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Novo estudo questiona como os dinossauros desapareceram há 66 milhões de anos ao indicar que o asteroide Chicxulub gerou calor 3,5 vezes maior que o previsto, capaz de matar parte dos animais em poucas horas antes que poeira, escuridão e colapso das cadeias alimentares eliminassem os sobreviventes na Terra
Escrito por Carla Teles
Publicado em 04/08/2026 às 15:48
Ciência e Tecnologia
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Os dinossauros podem ter enfrentado uma primeira onda letal de calor e incêndios logo após o asteroide Chicxulub atingir a Terra, enquanto a poeira ultrafina teria retido energia na atmosfera e, depois, bloqueado a luz solar, derrubado a fotossíntese e provocado fome entre os animais que sobreviveram inicialmente ao impacto devastador.
Os dinossauros podem não ter desaparecido apenas ao longo dos anos posteriores à colisão do asteroide Chicxulub, como propõe a explicação mais difundida para a extinção ocorrida há 66 milhões de anos. Uma nova pesquisa indica que o impacto na península de Yucatán, no atual México, teria provocado um aquecimento 3,5 vezes superior ao estimado anteriormente, suficiente para matar rapidamente parte dos animais expostos ao calor extremo e aos incêndios.
A pesquisa foi publicada em julho de 2026 no periódico científico Journal of Geophysical Research: Biogeosciences. Os pesquisadores combinaram dados geológicos do período da extinção, simulações computacionais do impacto e informações obtidas de uma camada moderna de poeira para investigar como o material lançado pelo asteroide teria se comportado na atmosfera terrestre durante as primeiras horas e nos anos seguintes à colisão.
Asteroide atingiu a Terra em velocidade extrema
O asteroide Chicxulub atingiu a Terra há aproximadamente 66 milhões de anos, viajando a cerca de 19 quilômetros por segundo. A colisão ocorreu na região da atual península de Yucatán e liberou uma quantidade de energia estimada em mais de um bilhão de vezes aquela produzida pelas bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, desencadeando terremotos, tsunamis, explosões e incêndios em diferentes regiões do planeta.
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O impacto alterou o ambiente terrestre em uma escala difícil de reproduzir por qualquer fenômeno observado na história humana. Rochas foram vaporizadas, materiais foram lançados para além das camadas inferiores da atmosfera e enormes volumes de poeira e fuligem se espalharam ao redor do mundo, criando uma sequência de efeitos que atingiu os dinossauros, as plantas e inúmeros organismos que dependiam de condições ambientais relativamente estáveis.
Hipótese tradicional apontava uma morte lenta
A explicação mais aceita sustenta que grande parte dos dinossauros morreu gradualmente depois que a poeira e a fuligem lançadas pelo impacto bloquearam a luz solar. A redução prolongada da luminosidade comprometeu a fotossíntese, provocou a morte de plantas e atingiu primeiro os animais herbívoros, que perderam sua principal fonte de alimento em diferentes ecossistemas terrestres.
Com o desaparecimento progressivo dos herbívoros, os predadores também ficaram sem alimento, levando ao colapso das cadeias alimentares. Nesse cenário, a extinção teria ocorrido durante anos ou até décadas, à medida que o planeta escurecia, esfriava e se tornava incapaz de sustentar populações numerosas de animais de grande porte, mesmo em regiões muito distantes da cratera formada pelo asteroide.
Novo estudo acrescenta uma fase imediata
A nova pesquisa não descarta o período prolongado de escuridão e fome, mas sugere que ele pode ter sido precedido por uma primeira fase muito mais rápida e violenta. Segundo as simulações, parte considerável dos dinossauros e de outros animais do Cretáceo pode ter morrido nas primeiras horas após a colisão, atingida por temperaturas extremas e incêndios associados ao retorno do material ejetado.
