima, convocou uma entrevista coletiva. Os cinco pilotos e controladores que trabalharam na operação participaram da apresentação.
O ministro confirmou que 21 objetos desconhecidos haviam sido perseguidos por cinco caças da Força Aérea. Ele informou que os militares possuíam dados técnicos, mas ainda não tinham uma explicação para os acontecimentos.
A declaração pública ajudou a transformar o episódio em um caso histórico. Era incomum que uma autoridade militar confirmasse diante da imprensa uma operação aérea criada para investigar objetos não identificados.
Relatório militar foi concluído em junho de 1986
O Comando Aéreo de Defesa Aérea preparou um relatório datado de 2 de junho de 1986. O documento reuniu informações dos controladores, dos radares, dos pilotos e das unidades envolvidas na operação.
O texto reconheceu limitações dos equipamentos usados naquele período. Alguns contatos eram fracos e exigiam a participação constante dos controladores para permanecerem visíveis nas telas.
Mesmo com essas limitações, o relatório destacou pontos semelhantes nas observações. Entre eles estavam acelerações bruscas, mudanças de altitude, luzes coloridas, curvas rápidas e contatos em radares de solo e de aeronaves.
Documento afirmou que os fenômenos pareciam sólidos
Na conclusão, o comando declarou que parte dos fenômenos produzia ecos nos radares militares. Em alguns casos, os sinais também eram registrados pelos equipamentos dos caças e comparados com aquilo que os pilotos enxergavam.
O relatório considerou que os fenômenos pareciam sólidos e apresentavam algum tipo de comportamento inteligente. Essa avaliação foi baseada na capacidade de manter distância, acompanhar aeronaves e voar em formação.
O documento acrescentou que isso não significava necessariamente que os objetos fossem tripulados. O texto também não identificou quem poderia controlá-los nem explicou de onde teriam vindo.
Relatório completo demorou 23 anos para chegar ao público
Durante a entrevista coletiva, o ministro afirmou que um documento completo seria apresentado em cerca de 30 dias. A divulgação pública, porém, não aconteceu dentro daquele prazo.
O relatório datado de junho de 1986 somente se tornou público em setembro de 2009. O documento foi liberado mais de duas décadas depois dos acontecimentos e passou a integrar o acervo nacional sobre OVNIs.
A liberação permitiu comparar as notícias da época com os registros preparados pelos próprios militares. As páginas apresentam a ordem dos acontecimentos, as decolagens e as observações feitas durante cada missão.
Gravações das conversas também foram preservadas
O Arquivo Nacional recebeu documentos, fotografias, vídeos e gravações ligados aos relatos de objetos voadores não identificados. Parte desse material foi produzida pelo próprio Comando da Aeronáutica.
Em 2015, a instituição disponibilizou 16 áudios pertencentes ao chamado Fundo OVNI. O conjunto inclui oito gravações de conversas mantidas entre pilotos, controladores e o sistema brasileiro de defesa aérea.
Esses registros permitem acompanhar parte da comunicação realizada na noite de 19 de maio de 1986. As vozes mostram como os militares recebiam as informações e tentavam orientar os caças até os contatos.
OVNI não significa necessariamente nave extraterrestre
A sigla OVNI significa objeto voador não identificado. Ela é usada quando algo observado no céu não consegue ser reconhecido naquele momento como avião, balão, fenômeno natural ou outro objeto conhecido.
Os documentos confirmam que houve sinais de radar, luzes e missões de interceptação. Eles não apresentam provas de que os objetos fossem naves de outro planeta ou veículos comandados por seres extraterrestres.
A Noite Oficial dos OVNIs continua curiosa justamente porque o material militar não apresenta uma explicação final. O que ficou comprovado foi a mobilização da defesa aérea diante de fenômenos que não puderam ser identificados.
Noite Oficial dos OVNIs permanece sem explicação definitiva
Quase 40 anos depois, o episódio continua entre os casos aéreos mais conhecidos do Brasil. Os registros mostram que a ocorrência envolveu testemunhas, radares, controladores e cinco aeronaves militares.
Alguns contatos se afastaram diante dos caças, outros desapareceram dos radares e dois aviões não encontraram nada. Nenhum equipamento, destroço ou objeto físico foi recolhido para permitir uma identificação completa.
Aquela noite terminou com todos os caças de volta às bases e os alvos fora das telas. O Brasil ficou com um relatório oficial, gravações de rádio e a história de 21 objetos que mobilizaram a Força Aérea e desapareceram sem revelar o que eram.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

