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Marcus Rashford relembra infância em que dependia da merenda, enfrenta decisão do governo britânico e ajuda a garantir fundo de £170 milhões para alimentar crianças e famílias vulneráveis durante a pandemia
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 27/08/2026 às 20:40
Atualizado em 27/08/2026 às 20:41
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Criado por uma mãe solo que trabalhava em diferentes empregos e chegou a deixar de comer para alimentar os filhos, Marcus Rashford transformou a própria experiência com a fome em uma campanha nacional. A mobilização pressionou o governo britânico a rever decisões e anunciar £170 milhões para apoiar famílias no inverno.
Antes dos gols pela seleção inglesa e da projeção conquistada com a camisa do Manchester United, Marcus Rashford conheceu uma realidade distante dos grandes estádios.
Criado por uma mãe solo em Wythenshawe, na região de Manchester, o jogador cresceu em uma família de baixa renda que dependia da merenda gratuita, de clubes de café da manhã e da solidariedade da comunidade para manter comida à mesa.
Quando a pandemia fechou escolas e agravou a insegurança alimentar, Rashford decidiu usar a própria história para defender crianças que poderiam passar as férias sem o alimento recebido durante o período letivo.
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A campanha levou o atacante a confrontar publicamente decisões do governo de Boris Johnson. Depois de meses de mobilização e duas disputas nacionais em torno da alimentação infantil, o governo anunciou um fundo de £170 milhões, equivalente a mais de R$ 1 bilhão na cotação da época, para ajudar famílias vulneráveis durante o inverno.
Marcus Rashford cresceu em uma família de baixa renda em Manchester
Marcus Rashford nasceu em Manchester, em 1997, e foi criado principalmente em Wythenshawe, uma região marcada por desigualdades sociais.
Sua mãe, Melanie Maynard, sustentava sozinha cinco filhos e precisava conciliar diferentes trabalhos para pagar as despesas da casa.
Mesmo trabalhando em tempo integral e recebendo um salário mínimo, o dinheiro nem sempre era suficiente para garantir todas as refeições da família.
Rashford relatou posteriormente que a mãe fazia sacrifícios silenciosos. Em determinadas ocasiões, ela deixava de comer para que os filhos tivessem alimento.
A dificuldade vivida dentro de casa se tornaria, anos depois, o principal ponto de partida de sua campanha contra a fome infantil.
Merenda escolar ajudava a colocar comida na mesa da família
A alimentação oferecida pela escola não era apenas um benefício complementar na infância do jogador.
Rashford contou que sua família dependia dos clubes de café da manhã, das refeições escolares gratuitas e da ajuda de vizinhos, treinadores e organizações comunitárias.
Bancos de alimentos e cozinhas solidárias também faziam parte da rotina. Durante o Natal, a família buscava refeições distribuídas em Northern Moor, na região sul de Manchester.
Ao relembrar essa fase, o jogador afirmou que talvez não tivesse alcançado o futebol profissional sem o apoio recebido da comunidade.
Para ajudar no orçamento doméstico e permitir que o filho tivesse alimentação adequada, Melanie autorizou que Rashford ingressasse no alojamento da academia do Manchester United aos 11 anos, um ano antes do habitual.
Pandemia fechou escolas e aumentou o risco de fome infantil
Com o avanço da Covid-19 em 2020, escolas foram fechadas e milhões de crianças britânicas passaram a permanecer dentro de casa.
A interrupção das aulas criou um problema adicional para famílias vulneráveis: muitos alunos dependiam da escola para receber ao menos uma refeição completa por dia.
O governo britânico implantou um sistema nacional de vouchers, com auxílio semanal para substituir a alimentação escolar durante o fechamento das instituições.
Entretanto, o plano inicial previa o encerramento do benefício ao fim do período letivo, deixando as famílias sem a ajuda durante as férias de verão.
Rashford reconheceu naquela situação parte da realidade que havia enfrentado na infância.
Jogador publicou carta aberta aos parlamentares britânicos
Em 15 de junho de 2020, Rashford publicou uma carta aberta dirigida aos integrantes do Parlamento.
No documento, ele descreveu a dificuldade enfrentada pela mãe e contou que o esforço dela, mesmo trabalhando continuamente, não era suficiente para garantir tudo de que os cinco filhos precisavam.
O jogador pediu que o governo reconsiderasse o fim dos vouchers durante as férias e afirmou que o debate ultrapassava as divisões políticas.
“Isso não é sobre política. É sobre humanidade”, escreveu Rashford na carta reproduzida pelo The Guardian.
Naquele momento, aproximadamente 1,3 milhão de crianças estavam registradas para receber refeições escolares gratuitas na Inglaterra.
Governo rejeitou inicialmente a prorrogação do benefício
A primeira resposta do governo de Boris Johnson foi manter o encerramento do programa nacional de vouchers durante o verão.
O governo argumentava que outros mecanismos de assistência seriam utilizados para apoiar as famílias e havia anunciado £63 milhões para autoridades locais.
Rashford, porém, decidiu continuar a pressão pública.
O atacante publicou mensagens nas redes sociais, pediu que a população procurasse seus representantes no Parlamento e declarou que não desistiria das crianças que não tinham escolha a não ser pular refeições.
A carta ganhou repercussão nacional, recebeu apoio de organizações sociais, professores, parlamentares e milhares de cidadãos.
Pressão fez governo liberar £120 milhões para as férias de verão
Um dia depois da publicação da carta, em 16 de junho de 2020, o governo britânico mudou de posição.
