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Jonny Kim começa a carreira nas operações mais duras dos Navy SEALs, sobrevive a mais de 100 missões de combate, decide trocar o campo de batalha por Harvard, vira médico, aprende a pilotar para a Marinha e termina a trajetória a 400 km da Terra, onde passa 245 dias como astronauta da NASA
Escrito por Ana Alice
Publicado em 31/08/2026 às 13:37
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Antes de chegar ao espaço, Jonny Kim construiu uma trajetória que passou por operações especiais, medicina, Harvard e aviação naval, acumulando qualificações raramente reunidas na carreira de uma única pessoa.
Antes de deixar a NASA em agosto de 2026, Jonny Kim já havia acumulado qualificações que normalmente pertencem a carreiras completamente diferentes.
Ele foi operador dos Navy SEALs, socorrista de combate, médico formado em Harvard, cirurgião de voo, aviador naval e astronauta, além de ter passado 245 dias na Estação Espacial Internacional.
O novo capítulo dessa trajetória foi anunciado pela NASA em 27 de agosto de 2026.
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Depois de quase uma década ligado à agência espacial, Kim deixou o corpo de astronautas para concentrar novamente sua carreira na Marinha dos Estados Unidos, onde tem a patente de tenente-comandante.
A NASA informou que ele seguirá sua trajetória militar na área de treinamento da aviação naval.
Há uma particularidade importante nessa mudança.
Kim não precisou voltar a se alistar na Marinha: durante seu período na NASA, ele continuava sendo um oficial naval na ativa, cedido para exercer funções na agência civil.
Agora, deixa a função de astronauta para retornar a uma atribuição diretamente ligada à carreira militar.
O movimento encerra uma fase que incluiu sua primeira viagem ao espaço, realizada entre abril e dezembro de 2025.
Antes disso, porém, o caminho profissional de Kim já havia passado por guerra, operações especiais, universidade, hospitais e cockpits.
Jonny Kim entrou na Marinha antes de se tornar Navy SEAL
Nascido em Los Angeles, na Califórnia, Kim ingressou na Marinha dos Estados Unidos em 2002, depois de concluir o ensino médio.
Seu primeiro caminho profissional dentro da força não foi o de piloto nem de médico.
Ele passou inicialmente pelo treinamento de Hospital Corpsman, função ligada à assistência médica dentro da Marinha, e depois seguiu para o exigente curso Basic Underwater Demolition/SEAL, conhecido pela sigla BUD/S.
Após concluir a preparação da Naval Special Warfare, Kim recebeu treinamento adicional como médico de combate de operações especiais.
Foi então designado para o SEAL Team THREE, unidade de operações especiais sediada em San Diego.
Ao longo dessa etapa, acumulou qualificações em paraquedismo militar de queda livre, mergulho avançado, mergulho de combate com circuito fechado, reconhecimento especial, técnicas avançadas de operações especiais e atuação como sniper.
Documentos oficiais da NASA registram que Kim participou de mais de 100 operações de combate durante a Operação Iraqi Freedom.
Entre as condecorações recebidas estão a Silver Star, a Bronze Star Medal com “V” de combate, a Navy and Marine Corps Commendation Medal com “V” de combate e a Combat Action Ribbon.
Experiência como socorrista de combate levou Kim à medicina
A medicina já fazia parte da vida profissional de Kim enquanto ele integrava os SEALs.
Durante as operações, ele atuou como Special Operations Combat Medic, função que exige capacidade de prestar atendimento em ambientes onde hospitais, equipes completas e equipamentos convencionais podem estar muito distantes.
Depois dos anos em operações especiais, decidiu seguir a medicina de maneira formal.
O caminho começou pelo programa Seaman to Admiral-21, criado para permitir que militares alistados avancem para a carreira de oficiais.
Kim estudou na Universidade de San Diego e concluiu a graduação em Matemática com distinção summa cum laude.
Em 2012, após a graduação, foi comissionado como oficial da Marinha.
A próxima etapa levou a carreira para Boston.
De Navy SEAL a médico formado em Harvard
Kim foi aceito na Harvard Medical School e concluiu o curso de Medicina em 2016.
Depois da formação, realizou estágio vinculado ao programa de residência em medicina de emergência de Harvard, com passagem pelo Massachusetts General Hospital e pelo Brigham and Women’s Hospital.
A mudança não significou abandonar a Marinha.
Ele passou a unir as duas áreas.
Kim se tornou flight surgeon, ou cirurgião de voo, profissional médico especializado em questões de saúde relacionadas à aviação e às condições enfrentadas por tripulações aéreas.
A combinação entre experiência operacional e formação médica acabaria abrindo espaço para outra profissão.
Ainda enquanto seguia na carreira naval, Kim colocou seu nome em um dos processos seletivos mais disputados da NASA.
Assista o vídeo
NASA escolheu Jonny Kim entre mais de 18 mil candidatos
Em 2017, a NASA recebeu mais de 18,3 mil inscrições para sua nova turma de astronautas, número recorde naquele momento.