Essa interpretação cria uma sequência formada por dois golpes ambientais. O calor teria eliminado rapidamente os organismos expostos, enquanto a escuridão posterior teria atingido aqueles que conseguiram sobreviver, combinando uma destruição imediata provocada pelo fogo com uma crise duradoura de resfriamento, escassez de alimentos e desorganização dos ecossistemas terrestres e aquáticos.
Rochas vaporizadas retornaram à superfície
A colisão lançou enormes quantidades de rocha vaporizada para a atmosfera. Conforme o material se espalhava e começava a esfriar, parte dele se transformava em pequenas gotas de rocha conhecidas como esférulas, que retornavam à superfície em alta velocidade e liberavam calor durante a reentrada nas camadas atmosféricas mais densas.
Esse processo já era conhecido pelos pesquisadores e vinha sendo utilizado para explicar a ocorrência de incêndios após o impacto. Bilhões de partículas aquecidas teriam atravessado o céu como uma chuva de material incandescente, irradiando energia em direção à superfície e elevando rapidamente as temperaturas enfrentadas pelos animais, pelas florestas e por outros ambientes existentes no fim do período Cretáceo.
Poeira ultrafina mudou as simulações
O novo estudo indica que nem todo o material rochoso lançado pelo asteroide se condensou em esférulas. Uma parte teria permanecido suspensa na atmosfera como uma nuvem de poeira ultrafina, formando uma camada com poucos milímetros de espessura que se espalhou ao redor do planeta e modificou a maneira como o calor circulava naquele ambiente extremo.
Em vez de atuar somente como uma barreira contra a luz solar, essa poeira também teria funcionado inicialmente como um isolante térmico. A camada poderia reter o calor produzido pela reentrada das partículas, pelas explosões e pelos incêndios, impedindo que parte da energia escapasse rapidamente para o espaço e elevando a temperatura próxima à superfície muito além das estimativas anteriores.
Calor pode ter sido 3,5 vezes maior
Ao incluir o efeito isolante da poeira ultrafina, os pesquisadores calcularam um aquecimento 3,5 vezes maior do que aquele previsto por modelos que consideravam principalmente as esférulas. Essa diferença altera a compreensão das primeiras horas posteriores ao impacto, porque temperaturas muito mais elevadas ampliariam a área na qual animais e plantas teriam sido expostos a condições potencialmente fatais.
O calor extremo poderia matar rapidamente organismos que não encontrassem proteção adequada, especialmente aqueles localizados em áreas abertas ou próximos a vegetação incendiada. Os dinossauros que permanecessem expostos poderiam sofrer os efeitos diretos da radiação térmica, enquanto animais protegidos por água, solo, cavernas ou outros abrigos teriam melhores possibilidades de superar essa primeira etapa.
Incêndios podem ter ampliado a destruição
O retorno das partículas aquecidas poderia iniciar incêndios em áreas com vegetação seca, ampliando ainda mais a temperatura e lançando fuligem adicional na atmosfera. Esses incêndios teriam criado uma combinação de fogo, fumaça e calor capaz de transformar rapidamente ambientes antes habitáveis em regiões hostis para animais terrestres de diferentes tamanhos.
Entretanto, a extensão global desses incêndios ainda não está comprovada. A maior parte dos vestígios conhecidos está concentrada no Hemisfério Norte, o que impede afirmar que todas as regiões do planeta tenham enfrentado a mesma intensidade de fogo. Essa limitação exige cautela ao estimar quantos dinossauros poderiam ter morrido nas horas imediatamente posteriores à colisão.
Abrigos podem ter definido quem sobreviveu
Animais protegidos no subsolo, dentro de tocas, em ambientes aquáticos ou sob barreiras naturais poderiam escapar de parte da radiação térmica inicial. Essa diferença ajuda a explicar por que alguns grupos de organismos sobreviveram ao evento enquanto os dinossauros não avianos e muitas outras formas de vida desapareceram ao final do Cretáceo.