Boris Johnson anunciou a criação de um fundo de aproximadamente £120 milhões para manter os vouchers durante as seis semanas das férias de verão.
A medida beneficiaria cerca de 1,3 milhão de crianças elegíveis para receber alimentação escolar gratuita na Inglaterra.
A mudança foi considerada uma vitória da campanha liderada por Rashford, embora também tenha resultado da pressão de instituições sociais, famílias e representantes políticos.
Ao receber a notícia, o jogador destacou o efeito alcançado quando diferentes setores da sociedade se mobilizavam em torno do mesmo objetivo.
Nova disputa começou com a aproximação das férias de inverno
A decisão tomada em junho resolvia o problema imediato das férias de verão, mas não garantia a continuidade do apoio nos períodos seguintes.
Em setembro, Rashford reuniu supermercados, organizações beneficentes, empresas do setor alimentício e outras instituições em uma força-tarefa contra a pobreza alimentar infantil.
O grupo defendia três medidas principais: ampliar o acesso à merenda gratuita, oferecer alimentação e atividades durante as férias escolares e aumentar o valor dos vouchers do programa Healthy Start.
Em outubro de 2020, o Parlamento rejeitou uma proposta para estender a alimentação gratuita pelas férias até a Páscoa de 2021.
A votação provocou nova reação pública. Restaurantes, cafés, empresas, organizações comunitárias e autoridades locais passaram a oferecer refeições por conta própria.
Rashford utilizou suas redes sociais para divulgar os pontos de distribuição e conectar famílias aos estabelecimentos que ofereciam comida.
Governo anunciou fundo de £170 milhões após nova mobilização
Em 8 de novembro de 2020, depois de semanas de pressão, o governo britânico apresentou um novo pacote de combate à insegurança alimentar.
O principal anúncio foi o Covid Winter Grant Scheme, um fundo de £170 milhões destinado a crianças, famílias e pessoas vulneráveis durante o inverno.
O dinheiro foi repassado às autoridades locais da Inglaterra, que poderiam utilizá-lo para ajudar famílias com alimentos e despesas essenciais, como energia e água.
Pelo menos 80% dos recursos deveriam ser direcionados a famílias com crianças, conforme as regras estabelecidas para o programa.
Rashford recebeu o anúncio como um avanço, mas ressaltou que o trabalho contra a pobreza infantil deveria continuar durante todo o ano, não apenas nas férias.
A mudança foi registrada pela Sky Sports, que relacionou o pacote à campanha conduzida pelo jogador.
Pacote também ampliou alimentação nas férias escolares
Além do fundo de £170 milhões para o inverno, o governo anunciou a ampliação do programa Holiday Activities and Food.
A iniciativa recebeu previsão de £220 milhões para oferecer alimentação e atividades durante as férias de Páscoa, verão e Natal de 2021.
Outros recursos foram direcionados ao programa Healthy Start, destinado a ajudar gestantes e famílias com crianças pequenas a comprar alimentos considerados essenciais.
Portanto, os £170 milhões não correspondiam exclusivamente à continuação da merenda escolar. O fundo fazia parte de um pacote mais amplo, criado para permitir que governos locais auxiliassem famílias vulneráveis com alimentação e contas básicas.
Rashford transformou a própria história em defesa de outras crianças
Enquanto pressionava o governo, Rashford também trabalhou com a organização FareShare na distribuição de alimentos.
A mobilização levantou milhões de libras e permitiu o fornecimento de refeições para pessoas afetadas pela crise econômica provocada pela pandemia.
A atuação do jogador não partia apenas de números ou relatórios. Ao falar publicamente, ele descrevia situações que conhecia desde criança: armários vazios, mães que reduziam a própria alimentação e alunos que dependiam da escola para comer.
O atleta também evitava apresentar a discussão apenas como um confronto partidário. Sua defesa se concentrava na ideia de que nenhuma criança deveria ser responsabilizada pela situação financeira da família.
Relatório mostrou que pandemia ampliou desigualdades existentes
O relatório britânico sobre mobilidade social e pandemia apontou que a crise não atingiu todas as famílias da mesma forma.
Crianças de grupos desfavorecidos enfrentaram maiores dificuldades econômicas, educacionais e alimentares durante o fechamento das escolas.
O documento oficial destacou que medidas isoladas não seriam suficientes para reduzir a pobreza e ampliar oportunidades, defendendo ações mais abrangentes para a recuperação social. Os dados podem ser consultados no relatório do governo britânico sobre mobilidade social.
A experiência reforçou o argumento apresentado por Rashford: a merenda gratuita não era um detalhe do sistema educacional, mas uma proteção essencial para milhares de famílias.
Campanha terminou com duas mudanças e centenas de milhões em apoio
A mobilização liderada por Marcus Rashford provocou dois momentos decisivos em 2020.
Em junho, o governo mudou de posição e liberou cerca de £120 milhões para manter os vouchers durante as férias de verão.
Em novembro, após outra disputa sobre o atendimento durante as férias, foi anunciado o fundo de £170 milhões para apoiar crianças, famílias e pessoas vulneráveis durante o inverno, acompanhado de outras medidas de longo prazo.
O menino que havia dependido da merenda e da solidariedade de vizinhos utilizou a visibilidade conquistada no futebol para defender famílias que enfrentavam a mesma insegurança alimentar de sua infância.
Para você, o que mais chama atenção na atitude de Marcus Rashford: expor as dificuldades da própria infância, enfrentar publicamente uma decisão do governo ou transformar sua influência no futebol em ajuda para milhões de crianças? Deixe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