A agência selecionou apenas 12 candidatos, e Jonny Kim estava entre eles.
Ele se apresentou à NASA em agosto daquele ano.
Os dois anos seguintes envolveram treinamento em sistemas da Estação Espacial Internacional, operações extraveiculares, robótica, voo em aeronaves T-38, sobrevivência na água e em áreas remotas, geologia de campo e língua russa.
Depois de concluir a preparação básica, passou a desempenhar funções relacionadas ao controle e planejamento de missões.
Trabalhou como CapCom, profissional que faz a comunicação direta entre o centro de controle e astronautas durante determinadas operações, e exerceu outras funções ligadas à Estação Espacial Internacional e ao programa Artemis.
Mas, mesmo depois de se tornar astronauta, Kim decidiu adquirir outra qualificação.
Astronauta voltou à escola para aprender a pilotar
Kim já tinha experiência voando no banco traseiro do T-38 Talon, aeronave usada pela NASA no treinamento de astronautas.
Ainda assim, concluiu que aprender a pilotar como comandante poderia ampliar suas habilidades para missões espaciais.
Em 2022, ele deixou temporariamente Houston para iniciar o treinamento completo de aviador naval em Corpus Christi, no Texas.
Depois avançou para o treinamento de helicópteros na Naval Air Station Whiting Field, na Flórida.
Em 24 de março de 2023, recebeu as tradicionais “Wings of Gold”, asas concedidas aos militares que concluem a formação como aviadores navais.
Com isso, passou a integrar um grupo pouco comum dentro da Marinha.
Kim tornou-se um Aeromedical Dual Designator, ou seja, passou a possuir simultaneamente as qualificações formais de Naval Aviator e Flight Surgeon — aviador naval e cirurgião de voo.
Na prática, o antigo Navy SEAL que havia estudado medicina também estava agora oficialmente qualificado para pilotar aeronaves da Marinha.
De médico e piloto a astronauta em uma Soyuz
A formação acumulada ao longo de mais de duas décadas finalmente convergiu para uma missão espacial.
Em 8 de abril de 2025, Jonny Kim decolou rumo à Estação Espacial Internacional a bordo da nave russa Soyuz MS-27, acompanhado pelos cosmonautas Sergey Ryzhikov e Alexey Zubritsky.
Era seu primeiro voo espacial.
Kim atuou como engenheiro de voo durante as Expedições 72 e 73 e permaneceu aproximadamente oito meses no complexo orbital.
A missão terminou em 9 de dezembro de 2025, quando a cápsula Soyuz pousou no Cazaquistão.
No total, Kim acumulou 245 dias no espaço, completou 3.920 órbitas ao redor da Terra e percorreu quase 104 milhões de milhas, aproximadamente 167 milhões de quilômetros.
A experiência acrescentou mais uma função ao currículo: engenheiro de voo de uma estação espacial.
Formação médica também acompanhou Jonny Kim no espaço
O período no espaço não se resumiu às operações necessárias para manter a estação funcionando.
Kim participou de pesquisas e demonstrações tecnológicas em áreas que incluíram biologia, medicina, robótica, ciência da Terra e desenvolvimento de tecnologias para futuras missões.
Entre os trabalhos relatados pela NASA estava um estudo com tecidos bioimpressos contendo vasos sanguíneos, voltado ao avanço de técnicas de produção de tecidos no espaço.
Ele também participou de experimentos envolvendo o comando remoto de robôs e de pesquisas com materiais semelhantes ao DNA que podem ter aplicações futuras em medicamentos e medicina regenerativa.
Nesse ambiente, parte de sua formação anterior voltou a aparecer.
A Estação Espacial Internacional reúne ciência, medicina, manutenção de sistemas, operações técnicas e tomada de decisões em condições nas quais os tripulantes precisam dominar tarefas muito diferentes.
Para alguém que havia passado por operações especiais, hospitais e aviação, a sobreposição de funções já era conhecida.
Assista o vídeo
Navy SEAL, médico, piloto e astronauta em uma só carreira
Quando retornou à Terra no fim de 2025, Kim podia reunir em uma única trajetória profissional áreas que normalmente exigem anos de preparação separadamente.
Ele havia sido Navy SEAL, incluindo atuação como médico de combate.
Também era formado em Matemática e possuía diploma de Medicina da Harvard Medical School.
Dentro da Marinha, tinha as qualificações de cirurgião de voo e aviador naval.
Na NASA, havia completado a preparação como astronauta e passado 245 dias no espaço.
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Sua própria biografia oficial ainda registra uma extensa lista de capacitações militares, entre elas mergulho de combate, paraquedismo militar, reconhecimento especial e sniper.
A sucessão dessas atividades não ocorreu toda de uma vez.
Foram mais de duas décadas de treinamentos, mudanças de área e novos cursos desde seu alistamento em 2002.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