O tamanho corporal, a alimentação disponível e a capacidade de encontrar abrigo também poderiam influenciar a sobrevivência. Escapar do calor não significava estar livre da extinção, porque os sobreviventes ainda precisariam enfrentar anos de escuridão, queda das temperaturas, perda da vegetação, redução das presas e transformação profunda dos habitats que sustentavam suas populações.
Mesma poeira depois bloqueou o Sol
Quando os incêndios diminuíram e as rochas começaram a esfriar, a poeira que inicialmente teria ajudado a reter calor passou a produzir outro efeito. Suspensa na atmosfera, ela bloqueou parte da luz solar e mergulhou o planeta em um período prolongado de escuridão, reduzindo drasticamente a energia disponível para plantas e outros organismos fotossintetizantes.
A Terra teria passado de um aquecimento intenso para um resfriamento duradouro, submetendo os sobreviventes a dois extremos sucessivos. Primeiro vieram o fogo e as altas temperaturas; depois, a redução da luz solar e a queda térmica comprometeram a produção de alimentos, criando condições que poderiam permanecer por anos ou até décadas em determinadas regiões.
Cadeias alimentares entraram em colapso
Sem luz suficiente, plantas terrestres e organismos fotossintetizantes dos ambientes aquáticos perderam produtividade. A redução dessas formas de vida atingiu a base das cadeias alimentares, diminuindo a quantidade de alimento disponível para herbívoros e, em seguida, para predadores que dependiam diretamente dessas populações para sobreviver.
Os dinossauros que escaparam das primeiras horas ainda teriam enfrentado um planeta com recursos cada vez mais escassos. A fome pode ter completado uma extinção iniciada pelo calor, eliminando gradualmente animais incapazes de adaptar sua alimentação, reduzir suas necessidades energéticas ou encontrar refúgios onde plantas, sementes, pequenos organismos e matéria orgânica permanecessem disponíveis.
Dois processos podem ter agido em sequência
A pesquisa propõe que a extinção não precisa ser explicada por uma escolha entre morte imediata ou desaparecimento gradual. Os dois mecanismos podem ter ocorrido em sequência, começando com uma onda de calor e incêndios e continuando com uma longa crise ambiental marcada por escuridão, frio e colapso das cadeias alimentares.
Essa combinação torna o evento ainda mais destrutivo. Os animais que resistiram ao primeiro golpe precisaram sobreviver a um segundo processo completamente diferente, sem tempo suficiente para que populações, ecossistemas e fontes de alimento se recuperassem. A sucessão de eventos teria reduzido progressivamente as possibilidades de sobrevivência dos grandes animais terrestres.
Evidências ainda precisam ser ampliadas
Embora as novas simulações indiquem um aquecimento muito mais intenso, os pesquisadores ainda precisam encontrar evidências adicionais capazes de confirmar a extensão geográfica dos incêndios. Os registros disponíveis não demonstram de maneira definitiva que o fogo tenha se espalhado por todo o planeta com a mesma força após o impacto de Chicxulub.
A ausência de provas globais impede concluir que a maioria dos dinossauros tenha morrido necessariamente em poucas horas. O estudo apresenta uma hipótese sustentada por modelos e dados geológicos, mas não encerra o debate, tornando necessárias novas análises de sedimentos, partículas, carvão e outros vestígios preservados em diferentes continentes e hemisférios.
Extinção pode ter começado muito mais rápido
A principal mudança proposta pela pesquisa está na velocidade da primeira fase da catástrofe. Em vez de enfrentar inicialmente apenas um escurecimento gradual do céu, parte dos animais pode ter sido exposta quase imediatamente a uma onda de calor extremo, incêndios e material incandescente retornando da atmosfera após a colisão.
Os dinossauros podem ter desaparecido por uma combinação de efeitos rápidos e lentos, separados por poucas horas, anos ou décadas. Na sua opinião, o calor extremo foi o principal responsável pelas primeiras mortes ou a fome prolongada continuou sendo o fator decisivo para a extinção? Deixe sua interpretação nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

